O riso quase nervoso e a incredulidade de Lewis Hamilton ao fim da classificação da sprint desta sexta-feira (21) resumiram genuinamente o que foi a disputa das posições da prova curta da F1 na China — segunda etapa da temporada e a primeira do formato em 2025. Isso porque o heptacampeão foi capaz de promover um novo começo com a Ferrari — foi como se o desastre da semana passado nem tivesse existido. Hamilton se sentiu à vontade na SF-25 logo de cara e soube usar bem o gosto que tem pela pista de Xangai, sobretudo ali naqueles dois primeiros setores. A incrível velocidade de reta também ajudou, e ele não jogou fora a chance de brilhar. Cravou a pole que, embora não seja suficiente para ampliar seus recordes, chega em um ótimo momento e refaz esse início de trabalho com os italianos — que, por sua vez, também respiram mais aliviados.

Mas a sprint tende a contar uma história ainda mais fascinante neste sábado. E não é como se a Ferrari estivesse fora da briga, mas, sim, porque há outros elementos importantes nesse cenário para as 19 voltas da corrida de 100 km da Fórmula 1 no enorme circuito chinês. Afinal, Max Verstappen vai dividir a primeira fila com Hamilton, e isso por si só já vale ingresso e o despertar mais cedo para acompanhar a primeira curva. Há também a McLaren, claro. Apesar de ter cedido o lugar da ponta, a equipe laranja ainda tem muito a oferecer — e precisa oferecer. A Mercedes também é um coringa nessa mesa e deve entrar na lista das surpresas do fim de semana.

Só que é essencial falar de Hamilton neste ponto. A Ferrari trabalhou muito durante os últimos dias para tentar compreender o que deu errado em Melbourne, mas, ao chegar a Xangai, a sensação mudou inteiramente. Em uma pista menos singular, com retas enormes e curvas de raio longo, a SF-25 se sentiu em casa. Há um ritmo de volta única apurado nesse novo modelo de Maranello, sem dúvida. Mas o que proporcionou a performance do inglês foi mesmo a habilidade em manter os pneus na janela correta de temperatura e voar nos dois primeiros setores do circuito. Além disso, o carro vermelho tem como principal arma a velocidade de reta. Até aqui, ninguém foi páreo neste quesito, nem mesmo a McLaren.

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“Estou um pouco chocado, um pouco surpreso com isso. Não sabia quando conseguiríamos chegar a essa posição. Após a última etapa, tivemos um início difícil de semana. Chegamos aqui agressivos e, acima de tudo, o carro que imediatamente me deu uma boa sensação. Mas, por mais confiante que eu estivesse, ainda não consigo acreditar que estamos na primeira fila”, admitiu Lewis logo após a volta recorde de 1min30s849.

“Mal posso acreditar que estamos à frente da McLaren, que foi mais rápida nos testes, no último fim de semana e aqui”, completou. “Ainda que não seja a pole da corrida principal, me deixa realmente inspirado para amanhã. Sempre fui bem nessa pista. Acho que são os fãs, e o clima também está ótimo”, emendou o piloto da Ferrari, que já venceu seis vezes em Xangai.

De fato, há uma chance de brigar pela vitória, mas existe uma preocupação persistente nas garagens vermelhas. Charles Leclerc obteve o quarto tempo, a 0s2 do britânico, mas encontrou dificuldades com os pneus, e isso pode ser transportado para a corrida. Deste ponto de vista, a sprint será um grande teste para a Ferrari no que diz respeito ao desempenho em corrida, especialmente em cima dos pneus médios.

Quem também terminou o dia com um ponto de interrogação no rosto foi Verstappen. Assim como Hamilton, o neerlandês construiu sua volta derradeira em cima de uma performance forte em dois dos três setores da pista — foi crucial o ritmo na parte final. O tetracampeão ainda soube driblar a falta de velocidade final ao mostrar um ritmo mais consistente e sem erros nos trechos seletivos. Mas a surpresa do piloto #1 se deve mesmo à sensação de que o RB21 segue muito lento e que, se tudo fosse normal, não estaria na primeira fila.

Lewis Hamilton vibra com pole na sprint da China (Vídeo: reprodução/F1 TV)

“A volta foi muito boa. É sempre muito difícil quando você vai de um pneu médio para um macio. Claro que, quando você olha para isso, foram 18 milésimos ou algo assim da pole, mas achei que não estaríamos na primeira fila. Estou muito feliz por estar em segundo”, disse Max, que, de novo, fez a diferença na performance taurina, uma vez que os problemas de degradação dos pneus ainda seguem — Liam Lawson, último colocado do grid, que o diga.

“Não acho que o acerto esteja muito ruim, apenas estamos muito lentos. Mas esse resultado é bom para nos motivar. Vamos tentar maximizar tudo o que temos, precisamos fazer isso também e lutar para conseguir mais ritmo”, completou Verstappen.

Ainda assim, o piloto taurino não pode ser descartado da briga. Só que não deixa de chamar a atenção o fato de que a McLaren deixou uma chance passar. Claramente, o carro inglês tem mais a entregar e, em um roteiro mais normal, a primeira fila teria de ser laranja. Acontece que os papaias enfrentaram os primeiros contratempos do ano e não se saíram tão bem. A escolha por duas voltas rápidas na fase final da classificação não se pagou. É sempre uma tática arriscada, mas que pode funcionar diante de uma superioridade técnica como a dos britânicos de Woking. No entanto, ambos os pilotos cometeram pequenos erros, que foram suficientes para afastá-los do sucesso.

Lando Norris, o líder do campeonato, errou na primeira tentativa e abortou a segunda, ficando com o sexto tempo apenas. Já Oscar Piastri foi capaz de completar o giro decisivo e se colocou em terceiro. É mais uma lição. “Acho que provavelmente fomos rápidos nos pontos errados, infelizmente”, falou Oscar.

Lando Norris errou no hairpin e perdeu pole na China (Vídeo: reprodução/F1 TV)

“SQ1 e SQ2 foram bons, e então SQ3 tentamos algo um pouco diferente, e saímos muito mais cedo e tentamos duas voltas, o que não tenho certeza se foi a melhor coisa no final. É algo que precisamos analisar, mas acho que o ritmo do carro ainda está muito forte e ainda estou confiante para amanhã, mesmo saindo em terceiro”, acrescentou.

A verdade é que a McLaren tem performance e capacidade para vencer, porque está muito à frente de Red Bull e Ferrari em Xangai. De acordo com cálculos do site da Fórmula 1, a equipe possui um ritmo em torno de 0s3 melhor do que suas concorrentes diretas, que estão em um patamar parelho em termos de desempenho em corrida.

Importante só acrescentar que a Mercedes faz parte desse cenário todo. Ainda que pareça uma coadjuvante de luxo, as Flechas de Prata também concorrem a surpresa do fim de semana — mais ou menos como aconteceu na Austrália. O fato é que, ainda que enfrente problemas com os pneus mais macios, o W16 é muito consistente em cima dos pneus médios e até mesmo dos duros. Aqui reside o segredo dos alemães.

A classificação da sprint foi positiva de certa maneira. George Russell foi capaz de driblar as dificuldades da segunda fase e aproveitou bem o SQ3. Larga em quinto, com uma boa chance de entrar em uma disputa com a Ferrari de Leclerc, inicialmente. A primeira corrida do ano mostrou que a Mercedes tende a surpreender mesmo em corrida e aqui pode ser a chance de Andrea Kimi Antonelli, que melhorou em relação ao que fez semana passada e agora sai em sétimo.

Portanto, a sprint vai mesmo contar uma outra história porque vai começar a desenhar o próprio GP da China.

Fórmula 1 realiza o GP da China, em Xangai, entre os dias 21 e 23 de março, a primeira etapa da temporada 2025 com a corrida sprint. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação sprint, sprint, classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. No sábado (22), a largada da sprint está marcada para meia-noite, com a classificação às 4h. Por fim, no domingo (23), os pilotos disputam o GP da China às 4h. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.

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