O resultado muito aquém do esperado da Ferrari no GP do Canadá, realizado neste domingo (15), serviu apenas para jogar mais lenha na fogueira da crise interna que vem assombrando a equipe nas últimas semanas. De acordo com Frédéric Vasseur, o clima de tensão não ajuda em nada no trabalho da escuderia, que tem declaradamente usado a Mercedes como exemplo para reverter o atual cenário.

Depois de terminar o Mundial de Construtores de 2024 na segunda posição, apenas 14 pontos de desvantagem em relação à McLaren, o time italiano decidiu mudar completamente a filosofia do carro e, como consequência, passou a sofrer com a performance da SF-25. Até aqui, os vermelhos não conseguiram nenhuma vitória e foram ao pódio somente em três oportunidades — todas com Charles Leclerc: na Arábia Saudita, Mônaco e Espanha.

Desta forma, na última quinta-feira, o jornal La Gazzetta dello Sport publicou que Vasseur tem apenas mais três corridas para convencer John Elkann e Benedetto Vigna, presidente e CEO, respectivamente, de que ainda é a melhor opção para continuar liderando a equipe após o término do atual contrato. O site Motorsport Itália, por sua vez, até apontou Antonello Coletta, chefe do programa dos italianos no Mundial de Endurance (WEC), como substituto mais provável.

E o quinto e sexto lugares de Leclerc e Lewis Hamilton em Montreal, respectivamente, que fizeram a Ferrari cair para o terceiro lugar no campeonato, 191 tentos atrás da McLaren, só pioraram a situação. Após o fim da décima etapa da temporada 2025, durante uma entrevista à emissora britânica Sky Sports, o dirigente francês falou sobre o aumento da pressão em Maranello.

Ferrari teve mais um dia complicado no Canadá (Foto: AFP)

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“Não acho que o clima ao redor da equipe ajude nosso desempenho, já disse isso na sexta-feira. Há tensão, e isso não ajuda quando se está em uma disputa apertada. Não estamos vendo o melhor da equipe, e erros podem acontecer por parte de todos. É preciso calma e serenidade — esse é o meu objetivo —, mas nem tudo está sob meu controle”, declarou.

“O mais importante é que todos sigamos na mesma direção. Não quero ter de lutar com todos, seja internamente ou externamente. O mais importante é trabalhar em equipe”, acrescentou o chefe da Ferrari, que citou a situação difícil pela qual a Mercedes atravessou recentemente como exemplo.

“Olhemos para a Mercedes. Eles sofreram em alguns finais de semana — entre Ímola, Mônaco e Barcelona —, mas não revolucionaram a equipe. Eles trabalharam, desenvolveram e seguiram em frente como um time, e hoje venceram. Acho que esse é um bom exemplo a ser seguido. Não é o fim do mundo, não seremos sempre perfeitos, só precisamos continuar fazendo nosso trabalho — bem feito”, concluiu.

Fórmula 1 retorna de 27 a 29 de junho, na Áustria, 11ª etapa da temporada 2025.