A Ferrari parecia ter condições de disputar a pole-position da sprint do GP de Singapura de Fórmula 1 2026 depois de colocar Charles Leclerc e Lewis Hamilton nas duas primeiras posições do SQ2. Entretanto, a mudança obrigatória dos pneus médios para os macios na fase decisiva da classificação alterou o cenário. O monegasco terminou em terceiro, enquanto o britânico ficou apenas em sexto, resultado que expôs dificuldades diferentes nos dois carros da equipe italiana.

A escuderia mostrou competitividade desde o único treino livre, quando Leclerc terminou em segundo, atrás de George Russell, e Hamilton apareceu em quarto. Na classificação sprint desta sexta-feira (9), os dois avançaram sem dificuldades pelas primeiras fases e dominaram o SQ2, com Leclerc em primeiro e Hamilton em segundo. A expectativa era de que a Ferrari pudesse brigar com Red Bull, Mercedes e McLaren pela primeira posição do grid.

O desempenho, porém, não se repetiu no SQ3. Max Verstappen conquistou a pole com 1min31s156, seguido por Russell, com 1min31s276. Leclerc marcou 1min31s399, a 0s243 do piloto da Red Bull, enquanto Hamilton registrou 1min31s702, terminando 0s546 atrás do neerlandês.

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Charles Leclerc obteve a terceira melhor marca da classificação sprint (Foto: Pirelli)

Por que a Ferrari perdeu desempenho no SQ3?

A mudança dos pneus médios para os macios foi um dos elementos centrais da queda de rendimento. No SQ2, a Ferrari conseguiu aproveitar bem o composto intermediário da gama disponível para o fim de semana, mas a aderência adicional esperada dos pneus macios não se transformou em uma vantagem suficiente na disputa pela pole.

A equipe também adotou estratégias diferentes para seus pilotos na última fase. Leclerc saiu com combustível suficiente para realizar duas tentativas rápidas, enquanto Hamilton optou por concentrar o esforço em apenas uma volta lançada. O monegasco registrou inicialmente 1min31s568 e depois melhorou para 1min31s399, garantindo a terceira posição.

Hamilton, por outro lado, enfrentou dificuldades para controlar a traseira do SF-26. O britânico reconheceu que a escolha de fazer apenas uma tentativa não funcionou e assumiu a responsabilidade pela decisão, embora ainda não soubesse explicar exatamente por que o carro perdeu aderência.

“Fizemos um plano um pouco diferente dos outros. Foi uma escolha minha e acho que errei. Mas, no fim das contas, o carro estava saindo muito de traseira naquela volta”, explicou Hamilton.

O heptacampeão relatou que o comportamento do carro havia sido positivo nas duas primeiras fases da classificação, mas mudou significativamente no SQ3. A Ferrari ainda precisa determinar se a dificuldade foi provocada pela preparação dos pneus, pelo equilíbrio do carro ou pelo superaquecimento do composto traseiro.

“Não sei se os pneus traseiros não estavam prontos ou se estavam superaquecendo. Foi difícil dizer, mas o carro estava muito arisco, saindo bastante de traseira, e não foi uma boa volta”, acrescentou.

Leclerc vê problema maior do que escolha dos pneus

A avaliação de Leclerc foi diferente. Embora tenha reconhecido que os adversários utilizaram estratégias distintas de preparação dos pneus, o monegasco considerou que conseguiu extrair praticamente todo o desempenho disponível no SF-26 durante sua melhor tentativa.

Para o piloto, o problema da Ferrari vai além da execução de uma volta ou da escolha do momento de entrar na pista. Leclerc afirmou que a equipe perdeu competitividade nas últimas etapas e ainda não dispõe da velocidade necessária para enfrentar regularmente as principais adversárias.

“Acho que consegui ganhar o tempo que precisávamos ganhar. Os outros tinham um plano um pouco diferente, fizeram duas voltas de resfriamento e nós apenas uma. Sinceramente, não acho que isso deva servir como desculpa”, afirmou.

“Nas últimas três ou quatro corridas, perdemos um pouco de desempenho puro e simplesmente ainda não somos rápidos o suficiente para brigar com eles”, completou o monegasco.

A declaração reforça uma preocupação que já havia aparecido depois do GP do Bahrein, disputado em Sepang, na Malásia. Na ocasião, a Ferrari enfrentou dificuldades para transformar seu potencial em resultado depois de apostar em uma estratégia de pneus que não produziu os ganhos esperados.

Em Singapura, a situação voltou a colocar as decisões da equipe em evidência. A diferença é que, desta vez, a Ferrari mostrou velocidade suficiente para liderar o SQ2, mas não conseguiu acompanhar a evolução dos adversários na fase decisiva.

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Lewis Hamilton vai largar em sétimo (Foto: Ferrari)

O que Ferrari precisa melhorar para classificação de sábado?

A principal tarefa da equipe será compreender o comportamento dos pneus macios, especialmente a dificuldade de Hamilton com a aderência traseira. A Ferrari precisa identificar se o problema esteve relacionado à temperatura dos compostos, ao número de voltas de preparação ou ao acerto do carro para as condições noturnas de Marina Bay.

A avaliação de Leclerc sobre a falta de velocidade da Ferrari em Singapura indica que pequenos ajustes podem melhorar a competitividade, mas o monegasco não considera que a estratégia de preparação dos pneus explique toda a diferença para Verstappen e Russell.

Outro fator é a mudança das condições da pista ao longo do fim de semana. O único treino livre aconteceu durante a tarde, com temperaturas elevadas, enquanto a classificação sprint foi disputada à noite. A diferença térmica pode influenciar a janela de funcionamento dos pneus e o equilíbrio dos carros.

A Ferrari terá a sprint de sábado como oportunidade de coletar informações adicionais antes da classificação principal. Leclerc larga em terceiro e Hamilton em sexto, posições que oferecem perspectivas distintas para os dois pilotos, especialmente em um circuito no qual as ultrapassagens exigem precisão e boa tração.

A equipe já havia alertado para as dificuldades do fim de semana de Singapura, destacando a combinação entre o formato sprint, as características do circuito e a proximidade entre as principais adversárias.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de Singapura, 17ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Horários do GP de Singapura da F1 2026

O GP de Singapura acontece de 9 a 11 de outubro, em Marina Bay, com treino livre, classificação da sprint, sprint, classificação e corrida.

DiaSessãoBrasilPortugalAngolaCabo VerdeMoçambique
Sábado, 10/10Sprint6h10h10h8h11h
Sábado, 10/10Classificação10h14h14h12h15h
Domingo, 11/10Corrida9h13h13h11h14h

Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.

F1 hoje: perguntas frequentes

Quando Antonelli pode ser campeão da F1 2026?

A primeira possibilidade matemática é no GP dos Estados Unidos, em 25 de outubro. Após Sepang, Antonelli tem 320 pontos e 84 de vantagem sobre Russell. A conquista em Austin depende dos resultados dos dois próximos fins de semana.

Antonelli pode conquistar o título em Singapura?

Não. Mesmo vencendo a sprint e a corrida, com Russell sem pontuar, Antonelli abriria 117 pontos. Após Singapura, ainda restariam 150 pontos disponíveis, mantendo o companheiro de Mercedes na disputa.

Quantos pontos ainda estão em disputa na F1 2026?

Restam 183 pontos por piloto: 175 nas sete corridas principais e oito na sprint de Singapura. A temporada termina no GP de Abu Dhabi, em 6 de dezembro.