Da mesma maneira que a Mercedes, a Red Bull também desembarcou em Singapura em busca de respostas. Desde que colocou para jogo um robusto pacote de atualizações no Azerbaijão, a equipe austríaca vem em franco crescimento na F1 2026. A pole e a vitória na semana passada, na Malásia, confirmaram essa sensação de força e foram importantes para entender o que realmente funcionou. A velocidade de reta se tornou uma arma poderosa, mas em uma pista como Marina Bay as exigências são completamente diferentes. E embora o RB22 tenha apresentado algumas limitações no traçado de rua, Max Verstappen foi capaz de minimizá-las, para conquistar a pole-position da corrida sprint deste sábado (10).
O fato é que o circuito da cidade-estado asiática não é o que melhor se adapta às demandas do carro taurino. As curvas lentas e as ondulações chamam por um compromisso maior em termos de configuração. Apesar das mudanças introduzidas no modelo azul-marinho, a altura em relação ao solo e a rigidez ainda cobram um preço da Red Bull. Por isso, a performance de Verstappen é tão brilhante. O neerlandês foi capaz de usar a velocidade de reta a seu favor, mas também conseguiu um delicado equilíbrio nos trechos mais lentos, driblando as inconsistências do asfalto. E aí pesou também a habilidade do tetracampeão na parte final da classificação.
Calçado com os pneus macios pela primeira vez no fim de semana, Max soube extrair o máximo em uma única volta lançada. Aproveitou o melhor momento do asfalto, para voar com o composto ideal para as condições de Singapura. O tempo de 1min31s156 disse muito sobre a capacidade de Verstappen em alcançar a janela perfeita de temperatura dos pneus e ainda impor uma distância de 0s120 para George Russell e uma Mercedes da versão mais competitiva. É claro que a Red Bull ainda tem um longo caminho pela frente, mas já é possível colocá-los como favoritos.
“Acho que estivemos muito mais competitivos nas duas últimas corridas”, destacou Verstappen. “Este circuito continua a evidenciar algumas das pequenas fragilidades do carro, mas conseguimos lidar com elas da melhor forma possível”, completou.
Laurent Mekies ratificou a opinião do neerlandês e detalhou os pontos de maior fragilidade e como o piloto conseguiu neutralizar as falhas. “O TL1 foi complicado para ambos os carros”, explicou o chefe da equipe dos energéticos. “Foi difícil encontrar o equilíbrio certo, especialmente devido às inúmeras ondulações na pista. O carro sofre bastante nas ondulações, mas Max, Isack (Hadjar) e os engenheiros fizeram um ótimo trabalho entre os treinos livres e a classificação da sprint, conseguindo melhorá-lo significativamente.”
As decisões tomadas entre uma sessão e outra também pesaram no desempenho geral, mas ainda não responderam todas as perguntas sobre a qualidade das atualizações. “O carro ainda não está perfeito, mas conquistamos a pole. Isso também mostra que provavelmente todos estão tendo dificuldades com as características do asfalto. É bom estar de volta à liderança, mesmo que o fim de semana ainda seja muito longo”, explicou Mekies.
“Mas o mérito é de Max também, porque o carro não é nada fácil de pilotar neste circuito. Tenho certeza de que, se você perguntasse, ele ainda teria muito a dizer sobre o comportamento do carro. Mas a equipe está fazendo um trabalho extraordinário com ele, focando nos aspectos que realmente importam para os tempos de volta. O carro continua difícil e provavelmente ainda há potencial a ser explorado, mas hoje eles trabalharam melhor do que qualquer outro. E é isso que importa.”

Enquanto isso, a Mercedes também seguiu atrás de entender o próprio desempenho e a decisão de disputar o fim de semana em configurações totalmente diferentes entre os dois pilotos. George Russell, que vai pagar uma punição pela troca do motor no domingo, optou pelo uso da versão mais antiga — e mais competitiva — do W17. Já Andrea Kimi Antonelli foi à pista com a atualização introduzida na Malásia. O plano é somar dados para uma avaliação mais precisa do pacote de novidades. O problema é que a primeira grande resposta veio de cara: Russell não só garantiu a presença na primeira fila, como teve a oportunidade de tirar proveito da melhor especificação das Flechas de Prata. O ponto forte foram as curvas de média velocidade, bem como o cuidado com os pneus macios.
Em contrapartida, Antonelli enfrentou bem mais dificuldades. O carro se mostrou desequilibrado e imprevisível. “Já estava com problemas no TL1”, admitiu Kimi após a classificação. “Ainda há muito para entender sobre este pacote. O carro é realmente difícil de pilotar, imprevisível e é complicado fazer uma volta rápida. É uma pena, porque vim para cá com grandes expectativas, mas até agora tudo tem sido muito difícil”, acrescentou o líder do campeonato.
O vice-chefe da Mercedes, Bradley Lord, foi mais específico ao falar das questões que afligiram a equipe. “O equilíbrio do carro é menos consistente e menos estável com o novo pacote em comparação com o carro de George. Parece ser mais difícil passar pelas curvas lentas. Você precisa aplicar um pouco mais de acelerador para evitar que o carro saia de frente. Já na entrada das curvas de alta velocidade, o carro fica um pouco nervoso. E, claro, isso custa confiança”, disse o inglês, que aproveitou para esclarecer que a esquadra alemã sequer pode voltar atrás na decisão de usar o carro mais novo com o italiano.
“Não é possível reverter para a especificação anterior durante o fim de semana de corrida. Também não podemos trocar o chassi.”

Diante disso, a Mercedes corre o risco de se ver longe da briga pela vitória. Antonelli foi apenas o sétimo na classificação da sprint, quase 0s7 atrás de Verstappen. O sábado vai mostrar o quanto será possível se recuperar com o novo pacote. Se o cenário não mudar, o domingo tende a ser ainda mais complexo, porque Russell terá de cumprir a punição e vai largar do fundo do grid. Enquanto isso, a classificação do GP de Singapura pode se tornar uma baita dor de cabeça, especialmente se o líder do campeonato não conseguir se aproximar dos ponteiros.
A sorte está lançada na garagem alemã.
Ferrari e McLaren mantêm quatro equipes na disputa
Por outro lado, a classificação da sprint também mostrou que a briga na ponta não se limita a Red Bull e Mercedes. E que isso pode ser replicado ao longo do fim de semana. É que Charles Leclerc colocou a escuderia italiana na terceira posição do grid, com uma diferença de 0s243 para o pole, enquanto Lewis Hamilton terminou em sexto. A diferença de 0s303 entre os dois pilotos da equipe vermelha mostra que Leclerc conseguiu aproveitar melhor a volta final, embora ambos tenham permanecido próximos do grupo da frente. O ponto de preocupação foram os erros do heptacampeão, especialmente no setor final do traçado.
Outro ponto de atenção foram os pneus. O britânico se queixou dos macios e afirmou que a falha limitou também a performance na parte derradeira da classificação. “O carro se comportou bem com os pneus médios, mas tive dificuldades com a aderência na traseira com os macios, especialmente na minha última volta. Precisamos entender se isso se deveu à preparação dos pneus, ao equilíbrio ou ao superaquecimento”, falou o piloto do carro #44.
Frédéric Vasseur compartilhou da visão do heptacampeão. “Nossos carros tiveram um desempenho melhor com os pneus médios do que com os macios, e vamos trabalhar para melhorar nossa performance com esse composto para a classificação de amanhã.”

Já a McLaren colocou Oscar Piastri em quarto e Lando Norris em quinto. Interessante perceber que o australiano ficou apenas 0s055 atrás de Leclerc, uma margem que deixa o time britânico em condições de lutar por um resultado forte na sprint. Neste ponto, também é essencial dizer que tanto a Ferrari quanto a McLaren estão em um palco que as favorece.
Ambos os carros têm dificuldades em reta, mas costumam exibir um desempenho mais equilibrado em curvas lentas e de média velocidade. Dito isso, dá para esperar uma briga mais acirrada com a Red Bull. Afinal, os cinco primeiros estão separados por menos de 0s5. E embora Verstappen desponte como favorito, as 21 voltas da sprint deste sábado devem também ratificar a ordem de forças e o que pode acontecer mais tarde, quando os pilotos voltarem para a classificação do GP de Singapura.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de Singapura, 17ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Horários do GP de Singapura da F1 2026
O GP de Singapura acontece de 9 a 11 de outubro, em Marina Bay, com treino livre, classificação da sprint, sprint, classificação e corrida.
| Dia | Sessão | Brasil | Portugal | Angola | Cabo Verde | Moçambique |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Sábado, 10/10 | Sprint | 6h | 10h | 10h | 8h | 11h |
| Sábado, 10/10 | Classificação | 10h | 14h | 14h | 12h | 15h |
| Domingo, 11/10 | Corrida | 9h | 13h | 13h | 11h | 14h |
Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.