No último fim de semana com formato sprint da temporada 2026 da Fórmula 1, Max Verstappen seguiu no mesmo embalo da Malásia e garantiu a pole-position da sprint de Singapura. O tetracampeão lidou muito bem com os desafios da pista bastante suja em Marina Bay para mostrar que a Red Bull realmente subiu de patamar com as atualizações recentemente introduzidas.

E a Mercedes deve agradecer bastante pelo fato de isso ter acontecido já na parte final da temporada 2026. Até porque as próprias melhorias não parecem ser tão boas como eles imaginavam. Nesta sexta-feira (9), George Russell assumiu o comando da versão antiga do W17 e foi mais rápido do que Andrea Kimi Antonelli, que está competindo com o modelo mais novo.

O mesmo problema parece afetar a Audi. A equipe de Gabriel Bortoleto desembarcou no Azerbaijão com 14 mudanças no R26 e, até agora, nada. Mesmo em uma pista que teoricamente deveria ser favorável ao carro do brasileiro, Alpine e Racing Bulls, as principais rivais do pelotão intermediário, estão um passo à frente.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos da sexta-feira da Fórmula 1 em Singapura.

Retornou à primeira prateleira da F1?

A pole-position de Max Verstappen para a corrida sprint de Singapura provou que as atualizações introduzidas pela Red Bull no GP do Azerbaijão realmente colocaram o RB22 em outro patamar na temporada 2026. Em uma pista com características completamente diferentes das que existem na Malásia, onde alcançou a primeira vitória neste ano, o tetracampeão lidou bem com os desafios apresentados nesta sexta-feira, com asfalto sujo e de baixa aderência.

Nem tudo é perfeito, obviamente, e isso ficou muito claro com Isack Hadjar. Mas também está nítido que de fato existe um potencial muito maior em comparação com o que era visto nos últimos meses. Depois de um pacote robusto de atualizações em Baku e uma nova placa do assoalho em Sepang, os taurinos agora alteraram a asa dianteira e a carroceria ao redor das rodas traseiras, tudo com o intuito de melhorar a geração de downforce sem comprometer a estabilidade do fluxo de ar.

O fato de Verstappen ter superado George Russell por 0s120 pode servir de impulso para a Red Bull, uma vez que o britânico está competindo com a especificação antiga da Mercedes neste fim de semana — ou seja, a versão que indiscutivelmente dominou a F1 por mais de seis meses e deu a Andrea Kimi Antonelli a oportunidade de construir ampla vantagem na liderança do campeonato. E mesmo se tivesse perdido por pouco, ainda assim seria um bom sinal.

Talvez Oscar Piastri não estava errado ao dizer que a escuderia dos energéticos se uniu às Flechas de Prata no posto de referência da categoria.

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Max Verstappen segue embalado na temporada 2026 da F1 (Foto: Red Bull Content Pool)

Carro velho é que faz corrida boa?

Esse tem sido o dilema da Mercedes desde o GP do Bahrein na Malásia da semana passada, quando as sete atualizações introduzidas no W17 não surtiram o efeito esperado. Na tentativa de entender o que de fato aconteceu, a equipe decidiu então competir em Singapura com duas configurações diferentes do carro: George Russell assumiu a versão antiga, com a qual ele correu — e venceu — até o GP do Azerbaijão, enquanto Andrea Kimi Antonelli seguiu com o modelo apresentado em Sepang, agora com o acréscimo também de uma nova asa dianteira.

Como resultado, o britânico terminou a classificação sprint na segunda posição, 0s573 mais rápido do que o italiano, que garantiu apenas o sétimo lugar. “O carro é muito difícil mesmo, muito imprevisível, é muito complicado conseguir acertar uma volta. É uma pena, porque vim com grandes expectativas, mas até agora tem sido muito difícil”, lamentou o líder do campeonato após as atividades desta sexta-feira.

Mas será que as atualizações são realmente um fracasso completo ou a equipe que ainda não as entendeu? Bem, até aqui a versão anterior provou ser mais equilibrada, com melhor desempenho tanto nos setores de curvas quanto nos de reta, que até então eram a grande força da Mercedes. Em uma pista com asfalto tão sujo e de baixa aderência, a estabilidade se torna um fator ainda mais importante, o que pelo menos serve de consolo para Russell em Singapura.

Ainda há muita coisa para acontecer neste fim de semana, incluindo uma sprint logo no começo deste sábado, quando novos indicativos devem surgir.

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George Russell foi o mais rápido da Mercedes com a versão antiga do carro (Foto: Pirelli)

Quando as atualizações vão funcionar?

Essa provavelmente é a pergunta que todos estão se fazendo a respeito da Audi. A equipe alemã apresentou um carro completamente novo no GP do Azerbaijão, com nada menos que 14 atualizações, e até agora ninguém viu resultado. Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg vão discordar, já que ambos deixaram claro durante as entrevistas de quinta-feira que as melhorias surtiram, sim, o efeito esperado.

Bem, isso não foi percebido nem em Baku e nem em Sepang, apesar das condições adversas na Malásia. Para este fim de semana, esperava-se que o R26 fosse superior à Alpine, pelo menos, na briga pelo pelotão intermediário. Isso porque a escuderia de Pierre Gasly e Franco Colapinto sempre apresentou dificuldades em traçados sinuosos como o de Marina Bay, situação oposta à da Audi, que sempre contou com a boa aerodinâmica do carro para sobressair nessas situações.

E a Alpine foi citada porque a outra grande rival da chamada ‘F1 B’, a Racing Bulls, realmente costuma se sair bem em todo lugar, então seria injusto apontá-la aqui. De qualquer forma, o SQ1 da classificação sprint criou uma expectativa boa, com Hülkenberg em quinto e Bortoleto em 11º, só que tudo desandou na fase seguinte, com os dois ficando pelo caminho.

Vamos ver se a Audi tira proveito dos dados coletados nesta sexta-feira e na sprint de sábado para evoluir, pensando já na classificação principal do GP de Singapura. A equipe mostrou outras vezes que possui essa capacidade, mas está na hora de provar que essas atualizações realmente funcionam.

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Gabriel Bortoleto e Audi tiveram dificuldades novamente em Singapura (Foto: Pirelli)

Mais uma patacoada da FIA

Depois de toda a questão com o software dos carros na semana passada, que atrasou a largada do GP do Bahrein na Malásia em 45 minutos mesmo após a chuva ter se dissipado, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) voltou a se colocar no centro das atenções durante a classificação sprint de Singapura. Além do problema de cronometragem, que não teve qualquer impacto no resultado, a entidade veio a público admitir um erro humano que poderia ter gerado uma situação mais séria.

Isso porque o Modo Ultrapassagem apresentou falhas no momento em que os carros voltaram à pista após a paralisação causada por Sergio Pérez, ainda no SQ1. Na volta da bandeira verde, o boost estava indisponível, mas voltou a ser acionável instantes depois, apenas por 27s. Logo em seguida, foi desativado outra vez. Como resultado, alguns pilotos tiraram proveito da potência extra nos setores de reta enquanto os demais não possuíam a carga elétrica total à disposição.

“Por algum motivo, a FIA, assim como aconteceu na Malásia, não optou por garantir condições esportivas iguais para todos e aceitou que metade dos carros disputasse a classificação com mais potência do que a outra metade. Fico um pouco confuso com o fato de a categoria continuar adotando critérios diferentes dependendo de quem é eliminado no Q1 ou de quem fica de fora já na primeira volta”, bradou Carlos Sainz.

No fim das contas, por sorte da FIA, foi constatado que o erro não interferiu no resultado do SQ1 — ou seja, avançou quem teve capacidade para avançar e ponto final. Mesmo assim, algo inaceitável.

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A FIA deixou alguns carros com menos potência do que outros (Foto: AFP)

Discordância mais do que esperada

Já era esperado que as principais equipes do grid não concordassem com a ideia de James Vowles de promover mudanças no modelo atual do teto orçamentário. O chefe da Williams apontou a injustiça do sistema, levando em conta estruturas e recursos das forças do top-4, e reclamou bastante do desequilíbrio que existe na F1. Para amenizar o problema, destacou que os times da parte de baixo deveriam ter uma margem maior de gastos de acordo com a posição no Mundial de Construtores.

Toto Wolff, da Mercedes, comparou a ideia ao Balanço do Performance (BoP) e rejeitou qualquer mudança radical, assim como Zak Brown, que explicou como a McLaren cresceu nos últimos anos mesmo sem ter as melhores ferramentas da categoria. A terceira pessoa a discordar foi Alan Permane, da Racing Bulls, que provavelmente seria favorável caso a própria equipe fosse independente da Red Bull. Como não é o caso, contenta-se em lutar pelo quinto lugar todos os anos.

Claro que cada um briga pelos próprios interesses, assim como Vowles também está fazendo — e não há nada de errado nisso. A questão é que os números levantados pelo chefe da Williams são plausíveis e merecem atenção pelo bem da F1. A adoção do teto orçamentário em 2021 foi um baita acerto, porque deixou o esporte financeiramente saudável e valorizou as próprias equipes. O grande equilíbrio visto neste momento, no primeiro ano de um novo regulamento, também é fruto desse mecanismo.

Mas as equipes de trás também precisam crescer, porque isso é importante para mantê-las no esporte. É até possível fazer isso sob o modelo atual, mas vai levar um tempo considerável. Então há alguma forma de a F1 satisfazer a todas? Bem, nenhuma delas vai estar completamente satisfeita algum dia, porém a categoria pode, sim, optar por ajustes mais sutis que não pareçam injustos para ninguém. A reunião da Comissão da F1 em novembro pode apresentar boas alternativas. A ver.

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Nem todos estão de acordo com mudanças no teto orçamentário (Foto: AFP)

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de Singapura, 17ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Horários do GP de Singapura da F1 2026

O GP de Singapura acontece de 9 a 11 de outubro, em Marina Bay, com treino livre, classificação da sprint, sprint, classificação e corrida.

DiaSessãoBrasilPortugalAngolaCabo VerdeMoçambique
Sábado, 10/10Sprint6h10h10h8h11h
Sábado, 10/10Classificação10h14h14h12h15h
Domingo, 11/10Corrida9h13h13h11h14h

Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.