A Federação Internacional de Automobilismo divulgou nota, nesta sexta-feira (17), para esclarecer o controverso artigo 12.2.1.n. do Código Esportivo Internacional, que proíbe “declarações políticas, religiosas e pessoais” sem aprovação prévia da entidade. No fim do ano passado, o órgão publicou uma versão atualizada da regra, o que gerou reações negativas em figuras importantes da comunidade do esporte a motor. Agora, a FIA explicou que se trata de uma orientação ao ‘Princípio da Neutralidade’ do próprio regulamento.

Ao detalhar o texto, o comunicado ressaltou como a regra será aplicada, quais são as situações proibidas e como será o processo de aprovação das manifestações. Quanto às punições previstas, a FIA não trouxe exemplos claros, alegando apenas que as possíveis sanções serão julgadas por comissários e que podem incluir multas, advertências, perda de posição no grid, suspensão e até mesmo a exclusão da categoria.

“Os participantes de Competições Internacionais fazem parte de uma comunidade global com diferentes visões, estilos de vida e valores”, disse a nota. “Para garantir o respeito a essa diversidade, é fundamental que o esporte a motor permaneça neutro e, portanto, separado e livre de interferências políticas, religiosas ou pessoais.”

Heptacampeão mundial, Lewis Hamilton é uma das vozes mais ativas da F1. O inglês ganhou notoriedade por ações contra o racismo e a busca por diversidade no esporte (Foto: Mercedes)

Em linhas gerais, a FIA esclareceu que os pilotos podem expressar suas opiniões “fora do escopo das competições internacionais” em redes sociais, entrevistas para imprensa credenciada e durante as conferências de imprensa realizadas pela FIA. No entanto, é importante destacar que, neste último evento, a opinião deve ser emitida apenas a partir de perguntas diretas feitas por jornalistas credenciados.

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Em contrapartida, os pilotos ficam proibidos de manifestar suas opiniões em atividades na pista ou áreas equivalentes, como durante o desfile dos pilotos e o hino nacional. Tal ação também não é permitida durante procedimentos de pré-corrida, como fotos do grupo de pilotos ao início da temporada, e pós-corrida, incluindo o pódio e a sala na qual os três primeiros colocados permanecem antes da cerimônia.

Outros dois pontos controversos, e que geraram muitas dúvidas, se referem à definição de declarações pessoais e políticas. Ainda segundo a FIA, as declarações pessoais nada mais são do que “qualquer circunstância pessoal do participante”. Nesse sentido, “os competidores não devem usar os eventos como plataforma para compartilhar declarações pessoais de qualquer tipo que violem o princípio geral da neutralidade”.

Por sua vez, as declarações políticas se referem a “vínculos com partidos políticos ou pessoas, governos e movimentos locais, regionais, nacionais ou internacionais”.

Protestos contra o racismo que marcaram a temporada 2020 precisariam de autorização prévia na nova regra (Foto: Reprodução)

Manifestações religiosas não estão proibidas

Outra polêmica do artigo 12.2.1.n. se refere a desaprovação quanto a declarações religiosas por parte dos pilotos. Segundo a FIA, os pilotos estão proibidos de “qualquer crítica ou ato hostil às crenças religiosas ou espirituais de outras pessoas”.

Esse cenário, entretanto, não impede a manifestação de suas crenças, bem como de “gestos religiosos privados e sem proselitismo, como apontar para o céu ou fazer o sinal da cruz”. Roupas e ornamentos religiosos também não são alvos de veto.

Como os pilotos podem solicitar aprovação da FIA

A entidade informou que as solicitações de aprovação devem ser enviadas por escrito, quatro semanas antes do evento. Os documentos serão analisados “caso a caso” e, se a permissão for concedida, seria restrita aos dias da corrida em questão.

A temporada 2023 da Fórmula 1 começa no dia 5 de março, com o GP do Bahrein. E cobertura completa do GRANDE PRÊMIO.