A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) aprovou nesta quinta-feira (23) uma mudança estatutária que extingue o limite de mandatos para o cargo de presidente da entidade. A proposta, apresentada pelo atual mandatário, Mohammed Ben Sulayem, recebeu mais de 90% dos votos favoráveis durante assembleia-geral realizada em Macau e abre caminho para que o dirigente permaneça no comando da federação além do antigo teto de 12 anos.
As informações são do portal inglês BBC Sport. A alteração elimina uma regra implementada durante a gestão de Jean Todt, sucessor de Max Mosley, que ocupou o cargo entre 1993 e 2009. Atualmente, ainda existe uma restrição de idade de 70 anos para candidatos à presidência, que será a próxima barreira que Ben Sulayem tentará derrubar. Aos 64 anos, o emiradense só poderia se reeleger mais uma vez caso o limite etário não seja extinto.
Caso obtenha sucesso na empreitada, Ben Sulayem — que foi reeleito para o segundo mandato em dezembro de 2025 — passa a poder disputar quantos mandatos desejar.
Além do fim da limitação, os membros da FIA aprovaram mudanças no processo eleitoral. Entre elas, a exigência de que futuros candidatos demonstrem experiência prévia em órgãos da federação ou em entidades filiadas. Também foi ampliado de 49 para 100 dias o prazo-limite de apresentação das chapas presidenciais e respectivas listas de vice-presidentes. As alterações tendem a dificultar o surgimento de adversários na próxima corrida presidencial.
A FIA justificou as mudanças afirmando que a medida busca uniformizar as regras de permanência em cargos da entidade. O mesmo pacote de alterações também extinguiu limites de mandato em outros órgãos internos.
A federação argumenta que modelos semelhantes são utilizados em outras organizações esportivas, citando o caso de Roger Goodell, que ocupa o comando da NFL desde 2006 — período em que a liga de futebol americano “se transformou em uma marca global e apresentou uma governança fora do comum”, segundo um porta-voz da FIA.

Ainda que tenham sido aprovadas com ampla maioria, as propostas sofreram fortes críticas antes mesmo de irem à votação. Dias antes da assembleia, Robert Reid — ex-vice presidente esportivo da FIA e um dos principais críticos ao atual mandatário — foi às redes sociais expor preocupações com a governança da entidade.
O escocês reconheceu que os limites de mandato não garantem boa administração, mas criam mecanismos importantes de renovação. Além disso, também fez questionamentos às novas exigências para candidatos à presidência.
“O limite de mandatos não é uma proteção perfeita. Não garante boa governança, nem evita julgamentos malfeitos. Mas cria um ponto no qual uma renovação precisa acontecer. Também é um mecanismo que recorda que cargos são temporários, que legitimidade precisa ser revigorada e que nenhum indivíduo deve se tornar estruturalmente indispensável”, afirmou Reid.
“As regras de elegibilidade são um problema diferente, mas interligado. Um candidato à presidência claramente deve entender a FIA. Credibilidade, seriedade e experiências relevantes importam, pois nenhuma entidade responsável quer um processo eleitoral exposto a candidatos sem condições de governá-la. Mas a formulação dessa elegibilidade é importante”, seguiu.

“Se um padrão claro não for definido, o poder fica na mão de quem já o detém. A exigência de experiência pode se tornar um julgamento de aceitação. O que era para ser uma garantia contra candidatos sem seriedade pode se tornar uma barreira contra figuras inconvenientes a quem está no poder. Essa é a preocupação. A proposta atual requer que qualquer interessado em concorrer tenha experiência significativa na FIA, mas o julgamento sobre isso segue sendo da própria entidade, que teve uma eleição recente contestada. Esse não é um detalhe irrelevante de redação, é um ponto de convergência entre processo e poder”, disse.
Ao citar a contestação, Reid faz referência ao processo movido por Laura Villars questionando os regulamentos da entidade, que a impediram — assim como Tim Mayer e Virginie Philippot — de concorrer contra Ben Sulayem pelo cargo em 2025. O julgamento da justiça francesa estava marcado para novembro, mas foi adiado — o que abriu caminho para reeleição do emiradense. O caso até hoje não teve resolução.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 08:30 | 10:30 | 12:30 | 13:30 |
| Treino livre 2 | 12:00 | 14:00 | 16:00 | 17:00 |
| Treino livre 3 | 07:30 | 09:30 | 11:30 | 12:30 |
| Classificação | 11:00 | 13:00 | 15:00 | 16:00 |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
*Horário de Brasília
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