Se a relargada após a segunda bandeira vermelha causou uma verdadeira confusão no GP da Austrália da Fórmula 1, a intervenção do safety-car ainda no início da corrida após a batida de Alex Albon também não ficou atrás. Tanto que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) já considera uma revisão no regulamento para evitar cenas como a quase batida coletiva quando o safety-car estava na pista.
Na caótica corrida em Albert Park, Albon perdeu a traseira do seu Williams na volta 8 e bateu com força na curva 6. Imediatamente, a direção de prova acionou a bandeira vermelha para a limpeza do trecho, e o carro de segurança entrou na pista, como parte do procedimento padrão.
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Lewis Hamilton, então na liderança, diminuiu o ritmo como de costume. Só que George Russell, que voltava dos boxes e vinha em alta velocidade para compensar a distância, foi surpreendido e precisou frear bruscamente, quase desencadeando outro acidente — Sergio Pérez por pouco foi acertado por Guanyu Zhou, enquanto Logan Sargeant precisou reagir rápido para não bater em Valtteri Bottas e Kevin Magnussen teve de desviar para a brita para evitar a colisão.
Os comissários chegaram a colocar o acontecimento sob investigação, mas entenderam que não houve culpados. Depois, em comunicado, deram mais detalhes sobre a decisão. “Quando Russell e os carros de trás alcançaram os da frente, acabaram se deparando com um delta de velocidade significativo entre os dois grupos, o que provocou uma situação em que vários carros tiveram de tomar atitudes evasivas.”
“Não era uma situação ideal do ponto de vista da segurança. Apesar do recomeço de Russell ter sido lento, já que ele teve de manter a velocidade do pit-lane até sair dos boxes, acelerando imediatamente na sequência para compensar a diferença, não consideramos que seria necessário ou adequado puni-lo pela partida lenta do pit-lane. Portanto, não tomamos nenhuma ação adicional”, completaram.
A confusão, no entanto, envolve o artigo 58.8 do Regulamento Esportivo, que estabelece que o líder permaneça a até dez carros do safety-car antes da relargada. Quando as equipes são avisadas de que haverá o recomeço da corrida, as luzes do carro de segurança se apagam, e é aí que o piloto que está na liderança pode, então, abrir uma distância maior — exatamente o que aconteceu no início da volta.
O artigo 58.11 diz o seguinte: “Neste caso, o primeiro carro da fila atrás do safety-car pode ditar o ritmo e, se necessário, abrir uma distância maior que dez (10) carros atrás dele.”
“Vamos considerar que parte do problema é o regulamento permitir que o carro da frente estabeleça o ritmo quando a relargada é a partir do pit-lane (ao contrário de uma largada em movimento)”, declararam os comissários. “Talvez isso seja analisado no futuro para ver se é o mais apropriado em relargadas dessa natureza”, concluíram.