A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) respondeu às críticas dos pilotos sobre o regulamento técnico da Fórmula 1 2026 e afirmou que já previa boa parte dos problemas antes mesmo do início da temporada. Segundo a entidade, no entanto, as mudanças desejadas acabaram barradas pela falta de consenso entre as fabricantes de unidades de potência.

Em entrevista ao site The Race, Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, explicou que a entidade identificou com antecedência diversas dificuldades apontadas pelos pilotos ao longo da temporada. No entanto, ressaltou que o atual modelo de governança impediu a implementação das alterações propostas antes da estreia do novo regulamento.

Como parte do acordo firmado entre FIA, Fórmula 1 e montadoras para a introdução das regras de 2026, qualquer mudança nas unidades de potência dependia da aprovação da entidade, da Formula One Management (FOM) e de pelo menos quatro das cinco fabricantes envolvidas no projeto.

“Acredito que os pilotos são, por definição, clientes bastante exigentes. Portanto, não esperamos que eles suavizem as palavras ou deixem de dizer o que pensam. Previmos muitas das questões apontadas por eles nos dois anos anteriores ao início da temporada e tentamos fazer alguns ajustes. No entanto, o sistema de governança vigente impediu que tivéssemos sucesso. Assim, creio que essa reação toda era esperada”, afirmou.

Nikolas Tombazis rebateu críticas de pilotos sobre problemas no regulamento da F1 (Foto: AFP)

Tombazis explicou que a falta de consenso entre as montadoras inviabilizou qualquer alteração relevante antes da entrada em vigor das novas regras.

“Qualquer mudança precisava ser aprovada por um número significativo de fabricantes de unidades de potência. Para o tipo de alteração que realizamos, precisávamos da concordância de pelo menos quatro delas, e isso nunca aconteceu durante os anos em que discutimos esses ajustes”, ressaltou.

Após as primeiras etapas da temporada, a Fórmula 1 adotou uma série de medidas emergenciais para reduzir os problemas de gerenciamento de energia, implementadas a partir do GP de Miami.

Além disso, FIA e fabricantes concordaram em alterar a divisão nominal da potência entre o motor de combustão interna e o sistema elétrico, abandonando a proporção de 50% para cada componente em favor de uma distribuição de 60% para o motor a combustão e 40% para a parte elétrica até o fim do ciclo regulamentar, em 2028. Apesar do acordo, Tombazis lamentou que as mudanças tenham sido aprovadas apenas após o início da temporada 2026.

“Acho uma pena termos esperado tanto. Discutimos essas questões em maio para definir o pacote de 2027 e 2028. Creio que, idealmente, poderíamos ter feito isso alguns anos antes. Assim, não teríamos passado por toda essa discussão”, concluiu.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.