Momentos de revoluções técnicas na Fórmula 1, como vemos em 2026, sempre oferecem oportunidades de mudanças a ordem de forças do grid. E uma das equipes que melhor se preparou para este momento foi a Haas. Dois anos após buscar uma liderança mais voltada para a parte técnica e trocar o falastrão Günther Steiner pelo discreto Ayao Komatsu, o time americano começa a colher os frutos dessa mudança de rota e tenta buscar a estabilidade necessária para se consolidar como principal força fora do grupo das ‘quatro grandes’ — Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull.
A estreia da Haas na F1, em 2016, foi surpreendente. Com forte parceria técnica com a Ferrari e um modelo operacional enxuto, rapidamente mostrou competitividade e se colocou entre os times capazes de pontuar — feito que conseguiu logo na primeira corrida, com Romain Grosjean. Nos primeiros anos, foi figura constante no pelotão intermediário e, em meio ao já tradicional sobe e desce da ‘F1 B’, o auge veio em 2018, quando terminou o Mundial de Construtores em quinto lugar.
Mas a trajetória nunca foi linear. Problemas de desenvolvimento, dificuldades financeiras por relações conturbadas com patrocinadoras — incluindo golpe recebido pela Rich Energy e rompimento com a Uralkali pela invasão da Ucrânia por parte da Rússia — e escolhas, no mínimo, questionáveis de pilotos mergulharam o time em um longo ciclo de instabilidade. E Steiner foi o rosto dessa era.
Carismático e sem muitas papas na língua, ganhou projeção junto ao público da F1 graças à série “Drive to Survive”. Ainda assim, a sensação era de que lhe faltava capacidade de dar refinamento à equipe e comandar reações mais rápidas às oscilações de desempenho, fatores que levaram a Haas ao fundo do poço em 2021, quando passou o campeonato inteiro sem marcar um ponto sequer.

Após mais dois anos lutando — sem muito sucesso — para sair da rabeira, a mudança veio em 2024, quando Komatsu assumiu o comando. Engenheiro de longa trajetória na categoria e profundo conhecedor da estrutura — chegou à Haas no início do projeto, vindo da Lotus, como engenheiro de corrida e ascendeu até diretor de engenharia —, o japonês foi escolhido para impor uma liderança centrada em processos, organização técnica e comunicação mais direta entre fábrica e pista.
A diferença foi evidente e os primeiros resultados não demoraram a aparecer. Logo na primeira temporada sob novo comando, a Haas ficou no sétimo lugar no Mundial de Construtores, com 58 pontos — maior marca desde o já citado quinto lugar de seis anos antes. Em 2025, caiu uma posição, é verdade, mas isso é fruto muito mais da maior competitividade do grid do que por uma própria queda de desempenho, já que somou 79 tentos — 21 a mais que na campanha anterior.
Se a operação evoluiu com a nova filosofia, o mesmo tinha de se aplicar na escolha dos pilotos. Após perder Nico Hülkenberg — seduzido pela oportunidade de liderar o projeto da Audi na F1 —, a equipe decidiu também abrir mão de um Kevin Magnussen que já não tinha mais o que oferecer e fazia hora extra no grid. Para o lugar deles, trouxe Esteban Ocon, que estava de saída da Alpine, e Oliver Bearman, talentoso produto da Academia de Jovens Pilotos da Ferrari que havia impressionado em três aparições como reserva em 2024 — duas pela própria Haas e uma pelo time italiano.
A decisão começou a render frutos logo de cara, com ambos pontuando regularmente nas primeiras etapas. A experiência de Ocon o ajudou a garantir alguns pontos mesmo quando a Haas já parecia não ser a mais rápida entre os times do meio do pelotão. No terço final do campeonato, todo o talento de Bearman desabrochou e o britânico terminou cinco das últimas sete corridas na zona de pontuação, com direito a um quarto lugar no GP da Cidade do México. Curva de desempenho oposta à do francês, que terminou o ano em baixa e atrás do companheiro no Mundial de Pilotos.

Ser superado por um colega de equipe novato jogou pressão sobre Ocon. Komatsu foi implacável ao dizer que esperava mais do francês, deixando claro que o momento é outro. Agora, a equipe americana não irá mais passar pano para atuações medíocres dos pilotos por causa de nome, bagagem ou apoio de patrocinadores. O que vai garantir continuidade será a entrega de resultados que condizem com o patamar almejado.
Além dessa mudança de chave, a Haas ainda tem outro trunfo para dar o salto que tanto almeja na F1: a parceria técnica com a Toyota. Vigente desde 2024, o relacionamento permitiu ao time americano ter mais recursos para realizar testes, ampliar o corpo técnico e construir o próprio simulador, que estreia este ano — ausência estrutural que, segundo Komatsu, dificultava o progresso na pista. Em 2026, os laços se estreitaram, e a equipe passa a se chamar oficialmente TGR Haas F1 Team, incorporando a sigla da divisão de corridas da montadora japonesa.
Todos esses fatores contribuíram para que o time de Kannapolis tenha sido um dos que mais chamou atenção na pré-temporada deste ano. Mesmo com leve instabilidade nas curvas, o VF-26 indicou ser um carro com muito potencial e capaz de oferecer condições a Bearman e Ocon brigarem regularmente por Q3 em classificações e pontos nas primeiras corridas do ano.
Equipes do pelotão intermediário podem estar mais sujeitas a sofrer em transições radicais, mas a Haas chega ao novo ciclo com estrutura organizada, liderança técnica clara e uma dupla de pilotos capaz de contribuir ativamente. Sob o comando de Komatsu, a meta agora é clara: deixar de lutar apenas por oportunidades isoladas e tornar-se uma força real no pelotão intermediário — e, se possível, liderá-lo.
A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 8 de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP da Austrália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Treino livre 2 | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Treino livre 3 | 22:30 | 0:30 | 02:30 | 03:30 |
| Classificação | 02:00 | 04:00 | 06:00 | 07:00 |
| Corrida | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
*Horário de Brasília
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