Ainda que esteja feliz com a decisão da Fórmula 1 de finalmente retornar à África a partir da temporada 2030, Lewis Hamilton admitiu que possui sentimentos mistos em relação ao fato de Ruanda ter sido escolhida como sede da corrida. O heptacampeão mundial, que sempre se posicionou fortemente sobre questões políticas, sociais e raciais, aproveitou a oportunidade para chamar atenção para outras situações complicadas ao redor do mundo.
Após o anúncio oficial do GP da África, a República Democrática do Congo, por meio de Thérèse Kayikwamba Wagner, ministra das Relações Exteriores, criticou duramente a escolha de Ruanda. Isso porque os dois países começaram um conflito em 2022, marcado pela escalada militar e verbal de ambos os lados, provocando crescentes tensões políticas desde então.
Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) e investigações internacionais apontam que Ruanda apoia diretamente o M23 — Movimento 23 de Março —, grupo rebelde armado que atua no leste da RDC. Embora Estados Unidos, Catar e a União Africana, organização intergovernamental que reúne 55 Estados-membros do continente, tenham mediado um acordo de paz em 2025, muitas cláusulas não foram respeitadas.
“É claro que não cabe a mim escolher para onde vamos. Hoje, há problemas em todas as partes do mundo, então acompanhei muitas das notícias. Mas acho que precisamos abordar essa questão com humildade. Há muita coisa que não sabemos”, começou Hamilton na entrevista coletiva desta quinta-feira (22) em Austin.
“Quando cresci na Inglaterra, nunca me ensinaram nada sobre a África. Isso deveria fazer parte do currículo escolar. Muitos dos problemas que o continente enfrenta ainda são consequência do colonialismo e da interferência do Ocidente. Mas, quando você vai até lá e conhece as pessoas, percebe que muitas das criações que vemos hoje em grandes marcas têm origem na África. O continente possui alguns dos recursos naturais mais valiosos do mundo”, seguiu.
“Espero muito — e ainda tenho esperança — que a África se una. Sei que há muitas pessoas que não querem que isso aconteça, porque, se os países africanos se unissem, teriam um poder enorme. Mas continuo esperançoso de que isso aconteça em algum momento”, acrescentou.

“E, claro, ir até lá não significa ignorar os problemas que acontecem no continente. Espero que mais pessoas comecem a se informar um pouco melhor sobre o que está acontecendo por lá e sobre tudo o que aconteceu ao longo de centenas de anos. Espero que isso ajude a iniciar esse debate.”
“E acho que vou encerrar com o seguinte: precisamos continuar pressionando pela libertação do Congo, do Sudão, da Síria e da Palestina. Espero que, em algum momento, consigamos alcançar um mundo com muito mais paz”, concluiu Hamilton.
A Fórmula 1 volta de 23 a 25 de outubro em Austin, com o GP dos Estados Unidos. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da 18ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Horários do GP dos Estados Unidos da F1 2026
O GP dos Estados Unidos acontece de 23 a 25 de outubro, em Austin, com treinos livres, classificação e corrida.
| Dia | Sessão | Brasil | Portugal | Angola | Cabo Verde | Moçambique |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Sexta, 23/10 | Treino livre 1 | 14h30 | 18h30 | 18h30 | 16h30 | 19h30 |
| Sexta, 23/10 | Treino livre 2 | 18h | 22h | 22h | 20h | 23h |
| Sábado, 24/10 | Treino livre 3 | 14h30 | 18h30 | 18h30 | 16h30 | 19h30 |
| Sábado, 24/10 | Classificação | 18h | 22h | 22h | 20h | 23h |
| Domingo, 25/10 | Corrida | 17h | 21h | 21h | 19h | 22h |
Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.