A Fórmula 1 anunciou na última terça-feira (15) o acordo de dez anos com Ruanda, que passa a integrar o calendário da categoria a partir da temporada 2030 para receber o GP da África. A decisão não agradou a República Democrática do Congo, que acredita que etapa em solo ruandês seja “moralmente indefensável”.

Os dois países começaram um conflito em 2022, marcado pela escalada militar e verbal de ambos os lados, provocando crescentes tensões políticas desde então. Thérèse Kayikwamba Wagner, ministra das Relações Exteriores do país, já chegou a enviar uma carta ao CEO da F1, Stefano Domenicali, pedindo para que a categoria rejeitasse correr em Ruanda. Após o acordo ser concretizado, a política voltou a fazer críticas.

“Em fevereiro de 2025, alertei Stefano Domenicali e as autoridades da F1 de que permitir que Ruanda sediasse um GP seria moralmente indefensável”, afirmou Kayikwamba Wagner em um comunicado.

“A República Democrática do Congo saúda o retorno da Fórmula 1 à África, mas dar a Paul Kagame [presidente de Ruanda] essa plataforma ajudaria a promover a imagem de um líder autoritário cujo governo contribuiu para alimentar uma guerra devastadora em nosso país”, salientou.

Ministra das Relações Exteriores criticou GP em Ruanda (Foto: F1)

Kayikwamba Wagner, que apoia os esforços da África do Sul para receber uma prova da categoria, ressaltou que a F1 deve exigir garantias de que o dinheiro para Ruanda sediar o GP não esteja relacionado a conflitos ou exploração de recursos congolenses.

“Esta também é uma oportunidade para a F1 mostrar ao público o que o esporte realmente representa. Deve exigir garantias confiáveis e independentes de que nenhum dinheiro usado para sediar a corrida provenha de minerais ligados a conflitos ou da exploração dos recursos congoleses”, enfatizou.

A F1 oficializou o retorno ao continente africano após 37 anos. A adição de Ruanda fará com que a F1 visite cinco continentes — América, Ásia, África, Europa e Oceania. O objetivo é realizar a corrida em um autódromo construído a cerca de 40 km de Kigali, capital do país, e próximo ao Aeroporto Internacional de Bugesera.

A nova pista — a 79ª da história da F1 — será desenvolvida de acordo com os padrões Grau 1 da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), como parte de um projeto mais amplo de desenvolvimento esportivo, turístico, de infraestrutura e comercial liderado pelo Rwanda Development Board.

Com as atividades do GP de Singapura concluídas, a Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.