Lando Norris voltou a falar sobre os carros de 2026 e esmiuçou o que lhe causa desagrado. O britânico da McLaren apontou que, apesar de mais desafiadores e divertidos de pilotar, os novos modelos da Fórmula 1 ainda apresentam problemas, especialmente no gerenciamento da unidade de potência, além de destacar as mudanças em relação ao ano passado são profundas e exigem adaptação dos pilotos.

A F1 entrou em nova era técnica em 2026, com carros mais leves e com menor carga aerodinâmica, o que alterou significativamente o comportamento na pista. Mas o grande ponto de discussão tem sido a parte elétrica das unidades de potência, que agora possui uma influência de aproximadamente 50%.

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No entanto, a bateria não suporta uma volta inteira com o pé cravado e, para recuperar energia, os pilotos perdem velocidade em diferentes trechos da pista, o que proporciona algumas ultrapassagens, mas também coloca em risco a segurança — como foi o caso do acidente de Oliver Bearman no GP do Japão. É exatamente esse ponto que desagrada Norris, que gostaria que os pilotos tivessem maior controle sobre os propulsores.

“Já disse antes que não é o carro que tem me incomodado, mas sim a parte de trás dele, a unidade de potência. Tive uma situação no Japão em que o uso da bateria foi acionado, mesmo sem querer, e isso me fez ultrapassar Lewis. Isso significou que, na reta seguinte, fiquei completamente vulnerável, justamente quando queria usar a bateria”, recordou.

“Para mim, isso tira controle demais do piloto, mas sei que FIA e todos os envolvidos estão analisando isso. Tivemos um bom diálogo com sobre o tema, então estou confiante de que algo será feito até Miami”, seguiu.

As cinco semanas entre as provas em Suzuka e Miami estão sendo marcadas por muitas conversas para chegar a um consenso por ajustes nas regras — ainda que as notícias mais recentes não sejam tão animadoras. Isso porque, de acordo com o portal italiano AutoRacer, há um impasse entre Federação Internacional de Automobilismo (FIA), favorável à redução da potência máxima do MGU-K, e Liberty Media, grupo responsável pela F1, que teme pelo lado comercial.

Mesmo com a insatisfação em relação aos motores, Norris destacou pontos positivos dos novos carros. O atual campeão comparou com os modelos utilizados até 2025 e avaliou que os carros atuais estão muito mais no limite e permitem maior influência do piloto no desempenho.

“No ano passado, tínhamos muito downforce, carros que realmente pareciam estar sobre trilhos quando ajustados corretamente, e uma sensação de velocidade infinita. Porém, quando se perdia aderência, não tinha jeito — você perdia tempo ou ia parar na brita. Isso podia ser frustrante, porque parecia que o piloto não podia fazer tanta diferença sozinho, já que era necessário depender do carro e permanecer dentro dos limites dele”, explicou.

Apesar das críticas ao motor, Lando Norris elogiou novo carro da F1 (Foto: McLaren)

“Este ano, os carros têm muito menos downforce e estão muito mais no limite. É mais fácil controlar derrapagens, e a menor aderência torna o carro muito mais divertido de pilotar. Como carro, estou gostando de guiá-los — me lembram alguns que pilotei nas categorias de base, e digo isso como um grande elogio, porque você sente que pode fazer diferença”, emendou.

Por fim, ressaltou que, apesar das críticas, o momento da categoria é positivo do ponto de vista do espetáculo. Norris afirmou que os fãs têm aprovado as corridas e reforçou a necessidade de reduzir elementos artificiais para preservar a essência das disputas.

“Um ponto importante é que ficamos felizes que estejam gostando das corridas, porque somos um esporte de entretenimento. Os fãs querem ver disputas na pista e carros no limite. Precisamos evitar elementos artificiais sempre que possível, mas não estamos longe de atingir isso e ter uma era muito empolgante”, finalizou.

A Fórmula 1 entrou em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna no fim de semana de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.

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