Diretor-técnico da McLaren, Mark Temple revelou que a equipe reuniu um grupo de profissionais para focar exclusivamente em como extrair mais desempenho da unidade de potência da Mercedes. O engenheiro britânico ainda explicou como funciona a dinâmica de trabalho ao lado da High Performance Powertrains (HPP), a divisão de motores da fornecedora alemã, em cada fim de semana de Fórmula 1.
Com falta de ritmo nas primeiras etapas da temporada 2026, Andrea Stella chegou a reclamar publicamente da ausência de informações fornecidas pela escuderia liderada por Toto Wolff. Embora tenha colocado panos quentes na situação semanas depois, o dirigente italiano voltou a adotar um tom mais combativo após a vitória de George Russell no GP da Áustria, em junho, deixando claro que a discrepância de velocidade entre os dois carros “levantava questões”.
Importante destacar que é natural que existam diferenças de desempenho entre equipes de fábrica e as respectivas clientes no início de um novo ciclo regulatório. Alpine e Williams, por exemplo, que competem com motor Mercedes, também apresentam dificuldades para extrair todo o potencial do equipamento. Mas é claro que a McLaren se posiciona bem acima dessas duas rivais, competindo diretamente contra os prateados de Brackley na briga do top-4.
Por isso, para não ver Lando Norris e Oscar Piastri muito atrás de Andrea Kimi Antonelli e Russell, Temple afirmou que os papaias criaram uma força tarefa para interpretar a unidade de potência da melhor forma possível. “Há novas funções. Agora temos uma equipe dedicada ao desempenho da unidade de potência, algo que não existia antes”, começou em entrevista ao site oficial da equipe.
“Ela está focada em entender como extrair o máximo da unidade de potência. O grupo analisa os dados de pista e trabalha em conjunto com a engenharia de corrida, mas também utiliza nosso simulador e ferramentas de análise offline para maximizar o desempenho. É, sem dúvida, um novo conjunto de competências e uma nova forma de trabalhar, porque são aspectos com os quais realmente não precisávamos nos preocupar antes”, acrescentou.
O engenheiro explicou que, ainda que a McLaren tenha voz sobre o que deseja do projeto, a palavra final permanece com a Mercedes. Desta forma, falou como o novo grupo de trabalho precisa reagir da melhor maneira possível às condições que lhe são entregues, detalhando até a colaboração com a HPP em cada fim de semana.

“Parte disso vem do quanto de influência você tem sobre o projeto e a instalação. Temos uma participação considerável nesse processo, mas, no fim das contas, a Mercedes, junto com a HPP, tem a palavra final sobre o que será feito. Isso não significa que somos ignorados — apenas que não somos nós que temos o controle total”, pontuou.
“A forma como a HPP trabalha em um fim de semana de corrida envolve uma equipe principal e equipes de suporte aos clientes. Trabalhamos muito próximos da nossa equipe de suporte e temos um bom relacionamento com as pessoas do programa principal. A partir disso, conseguimos exercer influência sobre o que acontece nesse programa, mas não temos garantias de que eles aceitarão as solicitações que fazemos”, seguiu.
“Estamos um pouco fora do núcleo principal nesse aspecto, trabalhando em um fluxo paralelo que alimenta o programa. Isso significa que nem sempre recebemos as configurações que gostaríamos ou que seriam mais adequadas para nós. O mesmo vale para o cronograma. Na preparação para uma corrida, recebemos informações da HPP, mas há decisões e evoluções das quais não participamos. Quando descobrimos exatamente o que teremos à disposição, muitas vezes já não há muito tempo para reagir e responder. Por isso, parte do que estamos tentando fazer neste ano é desenvolver e aprimorar nosso processo para que isso deixe de ser uma limitação tão grande”, encerrou Temple.
A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
▶️ F1: confira o calendário completo de 2026
▶️ Inscreva-se nos canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV