O motor Mercedes é o centro de uma polêmica na Fórmula 1. Por conta de um suposto truque na taxa de compressão, estima-se que a montadora teria um ganho considerável de desempenho para as rivais. Zak Brown, CEO da McLaren, garantiu que a unidade de potência não infringe o regulamento e que a vantagem não é significativa. O dirigente acrescentou ainda que a concorrência tende a criar histórias quando está em desvantagem.

A polêmica inicialmente estourou em meados de dezembro, quando o portal inglês The Race publicou uma reportagem afirmando que duas fabricantes — Mercedes e Red Bull — haviam encontrado uma solução inteligente para ampliar o limite da taxa de compressão, reduzida de 18:1 para 16:1 com a mudança no regulamento de 2026.

A taxa de compressão de um motor de Fórmula 1 é definida pela relação entre o volume máximo do cilindro — quando o pistão está no ponto mais baixo — e o volume mínimo — quando o pistão está no ponto mais alto. A questão, no entanto, é que isso é medido apenas com o motor fora da temperatura ideal de funcionamento na pista, mas a taxa de compressão do motor alemão aumenta quando ele está aquecido.

A questão, no entanto, é que isso é medido apenas com o motor fora da temperatura ideal de funcionamento na pista, mas a taxa de compressão do motor alemão aumenta quando ele está aquecido. Na semana passada, o site da revista alemã Auto Motor und Sport publicou reportagem detalhando o truque, que tem a ver com uma segunda câmara de combustão que é desativada quando o motor está quente. E a FIA aprovou a legalidade da solução.

Motor Mercedes é pivô de polêmica na F1 2026 (Foto: Mercedes)

Ainda assim, Ferrari, Honda e Audi enviaram carta conjunta à federação solicitando esclarecimentos, preocupadas com o impacto imediato na ordem de forças do grid. A FIA, então, concordou em alterar o critério de teste, que envolverá a medição dos componentes do V6 devidamente aquecidos, mas em forma estática.

As montadoras pretendem solicitar mudanças antes da homologação das unidades de potência em 1º de março. Caso as alterações sejam impostas, a Mercedes não terá tempo para fazer modificações antes do GP da Austrália, podendo ser forçada a abandonar a corrida, assim como as equipes clientes – McLaren, Williams e Alpine. Seria a pior das hipóteses, e a FIA está determinada a impedir a todo custo. Brown está convencido de que o pior pode ser evitado.

“Não consigo imaginar que não haverá equipes com motores Mercedes no grid na Austrália”, declarou o CEO da McLaren à imprensa.

“Não temos acesso a essas conversas, então eu nem saberia dizer, do ponto de vista da unidade de potência, o que seria necessário para mudar o regulamento. Mas teremos todas as equipes equipadas com motores Mercedes no grid na Austrália”, garantiu.

McLaren seguirá como cliente da Mercedes na F1 2026 (Foto: McLaren)

Brown acredita que as discussões travadas até agora “são simplesmente a política típica da Fórmula 1”. E acrescentou: “O motor foi projetado e está totalmente em conformidade com as regras. É disso que se trata o esporte, não é diferente de coisas como difusores duplos que vimos no passado, que também não eram irregulares.”

“Não acredito que haja uma vantagem significativa, como está sendo dito pela concorrência, mas é claro que o trabalho deles é criar uma história a partir de qualquer vantagem percebida”, enfatizou.

“A realidade é que o motor está totalmente em conformidade com o regulamento. Ele passou em todos os testes. E acho que a divisão de motores da Mercedes fez um bom trabalho”, enalteceu.

Como a McLaren é apenas cliente da montadora alemã, Zak assegurou que não tiveram qualquer tipo de influência nas discussões que ocorreram nos bastidores.

Eis o novo carro da McLaren para 2026 na F1 (Foto: McLaren)

“Estamos cientes, mas é um assunto da Mercedes. Obviamente, não somos nós que construímos e projetamos a unidade de potência. A divisão de motores faz um bom trabalho em nos manter informados, porque temos muito interesse. Mas não participamos do grupo de trabalho da unidade de potência onde essas conversas acontecem”, completou.

A Fórmula 1 retorna à pista de 11 a 13 de fevereiro, no Bahrein, para a primeira de duas baterias de testes coletivos da pré-temporada. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades.

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