Chefe da McLaren, Andrea Stella reagiu à decisão da FIA de restabelecer a punição de Pierre Gasly, no GP de Mônaco, que resultou na perda do pódio do piloto da Alpine e que beneficiou o time de Woking, com Oscar Piastri sendo promovido de volta ao quarto lugar. O dirigente também rebateu as acusações de Flavio Briatore, executivo do time de Enstone, que sugeriu que um juiz da Corte de Apelação da FIA tem “forte ligação” com a McLaren, acusando parcialidade.

Primeiro, Stella celebrou a decisão. Pierre Gasly cruzou a linha de chegada na terceira posição, mas por conta de uma punição por excesso de velocidade nos boxes, caiu para o sétimo lugar. A Alpine reagiu e, uma semana depois, conseguiu reverter o resultado após pedir direito de revisão, alegando que a distância total do pit-lane foi medida de forma errada.

A Red Bull foi uma das mais interessadas em apelar contra o resultado, já que o francês Isack Hadjar originalmente herdou o terceiro lugar. Na coletiva de imprensa dos chefes de equipe realizada nesta sexta-feira, Andrea celebrou a decisão.

“É uma decisão que definitivamente recebemos bem. É muito importante, primeiramente, porque deixa adiciona clareza em relação a aplicação do Artigo 1.1.1 do Código Esportivo Internacional da FIA, que é fundamental para tudo que deriva dele. Apelamos porque queríamos ter certeza que esta clareza fosse buscada. Tínhamos preocupações que iam além do fato de termos perdido 2 pontos. Estes não vão fazer diferença. Estávamos preocupados pela aplicação da equidade esportiva e justiça, e isso é importante, não apenas para McLaren. Na real, não só a Red Bull apelou, como todos os times presentes na audiência porque era um momento importante em termos de clareza, de como aplicamos as regas, de como aplicamos consistência, e neste caso, consistência está relacionada com as metodologias que são válidas num fim de semana de corrida”, declarou.

Na coletiva, Flavio Briatore afirmou que um dos juízes da corte de apelação tem ligação com a McLaren por ter recebido uma doação da equipe em 2018. A acusação seria sobre Filippo Marchino, que não era o presidente da sessão, e sim Michael Grech. Stella afirmou que a Flavio precisa assumir a responsabilidade pela associação feita.

“Considero que o rumo tomado por esta coletiva é bastante ofensivo para a McLaren, para a reputação de uma equipe que merece muito respeito. E, se alguém fizer esse tipo de acusação — que parece bastante séria —, terá de assumir a responsabilidade pelo que diz em um fórum público. A audiência, e todo o processo no Tribunal Internacional de Apelação, foram conduzidos seguindo os mais altos padrões, e não deveríamos questionar essa etapa da maneira como tem sido feito”, seguiu.

Para finalizar, Andrea também foi questionado sobre as promessas da FIA em revisar os processos judiciais a respeito de punições na Fórmula 1, como o direito de revisão. O chefe da McLaren apontou os principais tópicos que precisam ser analisados pelo órgão.

“Acredito que o comunicado da FIA destaca como este caso trará um desfecho positivo, pois servirá de impulso para rever a forma como os regulamentos são aplicados. Vejo alguns pontos importantes. Um deles, certamente, está na declaração: antes de tudo, os comissários desempenham uma função difícil. Eles precisam tomar decisões em um prazo limitado. Como competidores, sabemos o que significa ter o tempo como variável e lidar com a pressão; para os comissários, não é diferente. Portanto, há uma questão relacionada às decisões dos comissários e ao trabalho que realizam. Na verdade, já discutimos isso com a FIA anteriormente e sempre apoiamos a ideia de oferecer aos comissários as melhores condições para que tenham sucesso em suas funções”, disse.

“O segundo ponto, na minha opinião, é o direito de revisão. Acredito que precisamos analisar em que condições esse direito deve ser aceito e prosseguir, e quando isso não se aplica. Há ainda um terceiro ponto — também muito bem detalhado nas 29 páginas da decisão — que diz respeito à consistência na aplicação da metodologia de medição. Medimos muitas coisas: a velocidade no pit-lane, por exemplo, ou o peso do carro em balanças. São muitas as medições realizadas, e acredito que a consistência nesse tipo de processo é um tema interessante. Para mim, esses são os três pontos que deveriam ser revistos”, completou.