McLaren acusa Red Bull de trapaça e sugere redução de limite de gastos como punição
Zak Brown, CEO da McLaren, enviou uma carta ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, e ao presidente da F1, Stefano Domenicali, sugerindo redução no orçamento proporcional ao excesso do ano anterior e também diminuição de testes nos túneis de vento
Enquanto a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) ainda decide qual atitude tomará com relação à violação que a Red Bull fez ao teto de gastos da temporada 2021 da Fórmula 1, a McLaren resolveu seguir um caminho mais prático. Em carta enviada ao presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem, e também a Stefano Domenicali, presidente da categoria, Zak Brown sugeriu que o time austríaco fique com o orçamento ainda mais reduzido para o próximo ano e ainda foi direto: os gastos em excesso “constituem trapaça”.
A carta foi divulgada nesta segunda-feira (17) pela BBC Sport e data de 12 de outubro. Sem citar diretamente o nome da Red Bull — a única equipe que, segundo a própria FIA, cometeu uma “violação de conduta” e gastou além dos US$ 145 milhões (R$ 763 milhões, na cotação atual) fixados para 2021 —, o CEO da McLaren começa o texto dizendo que “qualquer equipe que tenha gastado além da conta ganhou uma injusta vantagem tanto no desenvolvimento do carro atual como no do ano seguinte”.
“A violação dos gastos e possivelmente as violações processuais constituem trapaça, oferecendo significativa vantagem nos regulamentos técnicos, esportivos e financeiros”, frisou Brown. “Não sentimos que uma penalidade financeira (multa) por si só seria adequada para uma violação do teto de gastos ou uma violação processual grave. Claramente, é preciso que haja uma punição esportiva nesses casos, conforme determinado pela FIA”, acrescentou.
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A FIA, na verdade, tem listada uma série de punições que podem ser aplicadas no caso da violação ao limite orçamentário, que vão desde multa a redução de testes nos túneis de vento, podendo chegar até em perda de pontos ou mesmo exclusão do campeonato. A questão é que não há uma definição quanto ao tipo de punição que será, de fato, aplicada de acordo com o excesso cometido. Há apenas uma margem de 5% — que hoje representa cerca de US$ 7,2 milhões (R$ 38 milhões) — que é considerada de menor peso.
Quanto a isso, Brown foi prático e tratou de sugerir o que entidade pode fazer. “Sugerimos que a punição ao gasto excessivo seja a redução no limite de custos da equipe no ano seguinte à decisão, e que essa punição seja igual ao gasto extra mais uma multa adicional — ou seja, um gasto excessivo de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) em 2021, identificado em 2022, resultaria em uma dedução de US$ 4 milhões (R$ 21 milhões) em 2023, US$ 2 milhões para compensar o gasto excessivo, mais US$ 2 milhões de multa.”
“Além disso, acreditamos que precisa haver pequenas penalidades esportivas, como uma redução de 20% no CFD [dinâmica de fluidos computacional, em tradução livre] e no túnel de vento. Elas devem ser aplicadas no ano seguinte, para diminuir a injusta vantagem que a equipe terá”, completou o dirigente, que foi além sobre os 5% de tolerância: “É uma variação muito grande. Sugerimos que um limite mais baixo, 2,5%, seja mais apropriado.”
Brown ainda pede no texto que uma equipe que comprovadamente violou o teto de gastos de maneira leve, mas faça o mesmo no ano seguinte, sofra uma punição mais pesada, já que o acúmulo de gastos extras proporcionam essa “vantagem injusta”.
“É fundamental que o limite de custos continue a ser gerido de maneira altamente transparente, tanto nos detalhes das violações quanto às referidas penalizações”, seguiu o CEO de Woking, lembrando que a introdução do limite de custos, em vigor na categoria desde o ano passado, tem sido uma das principais razões para a chegada de novos investidores. “Portanto, é fundamental que sejamos muito firmes na implementação das regras em nome da integridade e do futuro da F1.”
“Será importante entender também se, após o primeiro ano de execução e investigação do esquema, é necessário haver mais clareza sobre certos pontos. Mais uma vez, quaisquer percepções ou aprendizados devem ser compartilhados entre todas as equipes, não pode haver espaço para brechas”, finalizou Brown.