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“Mentia sobre tudo” e “jogo sujo”: Marko narra guerra contra Horner na Red Bull

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“Mentia sobre tudo” e “jogo sujo”: Marko narra guerra contra Horner na Red Bull

Helmut Marko, agora ex-consultor da Red Bull, finalmente esmiuçou como foi a guerra por poder que aconteceu na equipe a partir da morte de Dietrich Mateschitz, em 2022. Na ocasião, tornou-se peça central de um duelo contra Christian Horner que envolvia até dois países

Pedro Henrique Marum

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Desde que teve o fim da participação na Red Bull oficializada, no começo da semana, Helmut Marko falou sobre uma série de assuntos em entrevistas diversas. Faltava, porém, abordar a conhecida guerra interna que marcou a equipe das bebidas energéticas sobretudo nos últimos anos, desde a morte do presidente e CEO Dietrich Mateschitz. Não falta mais. Marko explicou passo a passo como transcorreu o conflito, ao menos de seu ponto de vista. E o que não faltou foi acusação para cima do ex-chefe de equipe Christian Horner.

No estilo mais Helmut Marko possível, o veterano da Fórmula 1 fez questão de acusar o antigo parceiro de jogar sujo e mentir ao vento na tentativa de amealhar o poder descentralizado após a morte de Mateschitz, aos 78 anos, em outubro de 2022, a reboque de uma enfermidade que teve por anos.

A história, detalhada durante entrevista ao jornal neerlandês De Limburger, começa já em 2022, numa festa para comemorar o GP da Áustria, corrida de casa da marca de bebidas, realizada no circuito que a pertence e leva seu nome, o Red Bull Ring. “Lembro que estávamos na festa antes do evento. Didi [apelido de Mateschitz] estava também, mas não com boa saúde. Christian veio até mim e disse que ‘ele não vai chegar até o fim do ano'”, recordou.

“Daquele momento em diante, começou a se aproximar de Charlem Yoovidhya. Quando Didi morreu, no fim daquele ano, Horner fez tudo que podia para receber o apoio de Yoovidhya”, contou. “E eu fiz todo o possível pela ‘Áustria’ para evitar isso”, admitiu. Chalerm Yoovidhya é o acionista majoritário da Red Bull, com 51% das ações. O acordo estabelecido pelo pai dele, Chaleo Yoovidhya — morto em 2012 — e Mateschitz foi que o tailandês, que abriu a companhia de bebidas energéticas, ficaria com a maior parte das ações, mas que o austríaco, que transformou a companhia numa potência comercial, teria liberdade para tocar os rumos executivos da Red Bull. O acordo se manteve mesmo sem os dois, com o comando executivo vindo do lado austríaco, mas com a influência direta do lado tailandês sendo mais importante.

Helmut Marko deixou Red Bull após 21 anos (Foto: Red Bull Content Pool)

“Junto a Didi, fundei a Red Bull Racing em 2005. Escolhemos Horner como chefe de equipe, e eu fiquei como supervisor. O poder sempre ficaria na Áustria, conforme decidimos”, declarou.

Em meio à disputa de poder, afirma que sofreu com invenções no âmbito público. “Lembra quando disseram, durante o período de Sergio Pérez com a equipe, que eu falei que mexicanos eram menos concentrados que neerlandeses ou alemães? Isso foi fabricado, provavelmente por eles”, disparou.

A afirmação sobre Pérez veio a público em setembro de 2023, logo após o GP da Itália daquela temporada. De acordo com a BBC, a declaração foi feita em entrevista à emissora austríaca ServusTV, que pertence à Red Bull. Imediatamente após a situação, porém, Marko veio a público se desculpar, ainda que agora diga que nada teve com a história.

“Assim como o rumor que eu supostamente espalhei, em 2024, que nosso desenvolvimento de motor estava aquém do esperado e que perderíamos a Ford enquanto parceira. Nunca disse isso. Horner queria usar disso para me suspender, e só não aconteceu porque Max [Verstappen] me defendeu”, comentou.

Helmut Marko e Sergio Pérez (Foto: Red Bull Content Pool)

“Verstappen teria sido campeão” se demissão de Horner viesse antes

No fim das contas, Marko e a patota austríaca da Red Bull riram por último. “Na maioria das vezes, conseguíamos provar que Horner estava mentido sobre todo tipo de coisas. Quando Chalerm também percebeu isso, voltou a si”, destacou, tratando da demissão de Horner, em julho passado.

“Tivemos de agir, porque a performance na pista estava ficando para trás. Se tivéssemos feito antes, as coisas teriam mudado antes também e Max teria sido campeão. Estou absolutamente convencido disso”, atirou.

“Mas, enfim, estes anos finais com Horner foram desagradáveis. Foram jogos sujos”, finalizou.

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