Ao desembarcar na China, a Fórmula 1 se viu diante de um novo desafio dentro do polêmico regulamento introduzido neste ano. Isso porque o traçado de Xangai é bem menos singular do que o do Albert Park, e isso significa que agora é possível compreender melhor as particularidades das regras e a ordem de forças do Mundial. Diante disso, a Mercedes acabou por ratificar o conjunto vencedor no W17. O gerenciamento eficiente do sistema elétrico, especialmente no que diz respeito à recuperação da energia, e um projeto equilibrado já são o bastante para colocar a esquadra na ponta. George Russell voou na disputa da pole da corrida sprint deste sábado, puxando o colega Kimi Antonelli, e deixou no ar um problema sério para a concorrência. Por outro lado — e mesmo a transmissão da F1 tentando disfarçar —, a perda acentuada de velocidade nas grandes retas segue assustando.

O caso é que a Mercedes lançou mão de uma configuração das mais interessantes em termos aerodinâmicos e do comportamento dos pneus, aliada a uma estratégia certeira com relação à unidade de potência. A equipe decidiu usar as retas a seu favor, especialmente a oposta e sacrificou alguns trechos e curvas, para obter o máximo da energia — e um recarregamento mais eficiente. Isso permitiu que a dupla de pilotos pudesse alcançar valores de velocidade maiores do que as adversárias, ao mesmo tempo em que salvaram o equilíbrio. Ou seja, a queda no downforce acabou minimizada por esse delicado acerto, o que também promoveu as grandes distâncias na tabela de tempos.

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Russell cravou 1min31s520 em um volta sem erros, impondo uma diferença de quase 0s3 para o colega Antonelli, que viveu uma classificação mais errática. Ainda assim, ambos fecham a primeira fila na China. De novo, chamou a atenção a enorme vantagem para os rivais. Lando Norris, o terceiro colocado, ficou a 0s6 da marca do compatriota, quase a mesma diferença de Lewis Hamilton, o quarto, com a Ferrari. “O carro tem se comportado de forma incrível. Sabíamos depois de Melbourne que tínhamos um carro muito bom, o motor está funcionando muito bem e hoje foi realmente um prazer pilotar”, disse o pole.

O motor, citado ali por George, tem enorme peso, claro, na performance consistente da Mercedes e é também uma das razões pelas quais a McLaren surgiu tão rápida em Xangai. Depois dos problemas enfrentados na Austrália, a equipe inglesa encontrou na pista chinesa um ambiente mais adequado ao MCL40. As longas retas fizeram bem ao modelo laranja, além de um entendimento maior da gestão de energia da unidade de potência alemã. “Há alguns indícios de melhorias, especialmente na forma como entendemos como usar o motor. Houve menos variabilidade nos treinos e mais clareza sobre como utilizá-la na classificação”, reconheceu o chefão dos papaias, Andrea Stella.

“No momento, a Mercedes está fora de alcance, mas é bom ver que a McLaren pode brigar pela posição de vice, junto com a Ferrari. É uma boa situação para a sprint de amanhã”, acrescentou o italiano. Oscar Piastri se classificou na quinta posição.

Lando Norris vai largar em terceiro na sprint deste sábado (Foto: McLaren)

De fato, a briga atrás da Mercedes deve ser mesmo entre o time laranja e a Ferrari — ainda que os italianos sustentem uma arma poderosa para a largada. Mas a escuderia vermelha, desta vez, enfrentou mais dificuldades para encontrar velocidade. Os engenheiros levaram para teste a chamada asa Macarena, mas optaram por não usá-la na classificação sprint. A ideia era tentar reduzir o arrasto e ganhar velocidade de reta. Só que o acerto não funcionou e, mais que isso, a SF-26 também apresentou problemas na gerência do sistema híbrido, o que a fez perder performance nas duas longas retas de Xangai. “Acho que estamos perdendo nas retas — e é muito tempo para perder”, afirmou Hamilton após a classificação.

“O carro está ótimo e acho que podemos competir com eles [Mercedes] nas curvas, mas quando você está com menos potência, é assim mesmo.”

De toda a forma, é realmente possível pensar em uma Ferrari mais forte em corrida, assim como aconteceu em Melbourne. Importante dizer também que a configuração muda, e isso deve ajudar a equipe de Maranello. “Na classificação, por algum motivo, a unidade de potência da Mercedes consegue ganhar muito tempo por volta. Ainda não conseguimos encontrar o mesmo o ritmo, mas na corrida estamos mais perto, então continuo confiante de que podemos compensar amanhã”, garantiu Charles Leclerc, que sai em sexto.

Mas se o cenário aponta para uma Mercedes desgarrada e um duelo entre McLaren e Ferrari, a nota negativa do dia vai para a Red Bull. Como definiu Max Verstappen, a sexta-feira foi um desastre. Em nenhum momento os taurinos se colocaram em uma posição de competitividade. O desequilíbrio do carro em curva foi notório e teve enorme impacto nos resultados finais. Tanto que o tetracampeão obteve apenas o oitavo tempo, 1s7 atrás do pole, na classificação da sprint. Já Isack Hadjar foi apenas o décimo. A equipe apontou a escolha por uma configuração equivocada como responsável pela falta de desempenho, mas é necessário falar: o carro austríaco sofreu em curvas e não foi capaz de retomar velocidade.

Max Verstappen ficou apenas em oitavo (Foto: Red Bull Content Pool)

“O dia inteiro foi um desastre em termos de ritmo. Não temos aderência. Honestamente, acho que esse é o maior problema. Sem aderência, sem equilíbrio, estamos perdendo muito tempo nas curvas”, analisou Max. “Por causa disso, você começa a ter outros pequenos contratempos. Mas o grande problema para nós é que o desempenho nas curvas está completamente fora”, emendou Verstappen.

Questionado se a Red Bull consegue reverter a situação ao longo do fim de semana, Verstappen adotou um tom cauteloso. “Vamos dar uma olhada. No momento, não sei exatamente o que podemos fazer. Mas veremos.”

Aí neste contexto, é bem possível pensar que a briga da equipe austríaca deve se limitar à Haas, Alpine, Racing Bulls e até mesmo Audi — que, embora não tenha disputado a fase final da classificação sprint, tem potencial para crescer em condições de prova.

Por fim, e tentando desenhar um cenário para a sprint deste sábado, a largada será um ponto de destaque na China, especialmente diante das dificuldades em relação ao recarregamento das baterias. É bom dizer ainda que há uma reta enorme antes da entrada da reta dos boxes. Então, manter a energia em operação plena será um desafio e tanto, até mesmo para a Mercedes.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Corrida Sprint00:0002:0004:0005:00
Classificação04:0006:0008:0009:00
Corrida04:0006:0008:0009:00

*Horário de Brasília

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