É até difícil apontar defeitos na performance de Andrea Kimi Antonelli na temporada 2026 da Fórmula 1, porém Toto Wolff sabe muito bem qual é a única coisa que o líder do Mundial faz que ainda o tira do sério nos boxes. Apesar das oito vitórias e dos 81 pontos de vantagem na liderança, o jovem de 20 anos já demonstrou o quão difícil é manter-se dentro dos limites de pista nas corridas.

Vira e mexe, Peter Bonnington, engenheiro de corrida de Antonelli, precisa intervir via rádio para lembrá-lo que a regra precisa ser cumprida. Os limites de pista são definidos por linhas brancas colocadas ao final do traçado e antes das zebras. O piloto, portanto, não pode passar com as quatro rodas fora delas.

O regulamento da F1 permite que o piloto exceda os limites de pista até três vezes. Na quarta, toma 5s. E se exceder outras vezes, toma 10s de punição. No último fim de semana, em Madri, Bonnington avisou a Antonelli do risco de ser punido ainda nas primeiras voltas da corrida — dois deles, aliás, foram gastos ainda no primeiro giro, quando Kimi cortou duas chicanes.

Aos jornalistas presentes em Madri, Wolff admitiu que este é o único senão na performance do italiano. “Kimi simplesmente não consegue se manter dentro das linhas brancas. Tivemos de martelar isso na cabeça dele, especialmente em Monza”, reclamou o chefe.

“Será que ele não as enxerga direito? Precisamos deixá-lo mais alto no cockpit?”, refletiu, continuando: “A umas seis voltas do fim, ele pediu pelo rádio para verificarmos o carro. Disse que tinha tocado no muro. Como é possível?”, acrescentou.

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Não é de hoje que Antonelli demonstra dificuldade para manter o carro dentro das linhas brancas (Foto: Mercedes)

Apesar do incômodo, Wolff acredita também que o excesso de violação aos limites de pista externa um ponto positivo. “Talvez ele precise disso para ser tão bom”, avaliou.

“Ele é tranquilo — tranquilo até demais! Quando raspa o muro a cinco voltas do fim e pede para checarem o carro, você pensa: ‘Sério? De novo? Linhas brancas, muros…’, mas talvez ele mantenha o foco desse jeito”, acrescentou.

“A juventude ajuda muito, afinal, tem 20 anos. Ele pode ficar aqui por 20 anos, com tantas oportunidades pela frente. Ele está muito acima de todas as nossas expectativas — e das dele mesmo. Simplesmente segue o fluxo, e acho que há também um fator genético. Ou você nasce extremamente tranquilo, ou não”, completou Wolff.

Apesar dos limites de pista, o líder da Mercedes pontuou que o controle emocional de Antonelli é característico desde as categorias de base por onde passou e empilhou títulos.

“Vemos isso nas categorias de base ou no kart: pilotos que lidam melhor com a pressão. Estamos falando da Fórmula 1. Vemos pilotos das categorias de base desmoronando na Fórmula 2. Ele simplesmente faz o trabalho dele. Nós dissemos: ‘Nesta corrida, precisamos levar o carro até o fim e pontuar. Seja segundo ou quinto, não importa, apenas cruze a linha de chegada’. Ele faz isso e ainda anda rápido”, encerrou Wolff.

Agora, a Fórmula 1 faz uma pausa neste fim de semana e volta entre os dias 24 e 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada.