Havia desde a pré-temporada uma sensação de que a Mercedes encontrara um caminho de sucesso no novo regulamento, e isso não só em relação à unidade de potência, mas também ao conceito aerodinâmico do carro. Ainda nos testes, ficou claro que o W17 era rápido e consistente, com a confiabilidade sendo a única grande ressalva e fonte de um forte trabalho da equipe alemã no sentido de minimizar qualquer impressão de favoritismo. Tudo em vão. Duas semanas mais tarde, bastou a primeira classificação de 2026 para exibir o cenário real: quase 0s8 separam as Flechas de Prata da concorrência na Austrália. George Russell conquistou a pole e puxou a dobradinha com Kimi Antonelli, que por pouco não põe tudo a perder em um forte acidente ainda no TL3. Quem mais se aproximou foi um danado Isack Hadjar — que não desperdiçou a chance de brilhar com a Red Bull em um dia desastroso de Max Verstappen.

Claro que é preciso colocar na balança o fato de que a F1 ainda está em fase de adaptação às novas regras e que o Albert Park é, sim, um circuito bastante peculiar e talvez um dos mais confusos para o gerenciamento da energia. Tanto que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) identificou problemas para o acionamento da aerodinâmica ativa entre as curvas 8 e 9, decidiu remover o uso do recurso, mas logo precisou voltar atrás após protestos das equipes — pois uma mudança acarretaria também uma alteração no acerto dos carros. Quer dizer, ainda não há uma clareza de funcionamento do regulamento. Mesmo assim, não há como esconder o fato de que a Mercedes tem o melhor conjunto neste momento e está em outro planeta, como disse Frédéric Vasseur, depois de ver a Ferrari ficar na quarta colocação, mas com uma distância considerável para os octacampeões.

Portanto, a esquadra chefiada por Toto Wolff tem nas mãos uma enorme chance de replicar o domínio que impôs a partir de 2014, após uma drástica alteração de regras. Importante dizer que o W17 mostrou algumas armas interessantes: a gestão de energia parece funcionar muito bem, como sugere a alta performance em reta e a pouca perda de ritmo nas curvas. “Todo mundo vai dizer que estávamos escondendo o jogo, mas não dá para realmente esconder o jogo, senão nunca sabe onde o carro realmente está. Talvez tínhamos 10kg a mais no carro? Talvez sim. Mas ainda não temos confiança suficiente na compreensão desses carros para fazê-los rodar artificialmente mais pesados, então ficamos surpresos com a diferença, mas vou aceitá-la”, explicou o chefão da Mercedes.

“Foi uma sessão limpa e estou bastante satisfeito com o resultado. É o primeiro passo de uma longa temporada. O carro está incrível. O motor tem sido muito exigido, mas as pessoas se esquecem que a McLaren, a Williams e a Alpine também usam motor Mercedes“, afirmou o pole Russell. “O carro é simplesmente poderoso. Lembra mais os Mercedes dos bons e velhos tempos. Fiquei bastante aliviado quando o pilotei pela primeira vez.”

E se o ritmo de classificação foi avassalador, as simulações de corrida na sexta-feira também mostraram que a Mercedes tem um carro forte para tentar escapar da concorrência e se defender no caso de uma corrida caótica neste domingo. A Ferrari foi a equipe que mais perto ficou do rendimento apresentado por Russell e Antonelli, mas, mesmo assim, será necessário um trabalho delicado de estratégia e gerenciamento.

Ainda diante do que a Mercedes mostrou neste sábado, o espanto percorreu o paddock e até levantou suspeitas, especialmente devido ao imbróglio envolvendo a taxa de compressão do motor. Depois de classificar na sétima posição, Lewis Hamilton não disfarçou a surpresa com a diferença de rendimento da antiga equipe. “Não entendo muito bem. Nos testes, eles não mostraram que conseguiam aumentar o nível, e agora têm essa potência extra em algum lugar. Precisamos descobrir de onde vem. Espero que não seja essa questão da taxa de compressão, espero que seja apenas potência pura e que só precisemos fazer um trabalho melhor. Mas se for mesmo a taxa de compressão, ficarei desapontado que a FIA tenha permitido que seja assim, que não esteja em conformidade com os regulamentos. E vou pressionar minha equipe para fazer o mesmo para que possamos ter mais potência.”

Mas se a equipe da estrela de três pontas parece inalcançável neste momento, o contrário acontece entre as adversárias. O grupo formado entre Red Bull, McLaren e Ferrari parece incrivelmente equilibrado. Pouco menos de 0s2 separaram Hadjar, o segundo no grid, de Hamilton. Entre eles, ficaram Charles Leclerc (4º), Oscar Piastri (5º) e Lando Norris (6º).

Em termos de ritmo de corrida, os carros vermelhos têm certa vantagem, mas aí uma questão que envolve não só a gestão da energia, mas também o cuidado com os pneus. A equipe italiana enfrentou mais dificuldades de manter a temperatura dos pneus em relação ao time laranja. E ainda tem esse danado Isack, que parte para salvar os taurinos, enquanto Verstappen tenta a recuperação, saindo da 20ª posição, depois de um acidente estranhíssimo durante a primeira fase da classificação.

Verstappen bateu forte e ficou fora da classificação na Austrália (Vídeo: Reprodução)

Em termos de estratégia, o GP da Austrália deve ser disputado com apenas um pit-stop, em uma combinação simples de médios e duros, mas a Pirelli não descarta também os macios. “Com base na análise de desempenho e na condição dos pneus ao final das sessões, os três compostos podem influenciar as táticas de corrida deste domingo. Acreditamos que uma parada é viável para as equipes, entre as voltas 20 e 26”, disse o chefe da fabricante italiana, Dario Marrafuschi.

“Algumas simulações com alto consumo de combustível e um número representativo de voltas nos treinos livres também abriram caminho para o uso do composto macio. Agora, se gerenciado corretamente, o C5 pode ser uma opção interessante no início da corrida, com o C3 sendo usado no restante da prova, com a troca entre as voltas 15 e 21.”

Então, talvez esse seja um caminho para tentar frear a Mercedes. Outro ponto de atenção será a largada, agora com procedimentos novos e a exigência de um gerenciamento de energia impecável.

Abertura da temporada 2026 da Fórmula 1, o GP da Austrália segue em disputa até o dia 8 de março. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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Corrida01:0003:0005:0006:00

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