Na Garagem: Lauda segura pressão de Prost no GP dos Países Baixos e vence última na F1
Em ano marcado por quebras, Niki Lauda desanimou e anunciou a aposentadoria da F1. Até o fim do ano, porém, o austríaco ainda teria seu canto do cisne — e aconteceu no GP dos Países Baixos, com forte recuperação e batalha lendária com o companheiro Alain Prost
Tricampeão mundial de Fórmula 1 e considerado uma das lendas do esporte, Niki Lauda celebrou a última vitória na principal categoria do esporte a motor há exatos 40 anos. Sobrevivente de um dos acidentes mais assustadores da história, o austríaco caminhava para a segunda aposentadoria ao fim do ano, já sem possibilidades de título. No entanto, isso não impediu uma apresentação de altíssimo nível no GP dos Países Baixos de 1985, que marcou seu único triunfo naquela temporada.
Lauda chegou ao GP dos Países Baixos, 11ª etapa da Fórmula 1, longe de qualquer disputa de título. E isso se explica muito por conta da falta de sorte do austríaco naquele ano — para se ter uma ideia, Niki abandonou oito das dez corridas anteriores, sempre convivendo com defeitos no carro. Isso naturalmente desmotivou o veterano, que via o companheiro Alain Prost caminhar rumo à primeira taça.
Assim, Lauda aproveitou a etapa anterior aos Países Baixos, na Áustria, para anunciar que se aposentaria ao fim do campeonato. E aquela mesma corrida seria um exemplo do que afastava Niki do esporte. Liderando e muito perto de vencer, Lauda viu o motor TAG 1.5 V6T da Porsche abrir o bico e encerrar o sonho do triunfo. Mais um exemplo de que aquele não era o ano do tricampeão.
Uma semana depois, porém, a Fórmula 1 desembarcava em Zandvoort para mais uma etapa nos Países Baixos. Prost garantiu o terceiro lugar no grid de largada, com um tempo de 1min11s801, mas a décima colocação de Lauda (1min13s059) indicava mais uma longa e complicada corrida pela frente. Nelson Piquet fez a pole, com 1min11s074, e foi seguido por Keke Rosberg na primeira fila.

As expectativas de Lauda, porém, mudaram logo na largada. Com uma primeira volta incrível, o tricampeão ganhou cinco posições e se colocou na briga pelo pódio ainda no início. Com o passar dos giros, ultrapassou também Teo Fabi, da Toleman, e Ayrton Senna, então na Lotus, para virar terceiro. E aí viria o pulo do gato.
Na volta 21, antes dos demais concorrentes, Lauda optou por parar e fazer a troca de pneus. Naturalmente, foi derrubado no pelotão e voltou em décimo, mas recuperou gradativamente as posições à medida que os outros paravam. O plano deu certo, e Niki se encontrou na liderança após a parada de Prost — que voltou em segundo.
A partir daí, o que se viu foi um Prost sedento pela vitória, brigando ponto a ponto pelo título com Michele Alboreto, e Lauda defendendo de todas as formas possíveis. Em uma cena impensável atualmente, a McLaren não interferiu, mesmo com apenas um de seus pilotos na briga pela taça, e deixou os dois se resolverem. O francês tentou de tudo, atacou de várias formas possíveis, mas não conseguiu passar.

Inteligente, Lauda aproveitou o traçado mais estreito de Zandvoort para defender como se não houvesse amanhã. No momento mais tenso, Prost botou duas rodas na grama para conseguir passar, mas foi barrado mais uma vez. E Niki venceria pela última vez na Fórmula 1, com apenas 0s232 de vantagem.
Em uma época marcada por problemas de confiabilidade, apenas dez dos 26 pilotos que largaram conseguiram completar o GP dos Países Baixos. Atrás de Lauda e Prost, chegou um ainda jovem Senna, fechando o pódio. Alboreto, Elio de Angelis, Nigel Mansell, Martin Brundle, Nelson Piquet, Gerhard Berger e Marc Surer completaram o top-10.
Lauda deixaria de fato a Fórmula 1 após o fim da temporada, mas seguiria próximo do esporte. Foi comentarista em transmissões da categoria e dirigente, sendo o último trabalho um cargo de presidente não-executivo na Mercedes. Teve, inclusive, participação decisiva na chegada de Lewis Hamilton à equipe alemã — que enfileiraria sete Mundiais de Pilotos e oito de Construtores entre 2014 e 2021. O tricampeão viveu até 2019, quando morreu devido a complicações renais.
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