A temporada 1986 da Fórmula 1 foi notabilizada pela disputa do título entre Alain Prost, da McLaren, e a dupla da Williams, Nelson Piquet e Nigel Mansell. Apesar da vantagem do britânico, foi o francês quem se sagrou campeão, há exatos 40 anos, aproveitando o caos no imprevisível GP da Austrália, que foi realizado nas ruas de Adelaide. Até hoje, é uma das decisões mais memoráveis da história do esporte, marcada por uma verdadeira aula do ‘Professor’.
Mansell chegou à decisão da temporada na liderança do campeonato, com 70 pontos. Bastava um terceiro lugar para garantir o título sem depender de outros resultados. Prost tinha 64 tentos, enquanto Piquet aparecia com 63 — ambos tinham uma difícil missão pela frente, já que tinham de vencer. No caso do francês, o britânico não podia ir além do sexto lugar. A situação do brasileiro não era tão diferente, pois o #5 teria de terminar em sexto lugar, no máximo.
Ainda na classificação, Nigel voltou a mostrar a força da Williams — que venceu nove das 15 corridas até então e havia conquistado o título do Mundial de Construtores com duas etapas de antecedência, no GP de Portugal — e cravou a pole-position em Adelaide. Nelson teve de se contentar com a segunda posição, enquanto Alain marcou o quarto melhor tempo, com uma diferença considerável para o britânico: 1s251.
A corrida já se mostrou agitada logo na largada: Mansell só permaneceu duas curvas na liderança, até ser superado por Ayrton Senna, Piquet e Keke Rosberg, que pulou de sétimo para terceiro. O piloto da Lotus não terminou a primeira volta à frente do pelotão, já que foi superado pelo compatriota. Prost também não se saiu bem e desceu para a quinta posição.

No sétimo giro, Rosberg manteve o bom ritmo da McLaren e ultrapassou Piquet pela liderança. Pouco depois, o finlandês, que fazia a última corrida na F1, emplacou uma sequência de voltas rápidas e disparou na frente. No decorrer da prova, Prost também seguia avançando: superou Nigel e aproveitou a rodada de Nelson na volta 23 para assumir o segundo lugar.
Algumas voltas depois, o francês teve um pneu furado e voltou na quarta posição após o pit-stop. Piquet conseguiu se recuperar e ultrapassou Mansell pela segunda colocação no 44º giro. Pensando no título, o britânico adotou uma postura mais cautelosa que o habitual, o que permitiu a aproximação do francês.
É importante ressaltar que, na época, o pit-stop não era obrigatório e, portanto, os pilotos só paravam nos boxes em caso de necessidade, para trocar os pneus ou reabastecer. Era comum as equipes completarem as corridas sem uma troca sequer, como foi o caso de Gerhard Berger, da Benetton, no GP do México, usando compostos da Pirelli. Na tentativa de dar o troco na rival, a Goodyear, fornecedora de pneus da Williams e da McLaren, preparou um novo conjunto para a etapa na Austrália, o que não deu certo.
A exibição de gala de Rosberg chegou ao fim na volta 63, quando um furo no pneu traseiro direito o obrigou a abandonar a corrida. Piquet passou a liderar, seguido por Prost, que acabava de superar Mansell. O britânico viu o sonho do título acabar logo na volta seguinte: enquanto colocava uma volta em cima de Philippe Alliot, o composto traseiro esquerdo explodiu.

Com receio de que o mesmo acontecesse com Piquet, a Williams chamou o brasileiro para os boxes, já que estava com os pneus vibrando bastante. Prost, que tinha feito o pit-stop no início da corrida, aproveitou para assumir a liderança e permanecer por lá até a bandeira quadriculada. Nelson ainda diminuiu a diferença nas voltas finais, mas não foi suficiente e acabou terminando 4s205 atrás do francês.
O bicampeonato de Prost foi uma das maiores conquistas da carreira do francês. Mesmo sem dispor do melhor equipamento, teve uma campanha extremamente regular, aproveitou o duelo interno da Williams para tirar pontos de Mansell e Piquet e vencer o título ao fim da histórica temporada 1986 da F1 com uma dose de oportunismo.
A Fórmula 1 volta já no próximo fim de semana, no Autódromo Hermanos Rodríguez, com o GP da Cidade do México, 19ª etapa da temporada 2026.