O GP de São Paulo sempre é um capítulo à parte em uma temporada cada vez mais dominada por pistas sem personalidade. Afinal, Interlagos ainda carrega aquela aura romântica dos circuitos clássicos, o que sempre atrai um número muito grande de público vindo não somente de todas as partes do Brasil, como cada vez mais da América Latina. E a julgar pela reação das arquibancadas quando a vinheta de abertura apareceu no telão, é provável que os torcedores não tenham ficado, assim, tão satisfeitos com o resultado da corrida deste domingo (8).

Isso porque Lando Norris foi o vencedor, porém chamou atenção a enorme vaia que ecoou vinda principalmente do setor A quando o campeão de 2025 apareceu no telão — e isso se repetiu no momento do pódio, deixando claro que o papaia definitivamente não é pessoa tão grata assim em terras paulistanas — ou, talvez, latino-americanas, dada as últimas polêmicas envolvendo a torcida de Franco Colapinto com o britânico.

Claro que não tem como afirmar que os que vaiaram Norris eram somente argentinos, até por não terem sido maioria nas arquibancadas. É que, de certa forma, Lando não é dos pilotos que geram mais identificação com o público, pelo contrário. Ao rodar pelo paddock alguns instantes antes da largada, pouco se viu de aglomeração em frente aos boxes da McLaren, ao contrário do que sempre é quando se trata da Ferrari.

O curioso é que, se for levado apenas em consideração o ‘vaiômetro’, Max Verstappen, George Russell e Charles Leclerc aparecem ali, na sequência, com o curioso fato de que o neerlandês da Red Bull realmente é a perfeita tradução do ‘ame ou odeie’ por ser um piloto tão fenomenal quanto controverso na pista.

No caso dos outros dois, pesa muito contra aquilo que foi observado ao longo do fim de semana: os respectivos amores dos fãs brasileiros por Andrea Kimi Antonelli e Lewis Hamilton. E quando estes surgiram nos telões, foi uma breve competição para ver quem receberia a ovação maior — só que, nesse ponto, ninguém bate o heptacampeão aqui desde a histórica vitória em 2021 e o ato de pegar a bandeira brasileira, repetindo o gesto de Ayrton Senna.

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Lewis Hamilton é e sempre será o favorito do público de SP (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUP)

Do lado dos brasileiros, o apoio foi massivo, claro, mas não há também como negar que Câmara parece já carregar uma parte dessa torcida especialmente para si. O fim de semana acabou sendo daqueles batismos de fogo, com classificação debaixo de muita chuva, batida, largada ruim e uma condução muito mais cautelosa do que qualquer outra coisa para fazer aquilo que realmente deveria ser feito: levar o carro para casa.

Nosso Daniel Balsa, aliás, nem precisou fazer uma pergunta direta ali, no cercadinho, para ouvir as impressões de Câmara sobre a corrida. “Que estreia de fogo, hein!”, gritou nosso intrépido repórter. E foi exatamente isso, um batismo e tanto para o garoto que vai encarar para valer a loucura de cada fim de semana a partir do ano que vem.

Antes mesmo de a corrida acabar, as catracas do paddock já são retiradas. É o primeiro sinal de que tudo ali está chegando ao fim. Rapidamente, um monte de caixas começam a se multiplicar com os equipamentos sendo preparados e enviados para a próxima etapa, agora em Las Vegas. É nessa hora também que os funcionários das equipes, aqueles que realmente fazem toda essa mágica acontecer, viram protagonistas.

E, como tudo é tão rápido na F1, esse trabalho mais braçal é feito de forma tão ágil que, num piscar de olhos, Interlagos começa a voltar ao normal.

A Fórmula 1 volta em duas semanas, entre os dias 19 e 22 de novembro, com o GP de Las Vegas.