O calor do Catar parece ter feito bem a Oscar Piastri. De volta ao circuito onde venceu pela primeira vez na Fórmula 1 — a sprint de 2023 —, o australiano se viu imediatamente rápido no traçado do deserto, retomando uma sensação que há muito não tinha neste campeonato. É fato que o dono do carro #81 passou por maus bocados nos últimos tempos, então a pole-position conquistada nesta sexta-feira (28) é realmente um expressão de que o pulso ainda pulsa, mesmo se tratando da prova curta. E ainda chega em um momento importante da disputa com o companheiro e líder a F1 2025, Lando Norris. Restando apenas duas rodadas, ambos estão separados por 24 pontos. Lando sai em terceiro, o que garante a ele certa tranquilidade até, apesar da posição de honra do rival. É que Max Verstappen, a ameaça real, está apenas em sexto. Portanto, é hora de capitalizar, e isso vale para os dois lados da garagem da McLaren.

Ao descer do carro após cravar 1min20s055, Oscar não escondeu o alívio, e a frase “é bom estar de volta” resume bem também os apuros que atravessou nesta segunda fase de temporada, em que viu a liderança do Mundial escapar pelos dedos em meio a erros e performances irregulares. A questão é que a pista de Lusail talvez seja uma das mais agradáveis ao MCL39. As curvas de média e alta velocidade têm sido um deleite, bem como a capacidade que o modelo laranja tem de gerenciar a temperatura dos pneus — algo que será testado quase a exaustão neste fim de semana. E Piastri se mostrou confortável desde o TL1, que liderou. Já na classificação para a corrida curta, o piloto foi crescendo ao longo das fases e, quando pôde usar os pneus macios, o desempenho veio rápido.

É bem verdade que a Mercedes e o próprio Norris tentaram tirar uma casquinha, mas a volta final no SQ3 de Oscar foi perfeita. “Foi um bom dia, o que é ótimo, claro. Tudo funcionou desde o começo, então agradeço à equipe. A performance tem sido boa até o momento”, disse o piloto. “Há algumas coisas para ajustar, o que é bom de se dizer estando na pole. É só a pole do sprint, mas aceito o resultado que for.”

“Os fins de semana de sprint são difíceis para entender se você está totalmente no controle, mas a sensação foi boa o dia todo e fizemos bons ajustes antes da classificação. O ritmo esteve presente”, emendou Piastri, que voltou a ter um desempenho tão sólido quanto do companheiro de equipe.

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O ritmo, de fato, é algo que impressiona na McLaren no Catar. E é, por isso, que há certa surpresa de notar Norris em terceiro, atrás de um oportunista George Russell, que ficou a 0s032 do pole. Acontece que o dono do carro #4 enfrentou mais problemas ao longo da fase final da classificação. Quer dizer, um erro nos momentos derradeiros acabou por sacramentar a segunda fila. E embora pareça uma derrota, o resultado não é de todo ruim. Primeiro, porque tira de Lando a pressão por uma boa largada — uma vez que o procedimento é um ponto um fraco. Segundo, porque deixa os holofotes e o faz disputar a prova contra alguém que tem ao menos o mesmo equipamento. Alguém, aliás, que não se chama Verstappen. Então, dá para dizer com alguma calma que a colocação é até mais prática do que se imagina, apesar da presença incômoda de Russell e também de Fernando Alonso, que soube como colocar a Aston Martin na quarta posição.

“O fim de semana começou bem, com Oscar largando na pole position no sprint e Lando em terceiro. O mais importante é que o carro provou ser rápido nesta pista e sabemos onde ainda podemos melhorar o desempenho. Este é apenas o primeiro passo e ainda há um longo caminho a percorrer, começando com a sprint de amanhã à tarde”, afirmou um também aliviado Andrea Stella, chefão dos papaias.

Enquanto isso, o terceiro elemento da disputa pelo título reviveu os dramas de um carro arisco e imprevisível. Verstappen ficou apenas na sexta posição do grid para a sprint deste sábado e saiu furioso do RB21. Isso porque a Red Bull precisou promover diversos ajustes para alcançar o equilíbrio que o piloto pedia. Na verdade, o maior problema foram os pneus macios. Os médios e os duros até que suportaram bem as demandas do carro taurino, mas o composto vermelho se mostrou mais complexo.

O tetracampeão se queixou que o modelo saía de frente, depois de traseira e que saltava demais. “Desde a primeira volta, tive muita oscilação e um desequilíbrio na frente muito agressivo, que se transformava em saídas de traseira nas partes mais rápidas. Tentei várias coisas com os ajustes, mas não funcionou”, explicou Max. “Dessa forma, a sprint não será muito divertida, vou tentar sobreviver e depois fazer algumas modificações para a classificação.”

Max Verstappen vive uma sexta-feira dura no Catar (Foto: Red Bull Content Pool)

Consultor da Red Bull, Helmut Marko detalhou os problemas e a razão pela qual Yuki Tsunoda foi capaz de classificar melhor que o neerlandês. “Tivemos dificuldades com os macios. Com pneus médios, fomos competitivos, assim como o primeiro colocado, bem como com os pneus duros. As alterações que fizemos obviamente não resolveram nosso problema com o pneu macio, mas funcionaram melhor no carro do Yuki”, contou.

“Quer dizer, as mudanças foram basicamente: Max queria mais frente, Yuki mais traseira, e essa foi uma solução melhor. Mas, felizmente, é apenas a sprint e, para amanhã, temos de resolver nossa fraqueza com o pneu macio”, completou. “Não tivemos oscilações com o pneu médio, a altura da suspensão permaneceu a mesma para ambos os pneus, é claro, então precisamos descobrir o motivo pelo qual isso aconteceu.”

Como aconteceu em São Paulo e outros momentos desta temporada, a Red Bull deve promover uma mudança drástica no acerto do carro de Verstappen para a classificação, pensando no domingo. “Acho que seremos mais competitivos, mas ultrapassar é realmente difícil aqui. Porém, tudo pode acontecer, só espero que possamos resolver todos os nossos problemas”, concluiu o austríaco.

Mas há uma preocupação que aflige não só os taurinos, como o resto do grid no que diz respeito aos pneus. A Pirelli notou cortes em alguns pneus durante as sessões desta sexta — particularmente por conta da brita no circuito. E disse que vai reforçar a atenção com relação à falha. “Ao final das sessões, observamos cortes na banda de rodagem de alguns pneus causados pelo cascalho trazido para o circuito pelos carros que saíram para as novas áreas de brita ao lado da pista. Embora os danos não sejam suficientes para causar qualquer perda de pressão, ficaremos atentos ao estado dos pneus durante a prova de amanhã”, afirmou o engenheiro-chefe da fabricante italiana, Simone Berra.

A situação acontece em um fim de semana onde os pneus já são ponto de atenção no Catar. Para a edição 2025 da corrida, a Pirelli impôs um limite máximo de 25 voltas por jogo durante todo o fim de semana, buscando que as equipes evitem levar a borracha ao limite, causando possíveis estouros e problemas de segurança.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 28 a 30 de novembro, com o GP do Catar, 23ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Lusail para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Corrida sprint11:0013:0015:0016:00
Classificação15:0017:0019:0020:00
Corrida13:0015:0017:0018:00

*Horário de Brasília

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