Assim como a maioria dos pilotos do grid da Fórmula 1 2026, Pierre Gasly também passa longe de ser um fã do regulamento atual. O francês admitiu que não gosta do gerenciamento de energia porque há muita coisa para administrar e que foram longe demais. Além disso, o representante da Alpine apontou que não é mais necessário ir ao limite em todas as curvas, e sim ser o mais eficiente possível na gestão da bateria.

As regras de 2026 introduziram um propulsor que tem a potência dividida em 50% vinda do motor a combustão e 50% proveniente da parte elétrica. Com isso, os pilotos precisam administrar a energia o tempo todo, o que também tornou as ultrapassagens completamente artificiais, já que os carros perdem muita velocidade no meio das retas — fenômeno conhecido como super clipping. O termo se refere ao momento em que o carro começa a perder potência elétrica antes do fim das retas porque a bateria entra em fase de recarga ou gerenciamento energético.

As críticas foram tantas que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) já promoveu mudanças na unidade de potência para o ano que vem. Por outro lado, o CEO da F1, Stefano Domenicali pediu aos pilotos para que façam “críticas construtivas ao regulamento”. Ainda assim, os competidores seguem reclamando.

Assim como Charles Leclerc, Gasly também criticou a complexidade dos carros atuais e ressaltou que não é mais necessário pilotar no limite nas curvas, já que precisam economizar energia, o que reduz consideravelmente a potência. Porém, o francês preferiu adotar cautela ao falar sobre o assunto.

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Pierre Gasly criticou regulamento da F1 2026 (Foto: Alpine)

“Sempre que você consegue extrair toda a potência ao sair de uma curva, é uma sensação única, algo de que nunca me cansarei. Quanto a toda essa questão das baterias este ano, não vou entrar em muitos detalhes, porque não sou muito fã disso e não quero me pronunciar com muita ousadia sobre todos esses assuntos relacionados às baterias e assim por diante”, afirmou Pierre ao podcast Autocar.

“Mas isso foi longe demais, porque agora temos muito o que gerenciar, na verdade. É preciso pilotar com eficiência, o que não significa necessariamente ir o mais rápido possível em todas as curvas. É preciso ter um certo controle e entender quais curvas exigem que você vá ao limite, e em quais é melhor manter uma margem de segurança na pilotagem e na forma como se recupera a aceleração para conseguir um tempo de volta melhor”, ressaltou.

“O que, se você me perguntar, desde o dia em que comecei a pilotar kart aos seis anos de idade, sempre houve apenas uma regra: quando você está ao volante, simplesmente passa pelas curvas o mais rápido que puder. Acho que é assim que deve ser”, enfatizou.

Apesar da falta de potência, que fica evidente em circuitos de alta velocidade, Gasly destacou que os carros atuais ainda contam com bastante pressão aerodinâmica, que faz com que os pilotos ainda contornem curvas de alta com velocidades consideráveis em comparação com outras categorias do automobilismo.

“Ainda temos muito downforce no carro. Então, na Maggotts e na Becketts [em Silverstone], passamos por essas curvas a cerca de 270 km/h, 280 km/h, chegando a 5G (força gravitacional) — é definitivamente uma sensação que você não tem em nenhum outro lugar além de um carro de Fórmula 1”, finalizou.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

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