O novo regulamento técnico da Fórmula 1, que estreou na temporada 2026, dividiu opiniões dentro e fora do paddock. Na visão de Alejandro Agag, cofundador e ex-CEO da Fórmula E, uma figura teve papel decisivo para essa mudança: Toto Wolff. Isso porque, segundo o empresário espanhol, o chefe da Mercedes previu que teria vantagem sobre os rivais graças ao conhecimento adquirido pela montadora alemã no período em que competiu na categoria elétrica.
A F1 passou por uma grande mudança técnica em 2026, com alterações simultâneas no chassi e nas unidades de potência. A principal transformação está na divisão de potência do motor híbrido, já que a parte elétrica agora representa 50% da potência total.
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As mudanças geraram críticas no paddock. Um dos maiores opositores é Max Verstappen, que chegou a dizer durante a pré-temporada que os novos carros da F1 pareciam uma “Fórmula E com esteroides” e pediu que a categoria “abrisse mão das baterias” para se afastar do conceito do campeonato elétrico.
Para Agag, essa convergência não é coincidência. O espanhol relembrou a passagem da Mercedes pela Fórmula E, onde disputou três temporadas como equipe de fábrica, entre 2019/20 e 2021/22, e conquistou dois Mundiais de Equipes e Pilotos — com Nyck de Vries e Stoffel Vandoorne — antes de deixar a categoria. O dirigente foi além e colocou Wolff como figura-chave nesse movimento de transformação técnica dentro da F1.

“Quando a Mercedes saiu daqui, foi porque queria levar o que existia na Fórmula E para a Fórmula 1”, afirmou em entrevista ao jornal Marca.
“A principal força por trás do que estamos vendo hoje na F1 é Mercedes e Toto Wolff. Esteve aqui, viu o que estava sendo feito e disse: ‘Vou levar isso para, basicamente, combinar F1 e Fórmula E’”, declarou.
Agag ainda sugeriu que essa antecipação pode ter dado vantagem competitiva à Mercedes no novo cenário regulatório, justamente por já ter acumulado conhecimento prévio na categoria elétrica.
“Como foi ideia dele, agora a Mercedes tem uma vantagem. Isso é claro na diferença para os outros”, completou.

Apesar de reconhecer a influência da Fórmula E na F1 atual, o espanhol criticou o caminho adotado pela principal categoria do automobilismo, defendendo uma identidade mais clara entre as duas competições.
“Acredito que não é um bom caminho para a F1. A categoria deveria voltar a ter mais combustão, motores V8, mais som e deixar a Fórmula E como campeonato totalmente elétrico. Agora está no meio do caminho, não é uma coisa nem outra”, concluiu.
A Fórmula 1 retorna no próximo fim de semana, entre os dias 27 e 29 de março, com o GP do Japão, em Suzuka.
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