F1
Retrospectiva 2025: Alpine chega ao fundo do poço e espera milagre para renascer na F1
Último lugar da Alpine no Mundial de Construtores em 2025 não foi acidente, mas resultado de um projeto errático que nunca correspondeu às expectativas no retorno à Fórmula 1
A Alpine encerrou a temporada 2025 da Fórmula 1 no ponto mais baixo desde o retorno à categoria, como Renault, em 2016. O último lugar no Mundial de Construtores, com somente 22 pontos somados, não foi fruto de um ano atípico ou de um projeto que deu errado por detalhes, mas o resumo fiel de uma década marcada por decisões erráticas, trocas constantes de comando e incapacidade crônica de transformar potencial em resultados consistentes.
Quando a Renault reassumiu o controle da equipe então chamada Lotus no fim de 2015, a expectativa era clara: reconstruir um projeto de fábrica capaz de voltar a disputar vitórias e títulos. Os primeiros anos indicaram uma trajetória de crescimento.
Após terminar o campeonato em nono lugar em 2016 e sexto em 2017, o time deu um salto em 2018 ao conquistar a quarta posição, desempenho que alimentou a percepção de que havia encontrado um rumo competitivo. No entanto, aquele momento se revelou um teto, não um trampolim. Em 2019 e 2020, a Renault estagnou no quinto lugar, incapaz de reduzir a distância para o pelotão da frente e já dando sinais de desgaste interno.
A mudança de identidade em 2021, com rebranding para Alpine, prometia uma nova fase, mas os resultados seguiram irregulares. Desde então, a equipe oscilou entre o quarto e o sexto lugar no Mundial de Construtores, sem jamais se firmar como candidata real a vitórias. O que parecia ser um problema técnico mostrou-se, na verdade, estrutural. As constantes mudanças de rota impediram qualquer continuidade de projeto, tornando a Alpine refém de ciclos curtos e desconectados entre si.

A temporada 2025 expôs esse cenário de forma brutal. Com Pierre Gasly como único piloto capaz de extrair algum resultado do carro, a Alpine terminou o campeonato em décimo lugar, somando os mesmos 22 pontos do francês no Mundial de Pilotos, enquanto Jack Doohan e Franco Colapinto passaram zerados. O francês até teve lampejos, como o sexto lugar no GP da Inglaterra e pontuações isoladas em Bahrein, Espanha, Bélgica e São Paulo, mas esteve longe de mascarar as deficiências do pacote técnico e da organização.
Doohan iniciou o ano e deixou a equipe após seis corridas sem causar impacto real. Colapinto assumiu em meio à temporada e repetiu o desempenho discreto, com um 11º lugar nos Países Baixos como melhor resultado. A troca não alterou a trajetória descendente do time, que acumulou eliminações precoces em classificações, abandonos e resultados sistematicamente fora da zona de pontos, fechando o campeonato como a equipe menos competitiva do grid. A instabilidade no segundo cockpit, embora chamativa, foi apenas reflexo de um problema maior.
Esse fracasso esportivo está diretamente ligado ao caos gerencial que atravessa há anos. Em dez temporadas desde o retorno ao grid, o time passou pelas mãos de nada menos que sete chefes de equipe, além de mudanças frequentes no alto escalão do grupo: seis pessoas sentaram na cadeira de CEO do Grupo Renault no período, criando um ambiente onde decisões estratégicas são constantemente revistas ou abandonadas.
A própria opção de encerrar o programa de motores Renault e adotar unidades da Mercedes a partir de 2026 simboliza o reconhecimento de que o projeto próprio falhou. Para uma montadora com tanta história, que voltou à Fórmula 1 com discurso de protagonismo, abrir mão do status de fornecedora de motores representa um duro atestado de insucesso.

Os números reforçam essa leitura. Nessas dez temporadas, a equipe conquistou apenas sete pódios e não venceu nenhuma corrida, desempenho muito aquém do esperado para uma estrutura de fábrica. O último lugar no Mundial de Construtores em 2025 não foi um acidente estatístico, mas a consequência lógica de anos de decisões fragmentadas, promessas não cumpridas e ausência de liderança clara.
A Alpine não somente andou para trás, ela expôs o esgotamento de um projeto que nunca se consolidou. A aposta em motores Mercedes para 2026 pode até oferecer um alívio técnico, mas dificilmente será suficiente sem uma mudança profunda na forma de gerir a equipe. Assim sendo, a temporada passada corre o risco de não ser um ponto fora da curva, mas apenas mais um capítulo de uma trajetória marcada por expectativas altas e resultados decepcionantes.
A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2026.
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