Indo direto ao ponto: Oscar Piastri pipocou uma vantagem de 34 pontos na liderança da temporada 2025 da Fórmula 1. Por grande parte da temporada, o #81 parecia controlar o próprio destino e, com um foguete em mãos, nadava de braçadas para conquistar o título mundial. No entanto, sucessivos erros em diversos âmbitos, mas em especial individuais e de gestão de corrida por parte da McLaren, abriram caminho para uma derrocada impressionante, que viu o australiano ir de favorito à taça ao terceiro lugar.

Os sinais já começaram confusos logo de cara, na casa do australiano. Na primeira rodada do campeonato, já ficou claro o nível de competitividade que a McLaren exibiria ao longo de toda a temporada. A equipe chegou a encaminhar uma dobradinha confortável em Melbourne, mas o cenário mudou quando a chuva provocou o primeiro de muitos erros capitais de Piastri em 2025.

O #81 rodou e despencou para fora da zona de pontuação. Norris venceu, enquanto Piastri limitou-se a somar apenas dois pontos ao escalar de volta para a nona posição. 

A vantagem de 23 pontos construída por Norris logo na etapa de abertura, no entanto, foi insuficiente. Piastri reagiu rapidamente, conquistou uma vitória importante na China e ainda acumulou 32 pontos no fim de semana sprint em Xangai. O auge da temporada, porém, começaria um pouco depois, com uma sequência impactante de três triunfos consecutivos no Bahrein, na Arábia Saudita e em Miami.

Oscar Piastri emendou terceira vitória seguida em Miami (Foto: F1)

Em Jedá, inclusive, Norris comprometeu o fim de semana ao bater na classificação e terminar a corrida fora do pódio, em quarto lugar. A combinação de resultados foi suficiente para colocar Piastri na liderança do Mundial de Pilotos pela primeira vez no ano — e tudo indicava que o australiano seguiria no controle da disputa até o fim do campeonato.

Piastri passou a ter o próprio destino nas mãos e a oportunidade de se afirmar como o piloto mais consistente da garagem papaia em 2025. E, de fato, começou bem nesta missão: foram nove pódios em dez etapas após a sequência de três vitórias, um desempenho que reforçou a imagem de frieza e regularidade do novo ‘homem de gelo’.

A única exceção neste intervalo foi o GP do Canadá, em que terminou em quarto. Ainda assim, o abandono de Norris em Montreal fez com que o saldo de Piastri permanecesse no verde, mesmo sem um lugar no pódio.

Pouco mais de dois meses depois, no GP dos Países Baixos, Norris abandonou novamente, desta vez traído pelo motor, que falhou, enquanto Piastri venceu e ampliou a vantagem para 34 pontos. Tudo parecia sob controle, mas o ‘homem de gelo’ derreteu logo em seguida, após uma sequência que expôs todas as fragilidades possíveis, tanto do australiano quanto da McLaren. 

Pódio do GP da Itália: os papaias em dia de vergonha (Foto: Red Bull Content Pool)

Embora tenha terminado em terceiro no GP da Itália, a cena da corrida não foi o pódio do #81. Já na parte final da prova, Max Verstappen liderava com relativa tranquilidade enquanto a McLaren aparecia logo atrás. No entanto, uma parada ruim fez Norris perder a segunda posição para Piastri, beneficiado por um pit-stop mais eficiente. Foi a partir daí que a equipe papaia decidiu intervir diretamente na corrida.

Sob o argumento de justiça e da tentativa de evitar que fatores externos influenciassem a disputa em pista, a McLaren ordenou que Piastri devolvesse a posição. A situação se agravou com a mensagem transmitida pelo rádio, na qual a equipe covardemente relembrou Oscar do GP da Hungria de 2024, quando Norris abriu mão da vitória após um undercut involuntário provocado pela própria esquadra inglesa. Piastri, inacreditavelmente, cedeu. 

O australiano, então, emendou uma sequência de seis corridas sem pódio depois disso. Assim, absolutamente do nada. O ponto de ruptura definitivo veio no Azerbaijão. O #81 bateu na classificação, deixou o carro morrer na largada e se envolveu em um novo acidente logo na primeira volta ao tentar se recuperar de uma forma bastante afobada. Uma sucessão de erros difícil de justificar para alguém vivo na briga pelo título e ainda na liderança.

A frieza habitual exibida fora do carro não se traduziu na pilotagem, e Piastri passou a evidenciar dificuldades em lidar com a pressão. A inconsistência custou caro e abriu espaço para a reação do companheiro de equipe.

Piastri derreteu de vez em Baku (Foto: Reprodução/F1TV)

Norris aproveitou o momento e assumiu o controle do campeonato a partir do GP da Cidade do México, quando pulou para a dianteira por 1 ponto ao vencer e ver Piastri ser apenas o quinto. A ultrapassagem no Mundial se consolidou de vez com uma vitória dominante no Brasil, que ampliou a vantagem para 24 tentos.

Ainda assim, a disputa ganhou um capítulo inesperado. A dupla desclassificação da McLaren em Las Vegas, um novo erro da equipe, acabou oferecendo uma sobrevida improvável e inusitada a Piastri. Sem o episódio, Norris chegaria a Abu Dhabi com 426 pontos, contra 404 do australiano, uma diferença praticamente irreversível de 22.

A punição parece ter reacendido Piastri. No Catar, o piloto do #81 dominou o fim de semana, mas viu uma vitória praticamente certa escapar por conta de um erro estratégico gigante da equipe em Lusail — um equívoco que ele próprio classificou como mais doloroso que a desclassificação em Las Vegas.

O óbvio aconteceu em Abu Dhabi, com Norris se sagrando campeão. Piastri sabe que deixou pontos preciosos pelo caminho por erros próprios, mas, no Catar, perdeu uma vitória que poderia ter mudado completamente o cenário da decisão por um erro da equipe, que vacilou em várias outras oportunidades com o australiano. 

Oscar Piastri teve um último respiro no Catar (Foto: AFP)

Momentos como o GP da Itália e o GP do Catar abalaram Piastri, que não pôde se apoiar na própria equipe em momentos cruciais ao longo do ano para tentar sair do fundo do poço. Apesar de não favorecer um dos lados e ter prejudicado igualmente ambos os pilotos ao longo de 2025, a McLaren também não fez favores ao australiano, que se encontrou entregue e sem suporte quando a parte mais importante do ano se aproximou. 

Por outro lado, Piastri passou a segunda metade da temporada dando tiros no próprio pé e se complicando cada vez mais, enquanto Norris teve uma atitude de campeão e cresceu quando os holofotes ficaram mais fortes em 2025.

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