Após Andrea Kimi Antonelli garantir o título mundial de Fórmula 1 no GP da Cidade do México deste domingo (1), Toto Wolff voltou a refletir sobre os desafios que enfrentou com a Mercedes ao escolher o italiano para a vaga deixada por Lewis Hamilton. O dirigente revelou que a equipe chegou a perder patrocinadores, mas garantiu que a decisão “sempre foi um risco calculado”.

Com carreira muito bem-sucedida no kartismo e também nas categorias de base, conquistando títulos como F4 Italiana, F4 Alemã — que, inclusive, vai voltar a existir em 2027 —, Fórmula Regional do Oriente Médio e FREC (antiga FRECA), o natural de Bolonha desde o início era a aposta das Flechas de Prata para o futuro. Com a saída repentina de um dos maiores nomes da história do esporte para a Ferrari, a escuderia de Brackley levou tempo para anunciar quem seria o substituto.

Isso porque outros nomes mais experientes foram avaliados na época, como Carlos Sainz, por exemplo, que perdeu a vaga na escuderia de Maranello como resultado da chegada de Hamilton, e até Max Verstappen, dando início a uma novela que se estendeu por anos, até o tetracampeão finalmente renovar o contrato com a Red Bull em agosto deste ano.

Kimi precisava apenas de um nono lugar para garantir o troféu já no Autódromo Hermanos Rodríguez e trabalhou bem para alcançar esse objetivo. Largou da quarta posição, manteve-se longe de problemas e apenas levou o W17 para a garagem sem procurar grandes emoções, ainda que o desempenho tenha sido forte o suficiente para cruzar a linha de chegada na terceira posição.

Aos 20 anos, 2 meses e 7 dias, tornou-se o campeão mais jovem da história da categoria, superando o recorde que pertencia a Sebastian Vettel desde 2010. O alemão tinha 23 anos, 4 meses e 11 dias quando ergueu o primeiro troféu da carreira com a Red Bull.

“Precisamos até nos beliscar, porque parece que foi ontem que ele tinha 11 anos e estava em uma garagem no kartismo de base. O tempo passa muito rápido”, começou Wolff em entrevista à emissora Sky Sports. “Ele vence as categorias de base, depois enfrenta um ano difícil na Fórmula 2, e é justamente aí que as pessoas de fora começam a duvidar”, lembrou.

Kimi Antonelli chorou em rádio com a Mercedes após a corrida (Vídeo: Reprodução/F1)

“Então, quando Lewis me disse que iria para a Ferrari, minha reação imediata foi pensar que precisávamos colocar Kimi no carro. Mas as pessoas duvidaram. Perdemos dois patrocinadores por causa disso, por questionarem: ‘Quem é esse garoto?'”, seguiu. “Outros permaneceram conosco até hoje. Alguns estão aqui e puderam colher todos os frutos dessa decisão.”

Na sequência, o chefe da Mercedes não deixou de citar os desafios enfrentados por Antonelli em 2025, quando cometeu erros, viveu altos e baixos e chegou a emplacar uma sequência de nove corridas sem pontuar. Neste momento, os questionamentos acerca do italiano aumentaram ainda mais.

“Então veio aquele ano difícil, e as pessoas voltaram a dizer que ele nem deveria estar na F1 ou que deveria correr por uma equipe menor. Foram nove corridas sem marcar pontos, as lágrimas em Spa e, agora, tudo isso. Estou muito orgulhoso da equipe, porque todos continuaram confiando nele, e ele correspondeu”, celebrou.

“Foi algo instintivo. Lewis saiu, liguei para Bradley [Lord, vice-chefe da Mercedes] e disse: ‘Kimi estará no carro no ano que vem’. Conhecíamos os dados, então pareceu a decisão certa. Sempre foi um risco calculado, não um risco de verdade”, concluiu.

Agora, a Fórmula 1 retorna no próximo fim de semana para completar a rodada tripla no Brasil, com o GP de São Paulo. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, diretamente do Autódromo de Interlagos.