Dunne se redime de começo afobado e surge como improvável fator surpresa na F2 2025
As manobras de Alexander Dunne ainda causam certa apreensão, mas não se pode negar que o rapaz é rápido e tem trazido um bom tempero na Fórmula 2 2025
De todos os possíveis nomes que surgiram nos costumeiros prognósticos que são feitos antes do começo da temporada da Fórmula 2, Alexander Dunne certamente não estava entre os mais populares no quesito disputa de título. Talvez nem sequer fosse citado, mas a verdade é que o irlandês tem sido, sim, a grata surpresa deste começo de 2025, ainda que vê-lo em ação na pista cause certos arrepios pela sensação de que vai bater em alguém a qualquer momento.
Uma coisa não se pode negar: o rapaz é rápido. Na corrida 2 da rodada da Emília-Romanha, realizada domingo (18), dosou na medida certa cuidado com os pneus e arrojo para se livrar de um intenso tráfego e escapar de um possível ataque de Luke Browning. E o detalhe era que as ultrapassagens eram feitas sem muito critério, tanto que até tocou em Ritomo Miyata, com direito a pedaço do carro do japonês pelo meio do caminho. Lance de corrida, consideraram os comissários.
Mesmo assim, não se pode negar que foi uma atuação de quem está determinado a conquistar muito mais. Em um circuito travado e que não costuma perdoar erros, ficar preso atrás dos carros que estavam em estratégia diferente — com pneus muito mais desgastados por terem partido para o stint inicial com a borracha mais dura — jogaria por terra a mínima chance de vitória.
Esta, aliás, foi a segunda na temporada, as duas em corridas principais, que são sempre mais valiosas em pontos. Um resultado que não apenas o levou para o topo da tabela, como começou a jogar alguns holofotes sobre ele. Em entrevista recente, afirmou que o foco é total na F2, mas enfatizou ter ciência de que é único representante da McLaren por lá. “Espero que seja algo a meu favor”, destacou.

“Acho que não devo me preocupar muito com minha posição na classificação. É claro que a liderança é o melhor lugar para se estar. Mas acho que o mais importante é estar lá no final do ano, não agora. Estou muito feliz, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Ainda há algumas coisas que podemos melhorar, mas claro que estamos em uma posição muito boa”, salientou depois da corrida em Ímola.
Dunne está certo em ter cautela, porque embora seja o único até o momento a vencer mais de uma vez no ano, restam outras dez rodadas e vários pilotos que certamente vão subir ao degrau mais alto do pódio até lá. Browning, por exemplo, já beliscou dois segundos lugares no ano em quatro pódios, o mais recente na Emília-Romanha, e é dos novatos mais interessantes no grid da F2. Talvez tenha faltado na corrida de domingo exatamente o excesso de confiança, digamos, que o piloto da Rodin parece ter.
Mas a primeira vitória é questão de tempo, ainda que ele não dê muita importância para isso. “Venci bastante no ano passado, mas isso não me levou ao título, então estou atrás do melhor resultado possível no campeonato. Se isso significar não vencer de forma consistente, mas conquistar pontos consistentemente, ficarei feliz”, afirmou.
Em suma, Ímola proporcionou uma etapa que embaralhou ainda mais a disputa, mas também colocou os novatos mais um degrau acima dos veteranos. Richard Vereschoor sofreu desde a classificação, com a bandeira vermelha, e teve de fazer corridas de recuperação para pontuar. Conseguiu um suado nono no domingo, mas deixou a Emília-Romanha em terceiro, agora 9 pontos atrás de Dunne.
Pior ainda foi Victor Martins, novamente em boa posição de largada para tentar enfim desencantar, mas teve problemas e saiu zerado do domingo. Já são mais de 30 pontos de desvantagem e um bonde na escada da F1 que já começou a passar.
A Fórmula 2 retorna neste fim de semana, dos dias 23 a 25 de maio, com a etapa em Mônaco. O GRANDE PRÊMIO acompanha IN LOCO todas as atividades com os repórteres Bernardo Castro e Leonid Kliuev.
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