A Fórmula 2 e a Fórmula 3 concluíram a rodada em Madri, e o fim de semana confirmou as expectativas negativas. Ao todo, considerando as duas categorias, foram realizadas cinco corridas que podem facilmente cair no esquecimento até para o fã mais fanático. Afinal, o que se viu foram disputas praticamente definidas ainda na sexta-feira (11), quando aconteceram as classificações. O pior é pensar que a pista tem acordo para seguir nos respectivos calendários até 2035.

A F3 possivelmente foi quem mais sofreu com a chegada de Madri. Freddie Slater e Ugo Ugochukwu chegaram à etapa final separados por 15 pontos e, tratando-se de dois bons pilotos, a expectativa era de que o embate fosse acirrado. Afinal, com 67 pontos ainda em jogo, existia uma margem considerável para uma virada de Ugochukwu — que se concretizou.

Ugo Ugochukwu virou o jogo e conquistou o título em Madri (Foto: Reprodução / F3)

O problema, no entanto, é que isso aconteceu sem que os postulantes tivessem a chance de se enfrentar. Ou pior: sem que tivessem o necessário para brigar com quem quer que fosse na pista. Slater teve diversos problemas com o carro da Trident na primeira classificação e largou de 17º na Sprint e na Corrida 2. Ugochukwu, por sua vez, fez o quarto tempo e, com o grid invertido na prova curta, saiu de oitavo.

Na última classificação, a Trident conseguiu minimizar os problemas, e Slater registrou o oitavo tempo, enquanto Ugochukwu foi segundo, praticamente selando o título. Afinal, em uma pista sem pontos de ultrapassagem, era praticamente impossível conseguir qualquer recuperação para reverter a situação.

E foi o que aconteceu. Slater até teve bom ritmo, mas era quase impossível abrir caminho e subir na tabela sem contar com um erro dos adversários. Ugochukwu, por sua vez, focou apenas em se manter alheio às confusões e sequer apertou o ritmo para tentar ultrapassar quem estava à frente. Depois de marcar 15 no sábado (12), repetiu a receita no domingo (13) para confirmar a virada e sagrar-se campeão. Em suma, a F3 teve um campeonato decidido na classificação, o que nunca é o ideal.

Na Fórmula 2, foi a mesma coisa. As duas corridas foram monótonas e praticamente decididas na classificação. A Corrida 2 até teve um pouco mais de agitação, em uma disputa que envolveu Rafael Câmara, Mari Boya, Nikola Tsolov e Oliver Goethe. Mas, tirando isso, não resta praticamente nada a destacar.

O incidente de Kush Maini trouxe um longo período de safety-car (Foto Reprodução / F2)

Nem as esperadas intervenções do safety car, que beneficiaram as estratégias de Ritomo Miyata, Joshua Dürksen, Emerson Fittipaldi, Tasanapol Inthraphuvasak e Gabriele Minì, foram capazes de agitar a corrida. Na verdade, elas acabaram se tornando um problema, dada a demora para a liberação da pista. Tanto no incidente envolvendo Kush Maini quanto no de Oliver Goethe, foram necessários cerca de dez minutos para que os carros fossem retirados do traçado. A demora foi tanta que a disputa terminou por tempo, e não pelo número de voltas.

Portanto, ficou claro que, do ponto de vista esportivo, Madri não entregou absolutamente nada para ninguém. Seria prudente, pelo menos, ter esperado a primeira edição da Fórmula 1 para depois decidir se o Madring realmente combina com as categorias de base de alguma forma. Afinal, além da falta de ação, existe a questão dos desafios da pista, que podem colocar em risco a integridade dos pilotos.

E, ainda que houvesse a ânsia de ter uma nova pista de rua no calendário, seria prudente estabelecer um acordo mais curto, com a possibilidade de renovação nos anos seguintes caso a primeira experiência fosse positiva. Mas, mais uma vez, o aspecto esportivo foi ignorado, e agora teremos de lidar com, pelo menos, mais nove edições de etapas em Madri.

A Fórmula 2 retoma as atividades da temporada 2026 entre 24 e 26 de setembro, com o fim de semana no Azerbaijão. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada.