Foi preciso um dos circuitos mais tradicionais da história do automobilismo para mostrar que, sim, a Fórmula 2 2023 é dos veteranos. Por mais que a safra talentosa da última temporada da F3 tenha subido em peso disposta a roubar a cena, o campeonato caminha para ser decidido em favor daquele que obtiver maior consistência nas próximas oito rodadas. E alguns nomes se consolidaram em Monte Carlo, todos já conhecidos.
O primeiro foi Ayumu Iwasa, que deixou para trás a rodada zerada no Azerbaijão e reencontrou não apenas o caminho da zona de pontuação, como também o das vitórias. A classificação poderia ter sido melhor para proporcionar ao japonês um número maior que os 11 tentos somados ao todo, é verdade, mas estar no top-10 é o primeiro passo em busca dessa consistência tão determinante na temporada.
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No caso de Iwasa, o nono lugar no grid para a corrida principal em Mônaco o jogou para a primeira fila da sprint, e é aí que mora o perigo para o cara que está ao seu lado na hora da largada. Com exceção da vitória na corrida curta de Jedá este ano, em todas as outras quatro vezes que cruzou a linha de chegada em primeiro, o representante da DAMS partiu ou da pole-position ou da segunda posição.
Quando consegue pular para a ponta, Ayumu apresenta um controle de corrida como poucos. É, sem dúvida, candidato sério ao título e já começa a despontar como favorito na briga caseira entre os tantos pilotos da Academia da Red Bull que estão na Fórmula 2 esse ano.
“Infelizmente, perdi de novo resultado na classificação”, começou o japonês durante a coletiva de imprensa pós-corrida sprint. “De qualquer forma, estou feliz com esse resultado e a velocidade na corrida. A pilotagem não foi tão difícil, só tentei gerenciar a velocidade, o ritmo e os pneus. O ritmo não estava perfeito, mas também era tão ruim, então vou analisar um pouco mais a minha pilotagem, pois perdi um pouco de ritmo no meio da corrida. Esse foi o único ponto”, salientou.
Mas Mônaco também viu outro veterano brilhar: Frederik Vesti. O dinamarquês alinhou na posição de honra após desbancar Victor Martins na classificação e não tomou conhecimento dos adversários, imprimindo um ritmo forte desde o início e levando a Prema à terceira vitória consecutiva na temporada — Oliver Bearman, seu companheiro de equipe, varrera o final de semana em Baku.
Desde o sábado, ao fechar a sessão que definiu o grid como o mais rápido, Vesti falou sobre o quão especial era aquele resultado por ser no circuito que compõe a chamada Tríplice Coroa do automobilismo. O piloto chegou à sua segunda vitória na temporada — a segunda em corrida principal — e foi o grande responsável por manter a equipe italiana no topo da classificação por mais uma rodada após Bearman sair da Riviera Francesa sem pontos.

“Estamos liderando o campeonato, o que é também é bom. Quero agradecer à Mercedes e à Prema pelo suporte, o carro é mega. Agora, é hora de continuar pressionando, temos corrida já no próximo final de semana, em Barcelona. Vamos continuar dessa forma”, destacou o piloto, que agora é o líder da temporada com 89 pontos e deixa Monte Carlo fortalecido, não apenas para o duelo interno contra Oliver (que, aliás, é um dos novatos do ano), mas também contra aqueles que despontam como os protagonistas de 2023, Iwasa e Théo Pourchaire.
O atual vice-campeão parece ir para os finais de semana ‘com o regulamento debaixo do braço’ — expressão que é muito comum no futebol. Mais uma vez, fez valer a força do carro da ART e alinhou em terceiro no grid, atrás do companheiro Martins. Só que o estreante cometeu um erro infantil durante a intervenção do safety-car — excesso de velocidade sob regime de bandeira amarela — que o tirou do pódio. Ou seja: a inexperiência novamente falou mais alto num momento decisivo, e Victor ainda não conseguiu se desvencilhar da afobação que o ronda.
Não que Pourchaire não tenha cometido suas barbeiragens esse ano, pelo contrário. Mas já são quatro pódios, sendo um no degrau mais alto. E é essa regularidade que deixa o piloto da academia da Sauber a apenas cinco pontos de Vesti no campeonato e já com 15 de frente para Iwasa. Pourchaire, na verdade, parece depender apenas de si mesmo para dominar o campeonato nas oito rodadas restantes. É impressionante como tanto ele quanto Martins tranquilamente estariam num combate próprio, tamanha a superioridade do carro da ART nas classificações.
Mas a Fórmula 2 é isso. O próprio sistema da classe, com o grid invertido para a sprint, proporciona isso, o equilíbrio. Mesmo assim, o título caminha cada vez mais para ficar, sim, nas mãos de um piloto da ART, da Prema ou da DAMS, porém os novatos de cada uma dessas equipes provavelmente terão de esperar mais um ano na fila até terem a sua vez.