Nikola Tsolov lidera a Fórmula 2 com uma vantagem relativamente confortável sobre Gabriele Minì no que tem potencial para se tornar uma das campanhas mais dominantes desde que a categoria adotou a nova nomenclatura, em 2017. Mesmo assim, o búlgaro precisa dar algumas respostas já a partir do fim de semana na Itália, não apenas para se manter em uma boa posição pensando na briga pelo título, mas também visando o próximo passo da carreira junto ao grupo Red Bull.

Embora não seja considerada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) uma categoria mundial, a Fórmula 2 tem muito peso na carreira dos pilotos. O campeonato pode ser considerado uma espécie de vitrine, onde os competidores expõem o próprio talento para chamar a atenção de equipes em diferentes certames do esporte a motor. O foco, quase sempre, é a F1, mas muitos se veem obrigados a recalcular a rota e migram para a Fórmula E, Indy ou endurance.

Mas, vez ou outra, apenas ser campeão da F2 não é suficiente para ser promovido à F1, assim como não conquistar o título não significa que o piloto não estará no grid da principal categoria do esporte a motor. Leonardo Fornaroli, por exemplo, que se sagrou campeão no ano passado, ainda luta para conquistar um lugar na F1. Arvid Lindblad, por sua vez, foi promovido à Racing Bulls em 2026 depois de concluir a campanha de 2025 apenas em sexto.

E é justamente nesse cenário, que envolve diversas variáveis, que a situação de Tsolov chama a atenção. Considerando o retrospecto do búlgaro, uma oportunidade na Fórmula 1 junto à Racing Bulls, caminho similar ao de Lindblad, seria algo natural. Afinal, disputou o título da Fórmula 3 em 2025 e, em 2026, logo na primeira temporada completa de F2, lidera o campeonato e já venceu seis corridas. A título de comparação, apenas Charles Leclerc, em 2017, e George Russell, em 2018, tiveram tanto êxito em vitórias: ambos triunfaram em sete oportunidades em suas respectivas campanhas que renderam o título.

Mas, quando se analisa o cenário dos pilotos do grupo Red Bull como um todo, a balança pesa um pouco contra o búlgaro. Isso porque Liam Lawson surgiu como forte candidato a seguir com a Racing Bull. Depois de uma passagem conturbada pela Red Bull em 2025, o neozelandês retornou à equipe de Faenza e passou a ser constantemente superado por Isack Hadjar.

Em 2026, no entanto, o cenário mudou. Lawson se entendeu com o regulamento e ocupa a nona posição no Mundial de Pilotos, atrás apenas daqueles que defendem as quatro grandes equipes, formadas por Mercedes, McLaren, Ferrari e Red Bull.

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A boa atuação de Lawson pela Red Bull complicou ainda mais a situação de Tsolov (Foto: Red Bull Content Pool)

Como se a boa atuação pela Racing Bulls não fosse motivo suficiente para garantir a sequência em 2027, Lawson foi acionado pela Red Bull para substituir Isack Hadjar no GP dos Países Baixos. E, dessa vez, Liam andou bem com o carro taurino, marcou pontos e mostrou que ainda pode ser muito bem aproveitado pelo time. O outro assento que resta em Faenza é de Lindblad, que também faz uma ótima campanha de estreia e possui uma margem para crescimento considerável. Portanto, uma troca parece improvável.

A incerteza em relação à continuidade de Max Verstappen na Red Bull dava um fio de esperança a Tsolov. Afinal, com uma vaga no time principal, Lawson ou Lindblad seriam promovidos, abrindo espaço para o búlgaro. Mas a confirmação de que o tetracampeão segue na equipe até 2030 deixou o futuro ainda mais dúbio.

Ainda assim, a situação de Nikola não está totalmente perdida, e o próprio Alan Permane, chefe da Racing Bulls, disse que o piloto é visto como o “próximo da fila”. Porém, para fazer a fila andar, o búlgaro terá de continuar apresentando atuações de destaque, e a resposta precisa vir já na próxima etapa, na Itália.

Isso porque, antes de a F2 partir para as férias de verão, Tsolov cometeu um erro na sprint da Hungria que custou caro. Além de ter abandonado a sprint após um movimento afobado em uma disputa com Sebastián Montoya, foi punido com a perda de posições no grid da Corrida 2 e terminou apenas em sétimo, permitindo que Minì e Rafael Câmara se aproximassem.

Tsolov bateu em Montoya na sprint da F2 na Hungria (Foto: Reprodução/F2)

Portanto, apenas administrar a vantagem de 20 pontos para sagrar-se campeão da F2 não parece ser suficiente para que Tsolov consiga uma vaga na F1. O búlgaro também vai precisar de atuações de alto nível, com vitórias e até mesmo pole-positions — algo que ainda não conquistou — para impressionar ainda mais a Red Bull. Tudo isso enquanto lida com a dupla pressão de lutar pelo campeonato e buscar um assento como titular na temporada 2027.

A F2 retoma as atividades da temporada 2026 neste fim de semana, com a etapa na Itália. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do fim de semana.

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