A Fórmula E deu início à temporada 2025/26 oficialmente no último fim de semana, com a disputa de mais um eP de São Paulo sob forte calor e altas emoções no Anhembi. Entre bandeiras vermelhas, amarelas e até um capotamento, a Andretti venceu com Jake Dennis e abriu o campeonato com uma demonstração do que pode fazer — mas não vem fazendo — na categoria. E Felipe Drugovich, que estreou como companheiro do britânico, deixou bela impressão inicial (ainda que a tabela indique algo diferente).

Desde que Dennis venceu o título mundial da Fórmula E, em 2023, a Andretti não consegue mais extrair o potencial total do conjunto Porsche que usa. Enquanto a montadora alemã levou o Mundial de Pilotos seguinte com Pascal Wehrlein e os de Equipes e Construtores na temporada passada, o time americano ficou a ver navios e nunca mais entrou propriamente na disputa por alguma taça.

Dennis seguiu como um piloto confiável e de alto nível, mas os números desde então deixam a queda clara. Desde os 11 pódios que lhe deram o título na primeira temporada da era Gen3, o inglês subiu ao top-3 seis vezes nas duas campanhas seguintes — com uma vitória. As boas colocações nos campeonatos se deram muito mais pela regularidade do piloto do que pela execução da equipe.

Tanto que o outro lado da garagem sempre sofreu. Seja nas mãos de André Lotterer, Norman Nato ou Nico Müller, o segundo carro do time americano nunca conseguiu sequer se aproximar de Dennis e ajudar realmente nos Mundiais de Equipes ou Construtores. A esperança é justamente que Drugovich encerre essa escrita.

Dennis abriu a temporada da Fórmula E no lugar mais alto do pódio (Foto: Andretti)

E o eP de São Paulo que abriu a temporada 2025/26 foi uma demonstração muito interessante do que cada um pode fazer. A Andretti não brilha desde o título de Dennis, é verdade, mas tem o conjunto Porsche à disposição, um campeão mundial e um campeão da Fórmula 2 na garagem. Além disso, um corpo técnico que já conhece o Gen3 há anos e domina o sistema antes da chegada do Gen4. Precisa acertar os ponteiros e entender como extrair do carro, algo que a montadora faz muito melhor.

No Anhembi, a história foi diferente. Forte desde a classificação, com Dennis indo até a final, a Andretti contou com a punição de Wehrlein para largar na pole e soube controlar uma corrida traiçoeira, que pune quem ousar ficar muito tempo de cara para o vento. Adiar a ativação do Modo Ataque se provou primordial e, mesmo que o safety-car não entrasse em cena, Jake e Felipe teriam possibilidades fortes de brigar por pontos nos últimos instantes da prova.

A ativação do carro de segurança, no entanto, permitiu a Jake não só pensar na vitória, mas se tornar o favorito a isso. Com a pancada entre Lucas Di Grassi e Edoardo Mortara, todos os pilotos que haviam ativado o Modo Ataque se viram obrigados a reduzir a velocidade, e apenas dois dentro do top-10 seguiam com uma ativação pela frente: Dennis e Drugovich. Logo na relargada, os dois passaram pela zona da potência extra e abriram a temporada de ultrapassagens.

Jake, que estava à frente, naturalmente teve mais facilidade para alcançar a liderança e não largou mais. Drugovich, que largara em 17º, começou a engolir o pelotão e se colocou em quinto quando a full course yellow causada pela batida de Mitch Evans o obrigou a reduzir a velocidade. Não fosse isso, o brasileiro caminhava tranquilamente para um segundo lugar, completando um resultado que seria incrível para a Andretti na abertura do ano.

Drugovich brigou pelo pódio, chegou em quinto e acabou derrubado para 12º (Foto: Fórmula E)

No fim, ainda veio a bandeira vermelha pelo acidente de Pepe Martí e a punição a Felipe, que ultrapassou durante a amarela e foi derrubado pela direção de prova ao 12º lugar. Ainda assim, considerando o ritmo e a execução de corrida na primeira participação pela Andretti, a sensação foi extremamente positiva.

Logo na primeira corrida de Drugovich pela equipe, a Andretti mostrou que pode sonhar alto na Fórmula E. O potencial da esquadra não tem sido explorado com sucesso nos últimos anos, mas todos os ingredientes seguem por lá: carro, pilotos, estrutura e tudo que se pode imaginar. É uma questão de entender o que dá errado desde o título mundial e corrigir, algo que o time tentou mais uma vez de um ano para o outro. O começo é promissor, e Dennis torce para que o fim seja exatamente igual à única outra vez em que venceu a abertura do campeonato: com taça.

Fórmula E, agora, parte para uma pausa e volta a acelerar no eP da Cidade do México, entre os dias 9 e 10 de janeiro. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.

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