Em sua temporada de estreia na Fórmula E, Dan Ticktum acredita que pode mostrar melhor sua personalidade na modalidade de monopostos elétricos do que poderia na Fórmula 1, por exemplo. O piloto da NIO — que foi mandado embora pela Williams após tecer comentários criticando o titular da equipe, Nicholas Latifi — admitiu que suas chances de chegar à maior categoria do automobilismo se tornaram pequenas, mas vê aspectos positivos em permanecer na FE.
De acordo com a opinião de Ticktum, os pilotos da Fórmula 1 não possuem o direito de se expressarem de forma honesta. Para o piloto britânico, os competidores precisam se equilibrar entre a verdade pedida pelo público e o discurso que beneficia os interesses dos investidores.
“É relativamente perturbador, combina um pouco com a minha personalidade”, disse Ticktum ao site Motor Sport Magazine. “Sinto que somos todos profissionais nesse paddock. Todos estão permitidos a terem sua identidade um pouco mais do que quando se está no caminho para a F1, quando você precisa ficar calado e não falar nada. Especialmente em nossa sociedade, e eu tenho um problema com isso, para ser honesto — acho ridículo”, disparou.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
“Tudo que os fãs pedem é por pessoas que sejam diferentes, e todas as grandes corporações que colocam dinheiro nisso pedem pelo oposto, então é um equilíbrio — você precisa agradar aos dois”, explicou. “No final do dia, sinto que em algum momento a sociedade vai permitir que pessoas se expressem um pouco mais, mas no momento eu ainda preciso filtrar as opiniões”, afirmou.
O grid da Fórmula E conta com alguns ex-participantes da F1, como os campeões Jean-Èric Vergne e Lucas Di Grassi, além do novato Antonio Giovinazzi. Ticktum, que disputava a F2 até o ano passado — terminou em quarto lugar na classificação final — vê a conquista de resultados como única forma de poder se expressar de forma sincera.
“Preciso manter minha cabeça baixa e me estabelecer”, continuou Ticktum. “Mas a Fórmula E permite que você crie sua própria identidade — quanto mais resultados você tiver, mais munição você tem para falar o que quiser”, encerrou.