Dennis brilha, Mahindra decepciona: quem sai do eP de São Paulo em alta ou em baixa
eP de São Paulo expôs brilhos, erros e reviravoltas que devem marcar temporada 2025/26 da Fórmula E. Da vitória brilhante de Jake Dennis até a corrida frustrante da Mahindra, confira quem se destacou positiva e negativamente no Anhembi
O eP de São Paulo abriu a temporada 2025/26 da Fórmula E com toda a intensidade que a categoria elétrica costuma entregar. Entre o jogo estratégico, as disputas milimétricas de sempre e uma sequência de eventos improváveis nas voltas finais, a etapa brasileira já começou moldando narrativas importantes para o restante do campeonato. Desde cedo, ficou claro que a corrida no Anhembi não seria somente a primeira do calendário: seria também um termômetro preciso do que cada piloto tem — ou ainda não tem — para brigar lá na frente. Foi nesse cenário que alguns nomes despontaram, positiva ou negativamente.
Jake Dennis encerrou um jejum que durava mais de um ano e recolocou a Andretti no topo, enquanto Oliver Rowland manteve a rotina de driblar situações complicadas para conseguir bons resultados. Nick Cassidy, por sua vez, mostrou que a aposta na estreante Citroën tem condições de render frutos imediatos — e talvez até maiores do que se imaginava para uma escuderia estreante.
Mas se o sábado foi de celebração para alguns, também expôs fragilidades de outros. A Mahindra deixou o Anhembi com a sensação de que desperdiçou um fim de semana que tinha tudo para ser o melhor da equipe em muito tempo. E a estreia de Pepe Martí, que caminhava para ser notável por motivos positivos, terminou em um acidente tão impressionante quanto frustrante.
Com tantos pontos altos e baixos condensados em um único sábado, o eP de São Paulo deixou impressões fortes sobre quem largou bem no campeonato — e quem já sai pressionado logo na abertura da temporada. A seguir, os nomes que deixaram o Anhembi em alta e em baixa.

Quem sai do eP de São Paulo em alta
Jake Dennis
Ninguém deixou São Paulo mais em alta que Jake Dennis. Não somente pela vitória que encerrou uma seca que durava desde o eP de Diriyah, em janeiro de 2024, mas também pelos sinais positivos dados pela Andretti no fim de semana. Se a classificação foi um problema em 2024/25, a pole-position — herdada no duelo final pela punição de Pascal Wehrlein — dá esperança de que a tomada de tempos possa deixar de ser o calcanhar de Aquiles do time americano. Bem verdade que o britânico também fez boa classificação no Anhembi em 2024 antes da temporada degringolar nesse quesito, então ainda não dá para cravar que o problema foi solucionado, mas o bom ritmo apresentado desde a fase de grupos pode ser um bom sinal. E não dá para não citar a corrida exemplar da Andretti, que executou perfeitamente a estratégia de ativar tardiamente o Modo Ataque e permitiu que Dennis se tornasse o primeiro pole a vencer em São Paulo. O recado foi dado: o campeão de 2023 vem com tudo.
Oliver Rowland
O início da temporada 2025/26 teve roteiro semelhante da maior parte do campeonato anterior: não importa o que aconteça ou quantas coisas deem errado, Oliver Rowland sobe ao pódio. Mesmo sendo eliminado ainda na fase de grupos da classificação, recebeu a bandeira quadriculada no segundo lugar. É incrível sua capacidade de superar adversidades para conquistar bons resultados. Foi assim que levou o título de maneira incontestável e será a chave para o bicampeonato. Sim, os incidentes nas voltas finais seguraram o ímpeto de Felipe Drugovich e Pepe Martí, que vinham atrás com Modo Ataque. Mas são coisas que podem acontecer em qualquer corrida, e de forma alguma tiram o mérito de Rowland por estar no lugar certo para tirar proveito da situação. Se conseguir repetir o padrão com a mesma frequência do último ano, será difícil de destronar.
Nick Cassidy
Em uma corrida que abre a temporada, pode até ser difícil fugir dos pilotos que sobem ao pódio. Mas, neste caso, vai muito além de estourar a champanhe no Anhembi. Nick Cassidy decidiu apostar no novo projeto da Stellantis e, de cara, já mostrou porque é um dos pilares da nova equipe Citroën. Fez valer das suas tão comentadas aulas de gestão de energia e leitura de corridas — principalmente em pelotão — para sair do 15º no grid para chegar no terceiro lugar, colocando o time francês no top-3 logo na estreia. É difícil brigar pelo título numa escuderia novata, ainda mais no último ano de uma geração de carros. Mas se tem alguém que pode conseguir a façanha, é Cassidy. E o eP de São Paulo foi prova disso.

Quem sai do eP de São Paulo em baixa
Edoardo Mortara
O fim de semana parecia ser um recado da Mahindra para o restante do grid. Após brilhar na pré-temporada, o time indiano foi o único a chegar aos duelos da classificação com ambos os carros, e Eduardo Mortara foi eliminado por Dennis nas semifinais com a menor diferença de toda a sessão: meros 0s029. Na corrida, porém, deu tudo errado. Foi tocado pelo companheiro Nyck de Vries na largada e punido por não diminuir a velocidade na área de escape. Para completar, envolveu-se em incidente com Lucas di Grassi e abandonou. Claro que uma prova — ainda mais a de abertura — não sentencia a temporada de um piloto na Fórmula E. Mas num ano em que promete ser um dos mais apertados da história, qualquer ponto perdido pode custar caro.
Nyck de Vries
Para completar o calvário da Mahindra em São Paulo, precisamos falar de Nyck de Vries. O neerlandês foi bem no treino livre e na classificação, mas na corrida voltou a demonstrar sua pior faceta. Logo na largada, quase abalroou a traseira de Dan Ticktum. Mesmo sem acertá-lo em cheio, causou um furo no pneu traseiro esquerdo que desandou com a prova do britânico, encerrada pouco depois. E para evitar a pancada no carro da Cupra Kiro, quem entrou na alça de mira? Justamente o outro carro da escuderia indiana. Dali para frente, a prova do campeão da sétima temporada foi bem discreta. O nono lugar acabou até sendo boa contenção de danos, com sorte pela sequência de intervenções do safety-car na segunda metade da prova. Mas vale aqui a mesma coisa dita a Mortara: cada ponto é valiosíssimo e pode custar caro. De Vries comprometeu não somente a própria corrida, mas também a do seu companheiro e fez com que a Mahindra deixasse o Anhembi com apenas 2 pontos — pouquíssimo para quem chegou vista como favorita do fim de semana. E toda a decepção é culpa dele.
Pepe Martí
É impossível não avaliar negativamente a etapa de Pepe Martí. Sim, era a estreia do espanhol na Fórmula E, então seria injusto esperar um resultado estrondoso, que até parecia possível, já que vinha com o Modo Ataque ativado na reta final e podia seriamente brigar pelo pódio não fosse a FCY causada pela batida de Mitch Evans. Mas o acidente digno dos melhores filmes sobre automobilismo não pode passar batido da avaliação. É normal que novatos cometam erros na adaptação à dinâmica da Fórmula E, mas não é normal acertar a traseira de dois carros sob bandeira amarela e sair capotando. Felizmente, Martí saiu ileso do acidente. Resta agora aprender a lição, levantar a cabeça e seguir em frente, porque o carro da Cupra Kiro é bom — como demonstrado pela ida de Dan Ticktum até a semifinal da classificação — e já demonstrou ser rápido. Se tiver a cabeça no lugar, tem tudo para se recuperar e ser uma grata surpresa na temporada.
A Fórmula E, agora, parte para uma pausa e volta a acelerar no eP da Cidade do México, entre os dias 9 e 10 de janeiro. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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