Rowland reforça aura de invencível em Tóquio e abre contagem para título da Fórmula E
Sem medo de errar, já dá para dizer: só um cataclisma de proporções históricas tira o título de Oliver Rowland na Fórmula E. Em um fim de semana que novamente trouxe de tudo, muita coisa poderia dar errado. E deu, só que para os concorrentes do líder do campeonato — que construiu uma folga inédita na categoria e já consegue vislumbrar a glória
A rodada dupla do eP de Tóquio da Fórmula E 2024/25 teve de tudo. Chuva torrencial que deixou a pista encharcada, classificação cancelada, vitória completamente inesperada, pódio da única equipe que ainda não subira ao top-3, entre outras várias surpresas. Mesmo assim, nada disso bastou para reduzir a caminhada dominante de Oliver Rowland rumo ao inédito título mundial. Pelo contrário, já que o britânico deixa a casa da Nissan com uma vantagem ainda maior do que antes.
A primeira corrida do fim de semana já foi histórica para a Fórmula E, que pela primeira vez em 11 anos não conseguiu realizar a classificação. Sem trégua por parte da chuva, a categoria adiou a sessão algumas vezes antes de decretar o cancelamento e anunciar que a ordem do TL2 formaria o grid de largada. E a sorte de Rowland começou logo aí.
Ciente de que as condições climáticas poderiam causar o cancelamento da classificação, a Nissan ordenou a Rowland e Norman Nato que fizessem voltas mais rápidas no fim do TL2, como forma de se colocar lá em cima. O plano funcionou, a pitada de sorte apareceu e o inglês comandou a prova com grande tranquilidade. A bandeira vermelha bagunçou tudo e permitiu que Stoffel Vandoorne pulasse de último para primeiro, mas o segundo lugar foi mantido sem problemas — e a vantagem saltou para 60 pontos.
Em relação ao belga, a vitória na corrida 1 veio inteiramente na base da estratégia. Pensando em usar o Pit Boost o mais rápido possível, a Maserati mandou Vandoorne gastar energia nas primeiras voltas para se colocar na janela de parada — ou seja, com a bateria entre 60% e 40% de carga. Assim, o campeão pela Mercedes foi o primeiro a parar e, após a bandeira vermelha, aproveitou as paradas dos concorrentes para tomar a liderança. Não foi um resultado com base em desempenho, mas uma grande sacada estratégica da equipe italiana.

Ainda assim, a sorte sorriu para Rowland, que ficou em segundo e viu os concorrentes mais próximos, António Félix da Costa e Pascal Wehrlein, sofrerem. E a situação ficaria ainda mais difícil para os dois na classificação de domingo, que novamente teve Oliver na final. A vitória pertencia a Dan Ticktum, que era mais rápido, até ela — a sorte — sorrir de novo: o piloto da Cupra Kiro enfiou o carro no muro e precisou largar a volta, abrindo mão da pole.
Largando em primeiro e com mais três pontos na conta, Rowland fez uma estratégia um pouco diferente dos ponteiros, guardando o Modo Ataque para os instantes finais da corrida 2. O britânico esperou os rivais usarem, guardou o máximo de posições que pôde e foi com tudo para cima no fim. Deu certo, e a ultrapassagem sobre Wehrlein para tomar a liderança foi coisa de cinema. Mais uma apresentação impecável de um piloto que parece incapaz de errar.
O fim da corrida trouxe certo anticlímax, já que Taylor Barnard — após ótima exibição, mais uma vez — foi jogado no muro por um toque de Edoardo Mortara, que acabou punido e caiu de quinto para 12º. O safety-car entrou na pista e só liberou os carros para a última volta, quando o excesso de energia de todos impediu novos ataques. A entrada do carro de segurança foi particularmente ruim para Wehrlein, que tinha bateria para atacar Rowland no final e precisou se contentar com o segundo lugar.
Também é necessário um parêntese sobre Lucas Di Grassi, que deu mais uma mostra do quanto entende sobre Fórmula E. Em uma pista que premia os melhores colocados no grid, o brasileiro fez uma classificação enorme com a Lola Yamaha e se colocou em sexto. Com um equipamento que luta contra as próprias limitações em termos de eficiência, o campeão da temporada 2016/17 executou a corrida de forma perfeita, sempre recuperando as posições perdidas com o Modo Ataque, e acabou premiado com a punição de Mortara e o quinto lugar. Em grande fase, justifica plenamente a vontade de seguir correndo aos 40 anos.

Apesar dos muitos fatores especiais que permearam o fim de semana, nada conseguiu ameaçar a soberania incrível de Rowland. É o maior domínio que a Fórmula E já viu em um campeonato na história, em uma caminhada a passos largos rumo a um título mundial incontestável. Resta saber o que o inglês ainda pode fazer no caminho demolidor que vem traçando nessa temporada, pois parece simplesmente imparável.
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A distância de 77 pontos na liderança é assustadora, mas a presença constante no pódio e a incapacidade de ter maus resultados é o que dá a impressão de que não há como responder a tal domínio. Em nove corridas, Rowland venceu quatro — e todas as outras cinco foram vencidas por pilotos diferentes (Wehrlein, Vandoorne, Maximilian Günther, Mitch Evans e Sébastien Buemi). De todas elas, só não foi ao pódio em duas (sendo que em uma delas, em São Paulo, acabou punido por uma questão técnica).
É um caminho avassalador, que deixa os rivais parecendo meros coadjuvantes da melhor temporada que o esporte já viu. O destino bem que tentou, com chuvas, trovoadas e todo o caos que o eP de Tóquio pôde proporcionar. Nem ele, porém, parece capaz de impedir o destino de Oliver Rowland, que já consegue enxergar o brilhante troféu da Fórmula E no horizonte.
A Fórmula E faz uma pausa no próximo fim de semana e volta logo no outro, com o eP de Xangai programado para acontecer entre os dias 31 de maio e 1º de junho. O GRANDE PRÊMIO, assim como em toda a temporada, transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e no Kwai.
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