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Retrospectiva 2025: Rowland comanda com punho de ferro em esperada glória da Nissan

Fórmula E

Retrospectiva 2025: Rowland comanda com punho de ferro em esperada glória da Nissan

Oliver Rowland levou a melhor na temporada da Fórmula E com absoluto comando. Dá para argumentar que foi a campanha mais dominante da história da categoria

Pedro Henrique Marum

Publicado em

É possível impor a discussão de que Oliver Rowland viveu a temporada mais dominante de toda a história da Fórmula E. Não há um documento que defenda coisas assim, fica a base um pouco nos números e bastante no teste dos olhos. Mas o que não dá para negar é que o campeonato 2024/25 jamais ofereceu qualquer impressão diferente daquela que o final comprovou: que Rowland nunca passou perto de perder o comando.

As primeiras indicações de que algo acontecia vieram nos testes de pré-temporada. Foi um período conturbado para a Fórmula E. A semana de testes estavam marcadas, como sempre acontece, para o Autódromo Ricardo Tormo, em Valência, na Espanha, base da categoria. Mas dias de uma tormenta trágica impossibilitaram as atividades. A pré-temporada precisou ser adiada e mudada para Jarama, próximo a Madri. E o que se viu por lá foi uma força atroz da Nissan. Após dois anos de Gen3 dominados por Jaguar e Porsche, a marca japonesa dava sinais de que poderia bagunçar o status quo.

As duas vencedoras dos últimos anos e seus representantes reagiram apontando a possibilidade de Rowland entrar na briga. Em entrevista exclusiva concedida para o GRANDE PRÊMIO durante o eP de São Paulo, negou qualquer traço de favoritismo.

“Tem muita gente falando de nós, mas acho que estão desviando um pouco da atenção deles. Sabemos que evoluímos o carro, particularmente nas corridas. Estou bem confiante que, quando chegar a corrida, estaremos lá. Mas ainda estou um pouco incerto quanto à classificação. Essa será a chave para este ano, acertar na classificação, entender os pneus rapidamente e competir em um alto nível”, analisou.

Oliver Rowland falou com o GRANDE PRÊMIO em São Paulo (Foto: Guilherme Bloisi/GRANDE PRÊMIO)

O temor pelo rendimento de classificação caiu por terra logo naquele sábado no Anhembi. Rowland garantiu a segunda posição no grid, atrás apenas do campeão vigente Pascal Wehrlein. E saiu sem pontos na corrida, é verdade, mas fruto de uma etapa extremamente acidentada. Era apenas o começo.

As oito corridas seguintes, em Cidade do México, Miami e a rodadas duplas de Jedá, Mônaco e Tóquio, Rowland empreendeu um domínio que jamais havia sido visto na categoria em período semelhante.

Mais uma vez, uma avaliação das posições de largada mostram que a grande preocupação da Nissan havia sido respondida com estado de graça. Nestas oito provas além de São Paulo, Rowland conquistou três poles e ficou atrás da segunda fila somente em Miami, onde o carro realmente não respondeu bem. Foram cinco primeiras filas.

Impressionante. Dominante, até, mas inferior aos resultados de corrida. Como Rowland falava antes de tomar a pista para começar o campeonato de estreia dos carros Gen3 Evo, o ritmo de corrida não estava sob questão. No mesmo recorte de oito corridas, o inglês ficou sete vezes nas duas primeiras posições — quatro vitórias e três segundos lugares. Apenas o décimo posto em Miami destoou, mas ainda rendeu pontos.

Tommaso Volpe, chefe da Nissan, abraça Oliver Rowland (Foto: Fórmula E)

Com a Jaguar caindo pelas tabelas e a Porsche sem a consistência de outros anos, embora com bastante força, disparou no campeonato. O calendário ainda contava com sete corridas pela frente, mas Rowland já abrira 77 pontos. Como tirar essa diferença?

Nas últimas sete corridas, etapas duplas de Xangai, Berlim e Londres, bem como a prova solitária de Jacarta, as coisas mudaram. Rowland não venceu mais, nem sequer foi ao pódio. Fez dois top-5, três top-10 e ficou quatro vezes fora dos pontos, incluindo dois abandonos. Mesmo assim, os rivais da Porsche precisariam disparar com domínio semelhante ao seu próprio para ter chance. Não aconteceu. Quem se encontrou, saindo do nada, foi a Jaguar, que venceu cinco destas provas, quatro com Nick Cassidy.

Para Rowland, o suficiente para ver se pagar a aposta feita lá atrás pela Fórmula E. Ao longo dos anos, pela própria Nissan em tempos muito distintos, foi afetado por carros medíocres. A mudança para a Mahindra terminou sendo desastrosa, com o piloto pedindo para sair antes do meio do campeonato, frente ao talvez pior motor já visto pela categoria. Voltar ao time franco-japonês foi um presente que soube aproveitar.

“No meu pensamento, já ia para Londres com 23 pontos de vantagem. Foi assim que encarei a corrida antes da largada. Estava nervoso e me sentindo péssimo. Parecia que ia chorar a qualquer momento”, contou ao site neerlandês RacingNews365 logo após conquistar o título de maneira antecipada, em Berlim.

Nick Cassidy foi quem dominou a segunda metade da temporada. Mas estava longe demais para pegar Rowland (Foto: Fórmula E)

“Ainda não caiu a ficha, mas já me sinto aliviado. Sentia muito peso nos ombros antes da corrida, porque Pascal estava em grande forma. Já estava ficando preocupado, mas no fim deu tudo certo”, concluiu.

Um dos pilotos mais rápidos da Fórmula E ao longo dos últimos dez anos, finalmente Rowland teve nas mãos um carro para brilhar. E brilhou, ainda quebrando um que parecia uma era de Porsche e Jaguar. Bom para o campeonato.

A temporada 2025/26 começa no dia 5 de dezembro, com o eP de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi.

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