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Retrospectiva 2025: Porsche dribla tensão interna e realiza sonho com título na Fórmula E

Fórmula E

Retrospectiva 2025: Porsche dribla tensão interna e realiza sonho com título na Fórmula E

Porsche apostou alto, encarou dores do crescimento, incertezas e tensões internas, mas finalmente chegou ao topo da Fórmula E com a conquista do Mundial de Equipes na temporada 2024/25

Marcos Gil

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A Porsche coroou em 2025 a aposta feita em 2017, quando decidiu encerrar seu programa vitorioso no Mundial de Endurance (WEC) para focar na Fórmula E. Após cinco temporadas completas de evolução e dores de crescimento, a montadora alemã contornou a tensa relação entre Pascal Wehrlein e António Félix da Costa para conquistar pela primeira vez o Mundial de Equipes. Após tantos anos, foi como a consolidação como referência na categoria — e estende o caminho para novos capítulos da história elétrica de Weissach.

A decisão de migrar do WEC para a Fórmula E foi estratégica. Após o fim do projeto do protótipo 919 Hybrid, a Porsche enxergou na categoria de monopostos elétricos um campo para alinhar inovação tecnológica, relevância de mercado e vitrine esportiva.

A estreia oficial aconteceu em 2019/20, com André Lotterer e Neel Jani. Logo na primeira corrida, veio um pódio em Diriyah, sinalizando potencial imediato. Mas a sequência também deixou claro que o desafio seria longo. O resultado de Lotterer só se repetiria uma vez no campeonato. E, com um Jani que pontuou somente em uma prova, a equipe alemã fechou seu primeiro ano em um modesto oitavo lugar no Mundial de Equipes.

No início da temporada 2020/21, Pascal Wehrlein foi contratado para representar uma virada no projeto. Mas, apresar do alemão rapidamente assumir papel de protagonista, os campeonatos seguintes foram marcados por resultados intermediários, com a Porsche ainda em processo de adaptação às particularidades da Fórmula E.

Wehrlein conquistou a primeira vitória da Porsche na Fórmula E em 2022 (Foto: Porsche)

Wehrlein e Lotterer somaram alguns pódios e mantiveram o time competitivo, pontuando com regularidade, mas as vitórias não vinham. Em Puebla, o alemão até conseguiu o triunfo na pista, perdido por falha administrativa da equipe na inscrição dos pneus. A falta de resultados gerou questionamentos sobre a continuidade na categoria, ao passo que a montadora acenava com a possibilidade de ingressar na Fórmula 1.

A primeira vitória oficial da equipe viria no México, em 2022, com Wehrlein liderando uma dobradinha histórica ao lado de Lotterer. A Porsche, enfim, mostrava força para brigar na frente, apesar de ainda faltar consistência para sustentar uma campanha pelo título. Pelo menos, a participação no campeonato parecia cada vez mais consolidada — e os planos de uma possível retiradas foram pausados.

Em 2023, a contratação de António Félix da Costa foi mais um passo na direção da consolidação como uma equipe de ponta. Já campeão e com sete vitórias no currículo, o português adicionou peso e experiência ao time. Mas o que mudou mesmo o time alemão de patamar foi a chegada do regulamento Gen3, que representou um salto de competitividade. Pela primeira vez, a Porsche passou a ser protagonista da Fórmula E, e gerou até certo medo de que fosse dominar a categoria.

Logo no primeiro ano, Da Costa levou uma vitória e pódios importantes para ajudar a Porsche a alcançar o quarto lugar no Mundial de Equipes — melhor resultado até então — e se consolidar como candidata ao topo. Mas a relação entre o português e Wehrlein nunca foi simples: ambos fortes, determinados e com estilos diferentes, criaram um ambiente competitivo que se tornou cada vez mais delicado na garagem.

Apesar do relacionamento conturbado, Wehrlein e Da Costa levaram Porsche ao Mundial de Equipes em 2025 (Foto: Porsche)

Mesmo assim, a Porsche seguia evoluindo e se aproximava do auge. Em 2024, Wehrlein foi campeão do Mundial de Pilotos, coroando a evolução técnica e esportiva da equipe. A conquista, porém, expôs de vez o atrito com Da Costa, que se sentiu preterido no projeto.

Apesar de chegar como uma das favoritas, a campanha da temporada 2024/25 não foi marcada por domínio. Com a ascensão da Nissan e Oliver Rowland, a Porsche venceu somente uma vez — com Wehrlein, em Miami. A chave para o título foi a consistência. O time japonês sofreu com Norman Nato e precisou ser carregado por Rowland, enquanto a Jaguar teve uma péssima primeira metade de campeonato. Assim, os alemães aproveitaram e colocaram os dois carros na zona de pontuação em seis provas — maior marca entre todas as equipes.

O título, no entanto, não veio sem turbulência. As tensões entre Wehrlein e Da Costa ficaram expostas logo no início do campeonato, no desfile de pilotos antes do eP de São Paulo. A equipe precisou intervir para evitar que o confronto interno comprometesse a campanha — como no eP de Berlim, quando ambos bateram durante o TL1.

No fim, a regularidade prevaleceu. Wehrlein fechou o ano como principal pontuador, subindo ao pódio seis vezes na campanha, enquanto Da Costa entregou resultados-chave em etapas decisivas, especialmente nas corridas finais — pontuou em cinco das últimas seis provas. A soma dos esforços, mesmo em um ambiente competitivo e por vezes desgastado, garantiu o primeiro Mundial de Equipes da Porsche na Fórmula E.

Com a missão cumprida, a montadora foi atrás de paz para tentar transformar a conquista em hegemonia, e Da Costa não segue na próxima temporada. Com permanência na Fórmula E garantida até pelo menos 2030, a Porsche inicia um novo ciclo, almejando repetir no ambiente elétrico o domínio que um dia construiu nas pistas do endurance.

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