Como tem sido de costume nas corridas da Fórmula 1 em Suzuka nos últimos tempos, a prova do último domingo não foi daquelas que ficará estampada na memória do torcedor. As regras atuais, é bem verdade, ainda favorecem uma bagunça especialmente na largada que cria certo remelexo que prende os olhos, mas o que vai permanecer mesmo do GP do Japão de 2026 é o acidente de Oliver Bearman. Tanto pela batida em si, quanto pelo efeito das regras e até mesmo pelo fato de ter definido a vitória.

E veio no fim do período de avaliações da F1 quanto ao possível ajuste do regramento à realidade do que os carros mostram na pista. Carlos Sainz chegou a afirmar que “era questão de tempo” para algo assim acontecer. Franco Colapinto vinha mais lento no fim de uma das retas em Suzuka, já no modo lift & coast de recarga de energia, enquanto Bearman chegava a toda velocidade. Quando o piloto da Haas reagiu, precisou jogar o carro para fora da pista, rodou e cravou o muro num impacto de 50G de força. Até mesmo a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) soltou comunicado reforçando que as maneiras deste começo de ano estão sob revisão e nunca foram desenhadas como cláusulas pétreas. A ver.

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Já na pista, as Mercedes voltaram a largar na frente e mal. Andrea Kimi Antonelli voltou a sair na pole, mas ser engolido de novo — desta vez por uma penca de gente — não cai bem. Oscar Piastri, que finalmente conseguiu largar em 2026, saiu bem e tomou a ponta, mas já era George Russell quem liderava quando a janela de pit-stops abriu. Russell parou, Piastri foi atrás e mais gente foi junto. Antonelli permaneceu na pista e foi agraciado com o safety-car que permitiu parar e voltar na frente, encurtando um caminho que parecia impraticável de percorrer.

Antonelli aproveitou a chance e conquistou uma vitória que não era sua, absolutamente, deixando Russell nervoso no rádio da Mercedes e para trás na contagem do campeonato. O mais positivo para a McLaren, além de conseguir sair com os dois carros, foi ver que a Ferrari não está em outro mundo. Pudera, desta feita, Piastri conseguiu até brigar com os carros da Mercedes — e sabe lá se seria superado por Kimi caso o safety-car não jogasse contra. A Ferrari é quem terminou cabisbaixo entre as equipes da frente. Mas, a bem da verdade, a grande derrotada é a Red Bull, que cada vez mais dá pinta de ser uma equipe do pelotão intermediário.

Agora, a F1 para por mais de um mês, por conta dos adiamentos de Bahrein e Arábia Saudita. É tempo longo para repensar partes do regulamento, bem como projetos e atualizações de carros e maneiras de guiar. Será uma Fórmula 1 diferente quando o campeonato aportar em Miami, em maio.

As notas do Ranking GP são distribuídas por Gabriel Carvalho, João Pedro Nascimento, Luana Marino e Pedro Henrique Marum.

Kimi Antonelli lidera o campeonato após três corridas (Foto: Mercedes)

1º) Andrea Kimi Antonelli – 8.0 – Não foi uma jornada brilhante. É um Antonelli mais confiante, sem dúvidas, vide a pole do sábado, mas a vitória do domingo foi absolutamente circunstancial no que era uma exibição, até ali, mixuruca. Mas títulos também são construídos com capítulos assim.

2º) Oscar Piastri – 9.0 – Olha só quem finalmente participou! Piastri começou a temporada a valer e foi muito bem. Dá para dizer que foi o piloto de melhor nível ao longo do GP do Japão e, numa pista bem diferente de Austrália e China, mostrou McLaren bem mais próxima das rivais.

3º) Charles Leclerc – 8.0 – Mesmo com dificuldades com o carro que não tenta esconder, continua tirando razoavelmente quase tudo que dá etapa após etapa. Ir ao pódio em Suzuka foi demonstração de firmeza.

4º) George Russell – 5.5 – É verdade que, caso o safety-car não viesse em hora imprópria, teria ficado de rosto para o vento e, muito provavelmente, dispararia para uma vitória tranquila. Mas um campeonato é feito também de percalços assim, e um piloto com a experiência e aparente maturidade precisa responder de maneira muito mais razoável do que aquela demonstrada por Russell no Japão.

Oscar Piastri brilhou em Suzuka (Foto: McLaren)

5º) Lando Norris – 7.0 – Distante do rendimento do companheiro de equipe, o atual campeão mundial ainda se vê às voltas com a dura realidade de ter perdido uma bateria para o resto da temporada na China, duas semanas atrás. Ao menos a McLaren mostrou um pouco de razão para otimismo.

6º) Lewis Hamilton – 6.0 – Entre os pilotos com melhores carros no grid, foi claramente o de pior rendimento. Diferente das primeiras duas corridas, Hamilton não conseguiu se entender com o carro e foi facilmente superado pelos pares.

7º) Pierre Gasly – 8.5 – O maior cadeado de Verstappen na temporada. Gasly é, até aqui, o grande piloto do pelotão intermediário em 2026, algo que engloba até mesmo a Red Bull.

8º) Max Verstappen – 6.5 – Revolta para lá, revolta para cá, mas nada de conseguir passar Gasly. O tetracampeão sofre com o carro, que ainda é deficitário, é bem verdade. Mas também não consegue entendê-lo, algo que é papel do piloto. Especialmente dum piloto como ele.

Max Verstappen voltou a ter dificuldades (Foto: Red Bull Content Pool)

9º) Liam Lawson – 7.0 – Tratado como praticamente habitante da fila do descarte da Red Bull no fim do ano, faz um campeonato bem honesto neste começo de ano. Mais uma vez, levou a Racing Bulls a pontos num fim de semana de idas e vindas da briga por ali.

10º) Esteban Ocon – 7.0 – Ainda não é a força dos sonhos, mas Ocon pelo menos consegue colocar a Haas em posição de pontuar. Numa corrida marcada pela destruição do outro carro da equipe, não dá para desprezar a importância.

11º) Nico Hülkenberg – 6.0 – Pior na classificação, melhor na corrida em relação a Bortoleto. A Audi ainda tem questões múltiplas a resolver e está consideravelmente abaixo das principais rivais do pelotão intermediário, mas Hülkenberg entrega o que é possível.

12º) Isack Hadjar – 5.5 – É verdade que está mais próximo de Verstappen que os rivais anteriores, mas, como a Red Bull está em posição paupérrima na ordem de forças do campeonato, não tem sido o suficiente para sair muito contente das provas.

Gabriel Bortoleto não pontuou (Foto: Audi)

13º) Gabriel Bortoleto – 5.5 – A Audi sofre na corrida, mas a temporada de Bortoleto, é necessário admitir, é bastante irregular. Nada dramático, mas será necessário ganhar campo conforme o ano avançar.

14º) Arvid Lindblad – 5.5 – Depois da ótima estreia, o novato viveu mais um fim de semana complicado. Num grid experiente e na situação confusa das regras atuais, não chega a assustar.

15º) Carlos Sainz – 6.0 – É difícil de notar, porque é só isso que a Williams tem para entregar, mas Sainz apresenta bom nível de pilotagem em 2026.

16º) Franco Colapinto – 4.5 – Onde estão os pontos, Franco? A sensação, mesmo depois do acidente de Bearman, no qual foi testemunha inocente, era de que estava na briga, mas nada feito. Enquanto Gasly foi muito bem, Colapinto sofreu.

Fernando Alonso conseguiu terminar a corrida desta feita (Foto: Aston Martin)

17º) Sergio Pérez – 6.0 – Fez um pouco mais com a Cadillac, mas o que dá para esperar?

18º) Fernando Alonso – 5.5 – Terminou uma corrida! É preciso aceitar as vitórias que existem.

19º) Valtteri Bottas – 4.5 – Único que tentou largar de pneus duros. A estratégia não funcionou.

20º) Alexander Albon – 4.5 – Viveu praticamente um dia de testes, sem muito a destacar.

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21º) Lance Stroll – 4.5 – Já estava no fim do pelotão e ainda precisou abandonar com problemas no carro. É o 2026 da Aston Martin.

22º) Oliver Bearman – 5.0 – Vivia a etapa de menos destaque na temporada, mas o acidente chegou sem aviso e foi absolutamente assustador. Importante dizer que Bearman não cometeu nenhum grande erro, mas a realidade das regras se impôs de maneira brutal.

GP do Japão – 5.5 – Um pouco mais animado do que as corridas da F1 em Suzuka andam sendo, mas longe de ter sido de chamar a atenção. O acidente de Bearman, com importância até para alterar diretrizes das regras para o resto do ano, foi o momento capaz de ser lembrado.

Melhor GP – GPs da Austrália e China – 7.0
Pior GP – GP do Japão – 5.5
Média: 6.5

MÉDIA DA TEMPORADA:

1º) Charles Leclerc – 8.2
2º) Andrea Kimi Antonelli – 8.0
3º) Pierre Gasly – 8.0
4º) George Russell – 7.7
5º) Lewis Hamilton – 7.5
6º) Oliver Bearman – 7.3
7º) Lando Norris – 6.7
8º) Max Verstappen – 6.5
9º) Arvid Lindblad – 6.3
10º) Liam Lawson – 6.3
11º) Isack Hadjar – 6.2
12º) Gabriel Bortoleto – 6.2
13º) Nico Hülkenberg – 6.0
14º) Carlos Sainz – 6.0
15º) Fernando Alonso – 5.8
16º) Franco Colapinto – 5.5
17º) Esteban Ocon – 5.3
18º) Sergio Pérez – 5.2
19º) Valtteri Bottas – 5.0
20º) Alexander Albon – 4.8
21º) Lance Stroll – 4.8
22º) Oscar Piastri – 4.8

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