A Fórmula 2 2024 chega à última rodada neste fim de semana, em Abu Dhabi, com a disputa do título aberta e três pilotos no páreo: Gabriel Bortoleto, Isack Hadjar e Paul Aron. Depois de uma etapa movimentada no Catar, os dois primeiros colocados na tabela estão separados por mísero 0.5 ponto, enquanto o estoniano da Hitech corre por fora e chega embalado depois de finalmente subir ao degrau mais alto do pódio na temporada.
Zane Maloney chegou em Lusail com possibilidades matemáticas, porém a etapa de estreia na Fórmula E coincidindo com Abu Dhabi acabou tirando-o de jogada. E ainda que estivesse no fim de semana em Yas Marina, brigaria, no máximo, pelo terceiro posto, já que encerrou a rodada catari com 48 de distância para Hadjar, segundo colocado.
É difícil, no entanto, apontar favoritos, ainda que Bortoleto e Hadjar sejam os principais nomes. Aron tem 25.5 de distância para o brasileiro com 39 pontos em jogo. Será preciso torcer por tropeços dos rivais, claro, mas isso é algo muito capaz de acontecer em um sistema que conta com inversão de grid em uma das corridas. Não há, portanto, o menor espaço para vacilos.
O 10+ desta semana recorda a caminhada de cada um dos candidatos ao título da F2 2024 na temporada em dez momentos, desde vitórias épicas a poles inesperadas. Confira:

Paul Aron
Sequência de pódios no começo do ano
Aron surgiu como grande surpresa já no início da temporada ao anotar nada menos que sete pódios nas sete primeiras rodadas. Além disso, na 14 corridas realizadas até a Áustria, a única vez que ficou fora da zona de pontos foi na sprint da Austrália, quando foi somente 18º.
Liderança em Mônaco e primeira pole na Espanha
A impressionante regularidade levou Aron ao topo da tabela em Mônaco. Faltava ainda a vitória, e a primeira chance veio na Espanha, ao conquistar a pole-position. Só que não apenas foi superado por Jak Crawford, em condições melhores de pneus, como ainda cometeu um erro quando tentava recuperar o posto e terminou somente em quarto.
O jogo começou a virar contra Aron ao deixar a primeira etapa zerado, na Inglaterra. Coincidentemente, Hadjar venceu e assumiu a ponta da tabela, valendo-se do tropeço do rival.
Vitória e chance de título viva
Aron teve uma sequência negativa da corrida 2 da Hungria até a rodada do Azerbaijão, anotando somente 4 pontos em 105 possíveis. Só que não foi o único a ter altos e baixos, o que permitiu chegar ao Catar com as chances de título ainda vivas. E, dessa vez, a sorte resolveu sorrir ao ver Bortoleto ser punido e enfim conquistar a sonhada vitória depois de quatro pole-positions.

Isack Hadjar
O início da virada na Austrália
O começo de temporada não foi dos melhores para o francês, com três abandonos em sequência — um por acidente (em lance envolvendo Bortoleto, no Bahrein) e dois por problemas de confiabilidade do carro da Campos na Arábia Saudita.
Veio, então, a Austrália, e depois de perder a vitória na corrida sprint por conta de 10s de punição, Hadjar foi cerebral ao realizar a parada no momento certo na corrida 2 e ainda efetuar ultrapassagens arrojadas ao longo da prova. Era o primeiro sinal de que seria uma bela pedra no sapato de quem fosse.
O primeiro embate contra Bortoleto na Emília-Romanha
Hadjar precisou de muito controle para administrar os pneus na reta final da corrida 2 da rodada da Emília-Romanha, em Ímola, e frear o ataque de Bortoleto. Em estratégias diferentes, os dois se encontraram para valer nas três voltas finais, quando o brasileiro enfim entrou na zona de detecção da asa móvel, mas Isack deve fôlego para responder e cruzar a linha de chegada em primeiro, apenas 0s5 à frente.
Ascensão, queda e renascimento no Catar
Hadjar venceu mais duas vezes depois de Ímola, na Inglaterra e na Bélgica, mas era evidente que fazia toda a diferença ao volante do carro da Campos ao conseguir equilibrar a disputa contra a Invicta de Bortoleto. Mas a impressionante falta de ritmo na Itália e o problema que o jogou para o fundo do pelotão na classificação no Azerbaijão abriram caminho para o rival tomar a dianteira com tranquilidade.
No Catar, Hadjar novamente foi ao limite para colocar o carro da Campos no top-10. Teve erro na sprint, é verdade, mas lutou o máximo que pôde e se beneficiou da punição a Gabriel para levar a decisão para Abu Dhabi por uma diferença de pontos quase nula.

Gabriel Bortoleto
Pódio em Monza: o começo da arrancada
Assim como Hadjar, o início de ano de Bortoleto também foi permeado por obstáculos que fugiam do seu controle. Foram três abandonos por questões envolvendo o carro, até que, na Emília-Romanha, conquistou a segunda pole-position da temporada — primeira como o mais rápido da classificação, já que herdou o posto no Bahrein por conta da desclassificação do companheiro de equipe, Kush Maini.
Hadjar acabou vencendo a corrida, embora Gabriel tenha pressionado bastante no fim, mas dali em diante, ele aproveitou a significativa melhora da Invicta para subir ao pódio na corrida seguinte, em Mônaco, e pontuar consistentemente até a rodada da Áustria.
Primeira vitória e top-3 no campeonato
Era questão de tempo, portanto, até a primeira vitória de Bortoleto surgir, e ela veio em grande estilo, na corrida 2 da rodada da Áustria. Em terceiro no grid, assumiu a segunda posição logo na largada e precisou de mais alguns giros para tomar a liderança. Ainda administrou bem os pneus e neutralizou qualquer tentativa de ataque de Franco Colapinto. O resultado o colocou no top-3, atrás de Hadjar e Aron.
O apogeu na Itália
Mas o melhor estava por vir, e aconteceu justamente em um fim de semana em que o nome de Bortoleto começou a ser ligado à vaga da Sauber para 2025, na Fórmula 1. O erro na classificação no veloz circuito de Monza o jogou para o fim do grid, porém Bortoleto iniciou a impressionante escalada na sprint, ao cruzar a linha de chegada rigorosamente empatado com Dennis Hauger. Sem saber o que fazer diante da situação rara, a direção de prova optou por dividir o tento da posição, deixando cada um com 0.5.
Veio o domingo, e Bortoleto experimentou o gosto da tal ‘sorte de campeão’ que tanto se fala. Ok, o safety-car foi preciso em colocá-lo na liderança, mas o trabalho começou a ser feito ainda na largada, ao passar ileso pelo caos causado por Josep María Martí e já surgir em 15º. Pouco a pouco, foi galgando posições até o momento da parada, e mesmo com carros tendo de parar à sua frente, não quis saber de esperar e efetuou belas ultrapassagens até a liderança.

Sufoco no Catar e liderança por 0.5 ponto
Bortoleto chegou ao Catar com 4.5 de vantagem sobre Hadjar. Aron, por sua vez, era o quarto, mas ganhou sobrevida ao conquistar a pole. Gabriel ficou com a segunda posição, enquanto o francês lutou para colocar o carro da Campos em nono e ganhar a primeira fila com o grid invertido na sprint. Só que ele escolheu os pneus mais macios para a prova curta e pagou o preço pelo alto desgaste. Ainda rodou e ficou fora do pódio, descontando 1 ponto na diferença para Gabriel, que cruzou a linha de chegada em sexto, mas subiu para quinto após punição de Aron ao final da prova.
Na corrida de domingo, Bortoleto assumiu a liderança em uma largada segura, porém se complicou no safety-car virtual no momento em que se dirigia ao pit-lane. Por cruzar a linha da entrada, tomou 5s de punição. Para piorar, a Invicta ignorou a possibilidade de usar Maini de escudo para bloquear Hadjar por ao menos uma volta e permitir a Gabriel abrir a distância necessária para não perder a posição para o rival. Isack terminou em segundo, enquanto Bortoleto foi o terceiro — 3 pontos a favor do piloto da Campos que deixaram o campeonato praticamente empatado.
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