Álex Palou mantém uma trajetória impressionante na Indy e conquistou neste domingo (30), após encerrar o GP de Milwaukee 1 na décima colocação, o quinto título em apenas sete temporadas disputadas na categoria. Uma janela de domínio absolutamente impressionante — e como nunca antes vista na história recente do campeonato.
Palou passou de um mero desconhecido que chegou à Dale Coyne em 2020, perambulando atrás de oportunidades para correr porque o aspecto financeiro nunca o acompanhou, a um dos maiores nomes de todos os tempos. Poucos anos depois, já é o terceiro maior campeão de uma categoria que reúne registros desde 1905, graças também a um casamento praticamente perfeito com a Ganassi, parceria iniciada em 2021.
É recorrente no paddock a pergunta sobre o que fazer para parar Álex Palou. O espanhol encerrou qualquer possibilidade de equilíbrio na disputa pelo título e transformou a temporada em uma briga pelo vice-campeonato. Ninguém parece encontrar respostas para frear o sucesso de um piloto que, ano após ano, estabelece um novo patamar de consistência e eficiência.
Isso naturalmente faz surgir outra pergunta: Palou é bom demais para a Indy?
Fica evidente que, sim, o espanhol está acima da média da categoria. Mas penso que Palou seria igualmente competitivo em qualquer outro campeonato, desde que tivesse à disposição um equipamento capaz de lhe permitir demonstrar seu talento e algum tempo para a adaptação. Nada do que apresentou até aqui me faz pensar o contrário.
Palou é fenomenal em circuito misto, ótimo nos traçados urbanos e se tornou muito bom em circuitos ovais. Ele encontrou todas as valências necessárias para estar em outro patamar dentro da Indy. E por qual razão não poderia fazer isso em outra categoria?

É verdade que a adaptação de Palou ao carro da Indy foi avassaladoramente rápida. Logo em sua temporada de estreia, ainda pela Dale Coyne, conquistou um pódio que chamou a atenção de Mike Hull, então diretor da Ganassi. O espanhol mostrou desde muito cedo uma capacidade incomum de extrair desempenho de um carro que não estava entre os mais competitivos do grid.
Mas seu domínio atual não é obra do acaso. Palou poderia, naturalmente, encontrar dificuldades maiores ao desembarcar em uma categoria completamente diferente. A Fórmula 1 exige uma adaptação específica, o endurance tem outra dinâmica e demandas distintas. Ainda assim, não tenho dúvidas de que, com uma oportunidade em tempo integral e equipamento competitivo, Palou teria condições de alcançar sucesso em qualquer uma delas. O talento sempre esteve ali. O que faltou durante boa parte de sua carreira foi equipamento competitivo — na base, o dinheiro influencia muito em ter as melhores peças, mas também os melhores engenheiros e mecânicos.
Palou já contou algumas vezes que chegou a disputar corridas de kart com o pai sabendo que aquela poderia ser a última, justamente pelas limitações financeiras da família. Esse passado pode ajudar a explicar parte da fome que o espanhol demonstra até hoje. Palou parece competir cada prova como se fosse a derradeira oportunidade de sua carreira. E, enquanto muitos pilotos poderiam se acomodar depois de alcançar o topo, ele continua buscando mais.
Talvez esteja aí uma das grandes explicações para o fenômeno. Palou não parece satisfeito em simplesmente vencer. Ele quer dominar. E domina de uma maneira que transforma a temporada dos adversários em uma luta pelo segundo lugar.

Correndo como nunca, vencendo como sempre, Álex Palou caminha para quebrar todos os recordes da Indy. Agora, está a apenas um título de igualar Scott Dixon, companheiro de Ganassi durante os últimos anos e um dos maiores vencedores da história da categoria. O domínio do espanhol, inclusive, já reduziu consideravelmente a distância para os números do neozelandês, que durante muito tempo pareceu destinado a ser o grande recordista da Indy.
Os recordes de títulos e vitórias ainda pertencem a A.J. Foyt. Mas isso pode ser apenas uma questão de tempo. Palou tem idade, talento e, principalmente, fome para continuar empilhando conquistas. Se mantiver esse ritmo, a discussão deixará de ser sobre se ele é bom demais para a Indy. Passará a ser sobre até onde ele pode levar o próprio limite — e quantos dos recordes mais importantes da categoria ainda permanecerão de pé quando sua carreira terminar.