A rodada dupla de Milwaukee entregou praticamente de tudo em um único fim de semana. A chuva bagunçou a programação, obrigou a Indy a concluir uma corrida depois da outra no domingo e transformou o encerramento da temporada em um cenário completamente atípico. No meio do caos, Pato O’Ward foi o grande nome da rodada e venceu as duas provas, feito que não acontecia na categoria desde 1981.
Do outro lado, Álex Palou fez o que precisava para confirmar mais um título. Longe de ter o carro mais competitivo da Ganassi no oval de West Allis, o espanhol adotou uma postura conservadora, somou os pontos necessários e assegurou o quinto campeonato da carreira, o quarto consecutivo.
Mas Milwaukee também deixou perguntas importantes para a sequência da Indy. Christian Lundgaard mostrou uma evolução significativa nos ovais justamente antes de chegar à Ganassi, a Penske voltou a deixar escapar oportunidades de vitória e a Foyt tomou decisões pesaram na sequência de Caio Collet na categoria. Confira 5 coisas que aprendemos com a rodada dupla de Milwaukee
Foyt se autoflagela em Milwaukee e deixa indícios de fim de parceria com Collet
A batida de Caio Collet foi um fim melancólico da passagem do brasileiro por Milwaukee, onde se arrastou do primeiro ao último segundo no oval de West Allis, graças a uma falta de leitura da Foyt no fim de semana. Isso para não dizer que a imagem pode ser o retrato do término da parceria entre as partes, com um pano de fundo para lá de controverso, com a equipe não trocando o motor do #4 mesmo diante de sinais evidentes da falta de competitividade desde o treino livre da sexta-feira (28).
A Foyt planejou, de fato, a troca de motor de Collet, mas em um momento para lá de inadequado — sobretudo diante do caos que se tornou a programação da rodada de Milwaukee por conta da chuva, que era prevista para boa parte do fim de semana e, de fato, se confirmou. A ideia era usar o motor novo para a corrida 2, mas não houve tempo hábil em decorrência da transferência do restante da primeira prova para o domingo, explicou a equipe ao GRANDE PRÊMIO.
No entanto, a Foyt se esquivou e não respondeu ao GRANDE PRÊMIO sobre os motivos de a troca não ter sido realizada ainda na sexta-feira, depois de Collet se arrastar no treino livre e terminar em 24º, 1s2 atrás de Josef Newgarden, o mais rápido da atividade.
Isso abre uma série de especulações diante desse vácuo de informação. Teria sido apenas uma falta de leitura do fim de semana? Isso não seria surpresa diante do que a equipe do #4 apresentou ao longo do ano, mas um erro grosseiro para o nível da Indy. Portanto, há quem suspeite de falta de dinheiro, apesar de a Foyt também ter destacado ao GRANDE PRÊMIO que a troca será realizada para o GP de Laguna Seca.
Existem ainda aqueles que pensam em algum tipo de boicote, o que parece pouco provável — em tempos em que as equipes contam as moedas para comprar o carro de 2028, não parece inteligente abrir mão da briga pelo US$ 1,65 milhão (R$ 8,6 milhões) do Leader’s Circle.

O fato é que a Foyt se autoflagelou ao não trocar o motor, seja na sexta, no sábado ou até mesmo no domingo, o que impediria Collet de disputar a corrida 1 — o brasileiro fez seis pontos, sendo que faria cinco se não relargasse. No mínimo, o #4 teria condições de brigar mais à frente na prova realizada no início da tarde em Milwaukee e ainda poderia estar na briga pelo Leader’s Circle.
Expôs, assim, uma situação que envolve falta de planejamento adequado e uma economia barata por parte da Foyt. Collet despencou ainda mais no campeonato — se estava empatado com Christian Rasmussen na posição do Leader’s Circle, agora está 31 pontos atrás de Dennis Hauger e vai precisar de um lugar no pódio, além de fazer contas, em Laguna Seca.
Quando se juntam esses fatos ocorridos em Milwaukee com a entrevista que Collet deu ao Sprint GP, no início do mês, os sinais indicam que a parceria com a Foyt está fadada ao fim. No programa semanal do GRANDE PRÊMIO, o brasileiro reconheceu que o prêmio do Leader’s Circle é muito importante para a renovação e, agora, só um milagre para chegar lá — ou uma oferta financeira mais elevada, ainda mais com Josh Pierson, piloto da Indy NXT, oferecendo US$ 25 milhões por duas temporadas na Foyt.
O’Ward em modo histórico

Pato O’Ward venceu e convenceu no domingo, levando os dois troféus de vencedor para casa. Com isso, entrou em uma seleta lista de pilotos que ganharam duas corridas da Indy em um mesmo dia, como Al Unser, Mario Andretti, Bobby Unser, Dan Gurney, Johnny Rutherford e Rick Mears.
Mas, mais do que esse feito, O’Ward teve duas atuações convincentes. Na corrida 2, que acabou concluída primeiro, o mexicano saiu das primeiras posições depois de um pit-stop problemático da McLaren, mas escalou o grid no restante da prova — além de ter contado com uma ótima parada no fim para reassumir a liderança. Já na prova 1, relargou na frente e conseguiu se aproveitar de uma relargada ruim de David Malukas para vencer e varrer o domingo.
O’Ward sempre foi um cara com muita velocidade, mas esbarrou no alto nível de Álex Palou — principalmente em 2025. Teve um fim de semana irrepreensível, com uma atuação cirúrgica, consistente e voraz para ficar com as duas vitórias. Assim como Kirkwood em Washington, mostrou que tem nível para fazer uma briga mais acirrada pelo título, mas, agora, só em 2027.
Palou coloca regulamento embaixo do braço para levar o penta

O fim de semana de Álex Palou em Milwaukee foi bem discreto dentro da pista, apesar da pole-position para a corrida 2. O espanhol pouco apareceu durante as provas em decorrência da falta de ritmo da Ganassi, que não foi notável com nenhum dos carros. Com isso, o #10 pilotou com muita cautela e fazendo cálculos para garantir o quinto título na rodada do circuito oval em West Allis.
Dessa vez, Palou não precisou otimizar os resultados por não ter o melhor carro, já que a margem para ser campeão era ampla, ainda mais com Kyle Kirkwood distante de ter um desempenho capaz de brigar pela vitória. Mas esta foi mais uma exibição que mostrou a importância de encerrar as corridas da Indy ao menos nas posições possíveis e encontrar as oportunidades. Foi assim em boa parte dos últimos anos e, dessa forma, o espanhol tem enfileirado os títulos da categoria.
Lundgaard competitivo em ovais é alento… para a Ganassi
Definitivamente, Christian Lundgaard teve a melhor exibição em circuitos ovais da carreira. É bem verdade que o dinamarquês não teve desempenho para brigar pelas vitórias no fim, mas o sexto e o terceiro lugares nas duas corridas do fim de semana representaram um salto para o piloto, que acabou preterido pela McLaren justamente por este não ser um tipo de valência destacada.
Apesar de a equipe ter festejado o primeiro pódio de Lundgaard em ovais, quem também vibrou com o resultado foi a Ganassi, onde o dinamarquês vai desembarcar na temporada 2027, como antecipou o GRANDE PRÊMIO. Esse tipo de progressão também é interessante pensando em uma disputa com Palou, afinal, o atual representante da McLaren fecha uma lacuna que ainda precisava ser preenchida.
Penske bate na trave e deixa Milwaukee de mãos abanando
Os circuitos ovais vinham sendo um oásis para a Penske nos anos de domínio de Álex Palou, principalmente com Josef Newgarden, mas o time, como diz o ditado popular, nadou e morreu na praia. E olha que a equipe tentou de tudo, mas sucumbiu diante de Pato O’Ward.
Newgarden bateu na corrida 2, que foi finalizada antes da 1, de modo amador. Com isso, pouco fez na prova que encerrou o fim de semana. Scott McLaughlin e David Malukas contaram com estratégias diferentes para disputar a liderança da corrida, mas ambos não conseguiram conter o mexicano — no caso do norte-americano, contribuiu uma falha na troca de marchas no momento da última relargada.
É evidente que a Penske progrediu em relação a 2025, quando parecia bem perdida, mas ainda falta um bocado para o time retornar ao topo da Indy.
A Indy conclui a temporada 2026 no próximo fim de semana, entre os dias 4 e 6 de setembro, com o GP de Laguna Seca.