O GP de Milwaukee 1 foi marcado pela chuva, que impediu a realização da plenitude das 250 voltas originais da 16ª etapa da temporada 2026. Com isso, quatro dos cinco ovais da temporada tiveram a programação afetada por aguaceiros, o que mescla muito azar, altas apostas e um pouco de falta de maleabilidade da categoria.

Em 2026, apenas Phoenix, no deserto do Arizona, não teve nenhuma sessão atrapalhada pela chuva. Indianápolis, St. Louis, Nashville e Milwaukee sofreram um bocado com isso.

Nas 500 Milhas de Indianápolis, não tem como não falar em azar. O formato da classificação precisou ser alterado, pois choveu durante todo o sábado, quando seria realizado o primeiro dia daquela sessão. Tudo foi transferido e adaptado para o domingo — dos males, o menor, pois o evento foi um sucesso, apesar de encurtado, o que impacta, evidentemente, na menor exposição do produto.

A chuva deu as caras na corrida, no domingo seguinte. A previsão, no entanto, era de um aguaceiro mais forte, o que poderia encerrar a prova antes das 500 milhas originais. Mas a garoa veio leve e, apesar de breves interrupções, houve tempo para a conclusão da principal prova da categoria e a chegada épica entre Felix Rosenqvist e David Malukas.

Em St. Louis, faltou um pouco de maleabilidade, pois a corrida foi agendada para a noite de domingo e havia uma janela para que a prova fosse realizada mais cedo, sem interrupção da chuva. Por mais que a corrida vencida por Josef Newgarden tenha terminado na duração original, o evento foi extenso, com longas interrupções que fizeram a prova adentrar a madrugada de segunda-feira. O cansaço dos pilotos e das equipes, que vinham de uma sequência de cinco fins de semana seguidos, ficou latente.

Chuva na Indy 500 (Foto: IndyCar)

Em Nashville, a aposta foi dar a bandeira verde após o término da final da Copa do Mundo de futebol, pois a Fox era a detentora dos direitos esportivos de ambos os eventos. Mas a chuva resolveu roubar a cena e transferiu a corrida para o dia seguinte. Nesse caso, o risco valeria a pena, pois a categoria receberia a massiva audiência e ganharia enorme visibilidade. Mesmo sem corrida, o tempo de espera teve média de quase 3 milhões de espectadores, número que só foi menor que o da Indy 500 e o do GP de Washington.

É claro que não dá para controlar a chuva, mas dá para manejar os eventos de uma forma adequada para minimizar os danos na maior parte das ocasiões. Em Milwaukee, já na corrida 1, a programação ficou caótica por conta do aguaceiro, mas não há tanta janela para fugir do clima, pois estamos falando de uma rodada dupla.

Em um calendário bem mais curto do que o da Nascar, que majoritariamente só corre em ovais, dá para dizer que a Indy recebeu uma boa dose de azar nos ovais em 2026 — isso sem contar a transferência da classificação do circuito misto de Indianápolis. Cada episódio tem sua história, certamente, mas o combo disso não pode ser apenas infelicidade — principalmente no caso de St. Louis ou ao marcar uma rodada dupla em Milwaukee, que certamente não seria dessa forma se a categoria recebesse outro oval.

Enquanto a chuva não atrapalhava, a prova apresentou uma boa disputa entre Pato O’Ward e Felix Rosenqvist e uma questão interessante sobre os pneus, que estavam fazendo uma grande diferença em relação à vida útil, o que chegou a mexer um pouco no grid por conta das estratégias. No entanto, a corrida foi interrompida na volta 91 para não voltar mais. A parte final ficará para domingo (30), às 10h (de Brasília, GMT -3), caso o clima permita.

Certamente, ficam lições para 2027.