A Indy sofreu em Iowa. Não há muita razão para mentir: a rodada dupla em Newton foi bem ruim. O novo asfalto e a falta de costume com o sistema híbrido tiveram efeitos. Foram menos janelas de pit-stop do que nos anos anteriores, e duas provas que viraram um enorme carrossel pouquíssimo animado, mas com fatores que impediram a total monotonia. Quem cresceu durante as amarelas, seja no sábado ou no domingo, saiu na vantagem. E como esperado, o campeonato pela dinâmica do calendário se aquece para a reta final.

Muito por causa do líder Álex Palou, que se mostrou mais humano do que normalmente é em circuitos mistos e de rua. O espanhol da Ganassi até andava muito bem no sábado, mas errou sozinho e acabou no muro. Foi a primeira batida do piloto em dois anos. Ele conseguiu compensar o acidente com uma grande pilotagem no domingo, onde teve boas chances de vencer depois de liderar toda a janela intermediária, mas a sangria foi feita. Agora são 35 pontos de vantagem para o vice-líder Will Power.

O problema do australiano da Penske é que o saldo poderia ser mais positivo. A vitória no domingo foi absolutamente genial, apostando que uma bandeira amarela viria. Era a melhor forma de escalar o pelotão depois de largar em 22º e no contexto onde era difícil demais de passar. Alongou o stint, viu Agustín Canapino promover o momento que tanto esperou e soube gerenciar a vantagem sobre Palou nas voltas finais.

O problema é que, em termos de campeonato, ainda fica um gosto de que poderia mais se não fosse o sábado desastroso, quando recebeu uma punição por excesso de velocidade no pit-lane e ainda ocasionou o acidente que tirou o brasileiro Pietro Fittipaldi da corrida nas voltas finais. Dava para ficar mais próximo.

Will Power celebra vitória no domingo (14) em Iowa (Foto: IndyCar)

Quem melhor aproveitou o fim de semana foi Scott McLaughlin, que saiu com uma excelente vitória no sábado, também usando a estratégia para driblar Colton Herta e finalmente triunfar nos ovais. No domingo, liderou e poderia ter vencido, mas em um cenário tão difícil de ultrapassar, o terceiro posto é de bom tamanho. Agora, são 65 de desvantagem para Palou, e se parar com as oscilações extremas, pode também sonhar com o título.

Pato O’Ward, que venceu em Mid-Ohio, pode até sair com o sentimento de que poderia mais. Afinal, é um especialista em ovais e viu a Penske sair com as vitórias no fim de semana. Mesmo assim, não sai tão triste. O pódio no sábado significou uma boa redução de vantagem para Álex Palou. São 52 pontos atrás contra 70 após a semana passada.

De qualquer forma, a Indy precisa ligar um sinal de atenção para os últimos quatro ovais do ano, especialmente em Gateway e Milwaukee. Ovais precisam sempre fazer parte do calendário, mas pouco adianta as respectivas presenças se a dinâmica é até pior do que em certos circuitos mistos. Não chega a ser uma exigência por ‘pack race’, longe disso. Mas vale a atenção para que a categoria não mude para pior em algo que é de sua essência.