A Indy mirou o céu com o GP de Nashville. A categoria programou a bandeira verde para logo após a final da Copa do Mundo, imaginando herdar uma audiência massiva nos Estados Unidos, já que ambos os eventos eram exibidos pela FOX. Mas o plano foi, literalmente, por água abaixo. A chuva não apenas adiou a corrida para a tarde de segunda-feira, como também lavou o asfalto do Nashville Superspeedway e limitou completamente as possibilidades de disputa. Se em 2025 a prova foi uma das melhores da temporada, desta vez o espetáculo ficou muito aquém do esperado.

Tirando o fortíssimo apelo emocional da final da Copa do Mundo — com a Espanha dominando a posse de bola e a Argentina correndo atrás sem conseguir reagir —, era inevitável imaginar que o GP de Nashville pudesse entregar uma corrida igualmente eletrizante. Seria um golaço da Indy e da FOX na tentativa de conquistar novos fãs. A estratégia já havia dado resultado em Road America, quando a transmissão começou logo após a vitória da Espanha por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita e alcançou 1,8 milhão de telespectadores, a maior audiência de uma etapa da categoria, excluindo as 500 Milhas de Indianápolis, desde 2011.

Caio Collet bateu logo no início do GP de Nashville e abandonou a prova (Vídeo: Reprodução/Indycar)

Mas a chuva estragou tudo. Não apenas no domingo, quando impediu a realização da prova, mas também na segunda-feira.

O primeiro impacto foi nas arquibancadas. No domingo (19), o público compareceu em ótimo número ao circuito. Com o adiamento, porém, a esmagadora maioria não conseguiu retornar para acompanhar a 12ª etapa da temporada. O mesmo vale para a audiência na televisão, que certamente ficou muito distante do potencial imaginado pela categoria.

Na pista, o aguaceiro removeu praticamente todo o emborrachamento do oval, inutilizando a linha externa. Quem tentou utilizá-la acabou encontrando a sujeira acumulada fora do traçado ideal — a famosa “farofa” — e, em muitos casos, o muro. Foi exatamente o que aconteceu com Caio Collet, Christian Rasmussen e Will Power.

Graham Rahal (Foto: IndyCar)

Como se isso não bastasse, o calor intenso, com temperaturas do asfalto superiores aos 50°C, agravou ainda mais a situação. Nessas condições, a aderência diminui significativamente, tornando os carros muito mais difíceis de controlar e aumentando o risco de acidentes. O resultado foi uma corrida travada, de poucas ultrapassagens e praticamente sem alternativas para quem tentava atacar.

No meio desse cenário, Álex Palou mostrou mais uma vez por que competência e oportunidade costumam caminhar juntas. A Ganassi tinha um carro competitivo, mas não parecia ter o melhor ritmo do fim de semana. Penske e Kyle Kirkwood davam sinais de que poderiam lutar pela vitória.

Mesmo assim, quando Palou brigava pelas primeiras posições em meio a Josef Newgarden, Scott McLaughlin e outros pilotos, cercados por retardatários, a Ganassi tomou a decisão perfeita ao chamá-lo para os boxes. A estratégia o tirou da confusão exatamente antes de Alexander Rossi reduzir bruscamente a velocidade para tentar entrar nos pits e ser atingido por Scott Dixon, desencadeando a bandeira amarela que mudou completamente a corrida.

Quando os boxes foram liberados para os demais concorrentes, todos precisaram parar, enquanto Palou assumiu a liderança. A partir dali, em uma prova na qual ultrapassar era extremamente complicado, não perdeu mais a primeira colocação e caminhou para mais uma vitória.

Álex Palou (Foto: Indycar)

No fim das contas, Nashville entregou uma das corridas mais decepcionantes da temporada — muito mais pelas circunstâncias do que pelo potencial do circuito. O adiamento para a segunda-feira afastou público e audiência, enquanto a chuva retirou justamente o ingrediente que costuma transformar o oval em espetáculo: a possibilidade de correr em diferentes linhas. Para os fãs da Indy, ficou a frustração de uma oportunidade desperdiçada. Talvez os únicos que tenham saído plenamente satisfeitos tenham sido os espanhóis, que comemoraram mais uma vitória no fim de semana, encerrado em uma segunda-feira.

A Indy terá pela frente os últimos dois fins de semana de folga antes do encerramento da temporada 2026 e retorna somente entre os dias 7 e 9 de agosto, com o GP de Portland, que abre a sequência de seis corridas até o desfecho do campeonato.

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