A Penske até deixou boa impressão no fim da temporada 2025 da Indy, mas o ano ficou marcado como um dos capítulos mais conturbados da história da equipe, a maior vencedora da categoria. As polêmicas giraram especialmente em torno das controvérsias envolvendo os atenuadores adulterados nas 500 Milhas de Indianápolis — episódio que culminou na demissão da alta cúpula —, o fraco desempenho na maioria do campeonato e na saída de Will Power, encerrando uma das parcerias mais longevas da atualidade.

Antes mesmo de carros e pilotos chegarem a St. Pete, palco da primeira etapa da temporada, Power anunciou que passaria a ter uma agência cuidando da carreira: a A14, de Fernando Alonso. À época, o australiano afirmou que o objetivo era disputar outras competições, como as 24 Horas de Le Mans.

O movimento de Power foi um indicativo de que 2025 seria o último ano da parceria, que já havia estremecido após o escândalo do push-to-pass em St. Pete 2024, apurou o GRANDE PRÊMIO. O australiano não seguiu o discurso da equipe, afirmou que não acionou o botão de potência extra em momentos indevidos e atribuiu a responsabilidade ao time, apesar de ter aceitado a sanção. O posicionamento não caiu bem internamente.

Em St. Pete, abertura de 2025, a Penske mostrou que poderia ser uma pedra no sapato de Álex Palou, com Scott McLaughlin conquistando a pole. O neozelandês apresentou forte ritmo, mas não conseguiu brigar pela vitória por conta da estratégia de largar com pneus duros, que naufragou com uma bandeira amarela logo na volta 1 e favoreceu quem iniciou a prova de macios — curiosamente, com Power envolvido. Ainda assim, Josef Newgarden exibiu bom desempenho e disputou a vitória com o espanhol e Scott Dixon até a volta final.

Scott McLaughlin em St. Pete (Foto: IndyCar)

O sinal de que o ano seria desafiador veio nas provas seguintes, quando a Penske beirou o fiasco. Tanto no Thermal Club quanto em Long Beach, os pilotos classificaram mal e precisaram de corridas de recuperação para alcançar resultados medianos — em ambas, Power foi quem obteve a melhor colocação, com sexto e quinto lugares, respectivamente.

No Alabama, McLaughlin foi ao pódio, mas a mensagem não foi positiva. Após vencer as duas edições anteriores no Barber Motorsports Park, o neozelandês não conseguiu acompanhar Palou, que triunfou com mais de 16s de vantagem para Christian Lundgaard, o segundo, e 23s para o #3. O terceiro lugar veio com bastante esforço, defendendo-se de Rinus VeeKay, da Dale Coyne, nas voltas finais.

A abertura do mês de maio trouxe um alento, com Power no pódio ao terminar em terceiro no GP de Indianápolis, à frente de McLaughlin. Ainda assim, o título já parecia distante, já que Palou havia vencido quatro das cinco etapas disputadas até então.

Indianápolis, porém, reservou um dos capítulos mais sombrios da história da Penske, extrapolando a própria equipe e colocando em xeque a credibilidade de Roger Penske, também dono da Indy.

Will Power tem carro mexido pela Penske durante classificação da Indy 500(Foto: IndyCar)

Minutos antes de Newgarden e Power entrarem na pista para disputar a pole-position do maior evento da categoria — a Indy 500 —, os carros da Penske passaram por nova inspeção técnica após denúncia de outra equipe. Os atenuadores estavam adulterados, o que impediu o time de concluir a sessão.

Pato O’Ward, em entrevista coletiva acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO, criticou a Penske e afirmou que um carro adulterado de forma ilegal largaria nas 500 Milhas de Indianápolis, enquanto Jacob Abel havia sido eliminado no dia anterior — foi o ponto de partida para dias atribulados no Indianapolis Motor Speedway.

Os bastidores pouco transparentes alimentaram críticas à condução do evento e, mais uma vez, colocaram Penske em posição desconfortável por um possível conflito de interesses. O corpo técnico da Indy, por meio de Doug Boles, presidente da categoria, alegou que os carros estavam em conformidade com o regulamento, mas as horas seguintes revelaram imagens do carro adulterado muito antes — inclusive na vitória de Newgarden no ano anterior.

A alternativa encontrada por Roger Penske foi demitir Tim Cindric, presidente da equipe na Indy, além dos diretores Ron Ruzewski e Kyle Moyer. Como dono da categoria, puniu Power e Newgarden com a última fila e anunciou a criação de um órgão fiscal independente, que entrará em vigor na próxima temporada.

Scott McLaughlin bateu antes mesmo da largada (Foto: Indycar)

Com os atenuadores regularizados, a Penske teve uma Indy 500 para esquecer: McLaughlin bateu na volta de apresentação, Newgarden abandonou a prova — apesar de largar em último e alcançar a quinta posição em dado momento — e Power fez uma corrida discreta, terminando em 16º.

Em Detroit, a Penske voltou a ser coadjuvante, mesmo com Power finalizando em quarto. Do fim de semana, a maior lembrança foi o episódio em que o australiano empurrou Kyle Kirkwood durante um treino livre, visivelmente irritado. Meses depois, veio à tona que Roger Penske havia liberado o piloto para buscar outras equipes enquanto o time deliberava sobre a renovação.

De volta aos ovais, a Penske voltou a mostrar força, mas sem resultados. Power e McLaughlin largaram na primeira fila, mas abandonaram com problemas. Newgarden parecia salvar a honra da equipe ao liderar com folga, até se envolver em um acidente espetacular ao atingir o carro do retardatário Louis Foster e capotar na reta principal.

O baixo nível de resultados se manteve em Road America e Mid-Ohio, corridas dominadas pela Ganassi e nas quais nenhum piloto da Penske terminou entre os dez primeiros.

A expectativa por uma vitória era alta em Iowa, única rodada dupla do ano, mas a Penske naufragou onde costumava dominar. Na primeira corrida, a McLaren acertou na estratégia e colocou O’Ward à frente de Newgarden no fim. Na segunda, vitória de Palou, que admitiu dificuldades em ovais curtos.

Toronto apresentou um enorme desafio estratégico, e a McLaren levou a melhor com nova vitória de O’Ward. Até a Ganassi se atrapalhou com Dixon e Palou, mas foi ao pódio com Kyffin Simpson. A Penske, entretanto, teve o 11º lugar de Power como melhor resultado.

Power voltou a ser o melhor piloto da equipe em Laguna Seca, mas apenas com o sétimo lugar. Palou dominou mais uma vez na pista e venceu novamente.

Em Portland, a Penske deu sinais de reação após a reorganização da equipe, agora sob a presidência de Jonathan Diuguid. Power venceu liderando 78 das 110 voltas e se consolidou como o melhor piloto do time no ano. O australiano abriu o fim de semana pedindo definições sobre o futuro e terminou indicando que sentiria falta da equipe, já projetando a saída ao fim de 2025, roubando a cena dos festejos, que incluíram a celebração do tetracampeonato de Palou.

Will Power celebra vitória em Portland com equipe do carro #12 da Penske (Foto: IndyCar)

Em Milwaukee, a Penske voltou ao pódio, com McLaughlin em terceiro, atrás de Christian Rasmussen — vencedor pela primeira vez na Indy — e Palou. Em Nashville, outro oval, Newgarden venceu, reforçando a tese de que a equipe conseguiu se reorganizar na reta final da temporada.

Dias depois, veio a confirmação: Power deixou a Penske e acertou com a Andretti, substituindo Colton Herta, que migrou para a F2 e assumiu o cargo de piloto reserva da Cadillac. No carro #12, David Malukas assumiu o posto.

Com tudo definido, a surpresa final: Power revelou que recebeu uma proposta de renovação, mas optou pela Andretti, que iniciou as tratativas com Dan Towriss ainda na semana de Road America — um golpe duro para a Penske.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
LEIA MAIS: Retrospectiva 2025: Palou comanda ano histórico e consolida dinastia na Indy