Pedro Acosta demorou 56 largadas para fazer o que, desde muito cedo, parecia apenas uma questão de tempo: vencer na MotoGP. A espera acabou neste domingo (20), no lugar mais simbólico possível. No Red Bull Ring, casa da KTM, o espanhol conquistou a primeira vitória e entregou à fabricante laranja — que apostou nele desde a adolescência — o presente que queria deixar antes de partir.
E há algo particularmente bonito na maneira como Acosta chegou a esse triunfo. Além da velocidade, foi uma vitória construída sobre insistência.
Acosta já tinha sido campeão de tudo quando foi escolhido pela KTM. Levou a Rookies Cup em 2020, ganhou a Moto3 em 2021 logo na temporada de estreia e venceu o título da Moto2 em 2023. Chegou à MotoGP em 2024. Na classe rainha, entretanto, a conta não fechava.
O talento continuava evidente, os pódios e a velocidade apareciam, mas faltava o primeiro lugar aos domingos. Antes de Spielberg, eram 15 pódios sem uma vitória em 55 largadas na classe rainha do Mundial de Motovelocidade.

A própria trajetória explica por que a cobrança aumentou tão rapidamente. Acosta não chegou à MotoGP como um piloto que precisava de tempo para mostrar potencial, mas como alguém que já havia transformado ascensão meteórica em hábito.
Na classe rainha, porém, sofreu com quedas e precisou aprender a gerenciar melhor os pneus. Ainda assim, construiu competitividade com uma moto que quase sempre se mostrou inferior às rivais. Tirou — e segue tirando — leite de pedra da RC16.
“Ainda lembro bem da última vez que tive essa sensação na Moto2, na Indonésia. A primeira vitória é sempre especial. Foi uma maneira excelente de encerrar o ciclo com a KTM diante de todos os fãs austríacos. Além disso, havia muitos funcionários da KTM por perto, e estou extremamente feliz por eles, que merecem essa vitória até mais do que eu”, afirmou.

“Havia pessoas muito boas ontem [na corrida sprint], quando cometi aquele erro que prejudicou a equipe e poderia ter afetado esse resultado deles hoje. Por isso, essa é uma sensação especial”, concluiu.
A vitória deste domingo sela os últimos momentos de uma parceria que não trouxe tantas glórias na classe rainha — muito por conta dos diversos problemas financeiros enfrentados pela marca nos últimos anos —, mas que, olhando para toda a trajetória, com certeza deu certo.
Acosta chegou à KTM ainda adolescente, venceu na Rookies Cup, passou pela Moto3 e pela Moto2 até conquistar espaço na equipe de fábrica na MotoGP. Agora, já acertado com a Ducati para 2027 e 2028, vai deixar a estrutura que ajudou a construir a carreira para formar dupla com Marc Márquez.

Mas antes de trocar o laranja pelo vermelho, o #37 precisava de uma coisa. Precisava vencer de KTM. Precisava entregar à equipe que apostou nele desde o começo o presente que queria levar para casa. Hoje, o Tubarão finalmente mordeu a MotoGP.
A MotoGP volta a acelerar de 2 a 4 de outubro, em Motegi, para o GP do Japão, 16ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.