Durante 22 anos, o Japão assistiu à MotoGP de uma posição desconfortável. Continuou fabricando motos que conquistaram campeonatos, investindo milhões em tecnologia e formando pilotos competitivos, mas sem conseguir colocar um representante no degrau mais alto do pódio desde Makoto Tamada, em 2004. Era uma ausência estranha para um país que ajudou a construir a história da categoria, sobretudo com Honda e Yamaha.
O jejum terminou justamente na Catedral da Velocidade. E não por acaso. Assen costuma premiar pilotos completos. É um circuito que exige muita técnica para manter velocidade nas curvas rápidas, precisão nas mudanças de direção e inteligência para administrar pneus durante toda a corrida. Ai Ogura entregou exatamente isso neste domingo (28).
O dono da moto #79 da Trackhouse não venceu porque os adversários erraram. Venceu porque foi o piloto mais rápido quando a corrida entrou na fase decisiva, atacando no momento certo e controlando a situação até a bandeirada final.
A combinação entre um piloto mais maduro e uma Aprilia que hoje tem melhor pacote técnico do grid criou um cenário perfeito para o japonês mostrar aquilo que sempre prometeu nas categorias de base. Os resultados passaram a aparecer com frequência, os pódios deixaram de parecer surpresa e a primeira vitória tornou-se uma consequência lógica do crescimento apresentado ao longo da temporada.

▶️Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV
Mais importante do que quebrar um jejum estatístico, Ogura devolve protagonismo a uma escola que havia perdido espaço na MotoGP. Durante muito tempo, o motociclismo japonês foi uma referência na categoria. Daijiro Kato, Norick Abe, Makoto Tamada e tantos outros ajudaram a construir uma tradição de pilotos talentosos, capazes de desafiar os melhores do mundo.
Nos últimos anos, porém, a impressão era de que o Japão havia perdido protagonismo tanto na pista quanto no desenvolvimento das motos, enquanto Espanha e Itália concentravam os principais talentos e as fabricantes europeias assumiam a dianteira técnica da MotoGP.
A temporada ainda é longa e pode reservar muitas alegrias para Trackhouse e Ogura até dezembro. O japonês, porém, já sabe que iniciará um novo capítulo na carreira no próximo ano, quando defenderá a Yamaha. A vitória em Assen faz Ogura chegar ao time de fábrica sob uma expectativa completamente diferente. Não mais como uma promessa, mas como um vencedor de GP.

O Japão volta a ter um vencedor na MotoGP justamente quando um piloto japonês se prepara para assumir a missão de ajudar a recolocar a Yamaha entre as protagonistas a partir de 2027. Depois de 22 anos de espera, o motociclismo japonês volta a ter um rosto para liderar essa reconstrução.
A MotoGP volta a acelerar entre 10 a 12 de julho para o GP da Alemanha, direto de Sachsenring, 11ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.
MotoGP hoje: saiba aqui as notícias mais importantes da MotoGP
A redação do GRANDE PRÊMIO selecionou as notícias mais importantes das últimas horas para você ficar por dentro de tudo que acontece na MotoGP.
▶️Ogura voa em Assen, puxa trinca da Aprilia e vence 1ª na MotoGP. Moreira é 14º
▶️Ogura quebra jejum de 22 anos e recoloca Japão no topo do pódio na MotoGP
▶️Martín aproveita queda de Bezzecchi e toma liderança da MotoGP. Confira classificação
▶️Bezzecchi é levado ao hospital após forte queda no GP dos Países Baixos da MotoGP
▶️Acosta antecipa cirurgia no braço após abandono em Assen: “Sofro há 1 ano”
▶️Futuro em xeque e troca de farpas: entenda briga entre Viñales e Steiner na MotoGP
▶️Alonso acerta bote em González na última curva e vence GP dos Países Baixos na Moto2
▶️Quiles segura Almansa nas voltas finais e vence GP dos Países Baixos na Moto3